Filmes: O Artista (2011)

Vencedor de 5 Oscar: Melhor Filme, Diretor, Ator (Jean Dujardin), Trilha Sonora e Figurino!

Gênero: Drama/Comédia
Duração: 100 min.
Origem: França/Bélgica/EUA
Direção: Michel Hazanavicius
Roteiro: Michel Hazanavicius
Produção: Thomas Langmann, Emmanuel Montamat

Não tem erro: todo filme que usa de certa metalinguagem e fala do próprio Cinema costuma render experiências interessantes. No ano passado, o cineasta Michel Hazanavicius foi muito além e, mais do que simples metalinguagem, fez uma das melhores homenagens que o Cinema já recebeu.

E esse é só um dos motivos que faz de  O Artista o filme que mais mereceu o prêmio principal do Oscar nos últimos anos.

Quem não ficou muito ligado no Festival de Cannes do ano passado foi pego de surpresa quando um filme preto-e-branco e mudo de repente começou a arrebatar todos os prêmios da crítica e o Globo de Ouro, além de garantir várias indicações importantes ao Oscar, deixando nomes que já eram esperados nessas premiações, como A Árvore da Vida e A Invenção de Hugo Cabret, de mãos vazias.

Quando o filme começou a fazer barulho, muita gente já começou a xingar, afirmando que a Academia chegaria ao cúmulo do conservadorismo premiando uma produção assim. No entanto, quando se assiste O Artista, não tem como não chegar a conclusão de que o filme fez por merecer toda a aclamação que teve, fazendo qualquer pré-julgamento como esses soarem simplesmente ridículos.Divertido, envolvente, belíssimo e diferente para os padrões atuais, O Artista é uma homenagem simplesmente maravilhosa ao Cinema, mostrando da melhor forma possível como ele pode ser encantador (não que isso ainda precise ser provado).

O argumento do filme não é a coisa mais original do mundo, a história do homem consagrado que de repente se vê em decadência diante de uma novidade é conhecida, mas a união do modo como ela é apresentada aqui, nos moldes das produções antigas de Hollywood e do excepcional roteiro, que traz essa história simples sendo protagonizada por personagens maravilhosos, que nos cativam facilmente, em situações ora engraçadas, ora tristes, é o que torna este filme tão encantador.

Claro que esses são apenas dois elementos importantes para a obra como um todo funcionar tão maravilhosamente bem. A dupla Jean Dujardin e Berènice Bejo (junto do cachorrinho Uggie, é claro), dão todo o brilho que o filme precisa. Dujardin tem um carisma admirável e uma expressividade incrível, muitas vezes passando tudo o que seu personagem George Valentin está sentindo apenas com um olhar e conseguindo um feito impressionante, pois faz um trabalho tão competente que para mim, o próprio Dujardin é um ator dos anos 20! Confesso que vai ser estranho vê-lo em produções normais, “colorido” e falando, depois dessa atuação tão marcante.

Enquanto isso, Bejo transforma Peppy Miller numa garota adorável, que nos conquista de tal forma que chega um ponto em que somos levados pelas suas emoções: ficamos felizes com a sua alegria e empolgação em virar uma estrela e é difícil não ficar triste quando ela fica magoada com o afastamento de Valentin ou em um momento particularmente bonito, em que ela chora silenciosamente dentro de um carro. E já que estou falando de atuações, não posso esquecer do cãozinho Uggie, que rouba todas as cenas em que aparece e consegue nos emocionar num momento-chave do clímax.

Impecável também em aspectos técnicos, O Artista reproduz com fidelidade o Cinema daquela época, desde os aspectos mais óbvios (como introduzir caixas de diálogo para substituir algumas poucas falas realmente indispensáveis) até os mínimos detalhes (o filme é fotografado no formato tradicional 1:33:1 – também conhecido como o 4:3 da TV – para remeter aos filmes antigos, por exemplo) e, como se não bastasse a limitação da falta de som chega a render algumas sacadas geniais e até ajuda a acentuar a tensão em alguns momentos (“Bang!”).

Além disso, é claro que, num filme assim, a trilha sonora deveria ser mais que perfeita. E Ludovic Bource não decepcionou: a trilha sonora de O Artista é um espetáculo a parte e alcança com louvor o seu objetivo ao dar o tom perfeito para cada cena, além de estabelecer temas marcantes e facilmente identificáveis com os personagens. Isso sem contar a música dasequência final, uma das mais animadas e contagiantes que já ouvi em muito tempo.

Mas o que torna O Artista um filme tão brilhante (além de explicar porque Hazanavicius mereceu tanto o Oscar que levou) é que, ainda que tenha todas as características e evoque toda a atmosfera dos filmes daquela época, ele não deixe de ser atual. Sempre sentimos que estamos vendo um filme novo, pois ele nada mais é que um filme moderno, feito à moda da era de ouro de Hollywood. Uma homenagem maravilhosa, que merece ser vista e revista.

Se bem que depois da cena final, em que o filme simplesmente te desafia a não sair com um enorme sorriso do cinema e mais feliz com a vida, dizer que ele precisa ser revisto é até um pouco desnecessário…

Nota: 10

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Aguarde porque tem muitos posts vindo nesse retorno do blog! Comentários sobre As Aventuras de Tintin, Sherlock Holmes 2Histórias Cruzadas, A Invenção de Hugo Cabret, Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres,  Jogos Vorazes, Raul – O Início, O Fim e o Meio, American Pie – O Reencontro, Fúria de Titãs 2 e OS VINGADORES!

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