Últimos filmes vistos: Rumo ao Oscar 2012! – Parte 1

Neste começo do ano, uma verdadeira avalanche de filmes chegou as salas de cinema, todos esses, como já é um hábito aqui no Brasil, estrearam no final do ano passado lá fora e chegam aqui com um certo atraso, sendo que a grande maioria é forte candidato ao Oscar 2012.  E como a maior parte das estreias de janeiro e fevereiro de fato são filmes indicados ao Oscar, vira quase uma obrigação conferi-los pra poder constatar se a Academia está fazendo escolhas sensatas (algo que vem sendo meio raro, convenhamos…)

Como há muito a se falar sobre o que deu tempo de conferir, o post está dividido em três partes: nessa primeira, Steven Spielberg traz uma história com grande potencial, perdido no meio de um filme desnecessariamente inchado e uma das maiores (senão a maior) atuação da carreira de Gary Oldman em um dos filmes mais surpreendentes do ano. Agora, direto ao assunto:

Cavalo de Guerra (2011)
Road to the Oscars! : Indicado a Melhor Filme, Trilha Sonora, Fotografia, Direção de Arte, Edição de Som e Mixagem de Som

Desde que o trailer desse filme saiu, ele já parecia apelar para Oscar. Apesar da apelação, tinha fé que poderia ser um filme excelente, afinal, mesmo depois dele ter cometido tantos erros nos últimos anos, ainda boto fé nos filmes dirigidos por Spielberg. Mas mesmo sem grandes expectativas, a frustração é inevitável: Cavalo de Guerra é um filme cansativo, inchado e desnecessariamente longo. Além de forçadas de barra sem precedentes para conquistar a Academia (e conseguiu, claro).

O filme é inconstante em todos os aspectos. A fotografia tem seus grandes momentos (as paisagens grandiosas evocam o clima épico que Spielberg queria) e planos belíssimos – como quando, de um ângulo alto, temos a passagem da pá de um moinho para ocultar um momento mais pesado – mas ao mesmo tempo, em várias cenas (principalmente nos closes mais fechados) é fácil de se notar um preocupante chroma-key, que está lá exatamente para forçar o tom épico da história. A trilha sonora deve estar entre os trabalhos mais preguiçosos da carreira do mestre John Williams(do qual, vale dizer, sou grande fã) e ao longo do filme, se mostra absurdamente irritante, de modo que até o final, a “fórmula da emoção” já fique tão manjada que é possível antecipar quando a trilha vai subir e como ela vai ser.

Já o roteiro sofre de uma terrível falta de dinâmica, parece dividido em capítulos (adaptação primária a ser feita quando um filme é baseado num livro). Tem o do soldado, o dos irmãos desertores, o da garotinha com seu avô… além disso, há diversos diálogos bobos e alguns deles conseguem até estragar cenas que tinham tudo para serem excelentes, como no clímax do filme, com dois soldados de lados opostos se encontrando. Tinha tudo para ser um belo momento, que era tenso mas mostrava a humanidade dos soldados, mas foi estragado pelo diálogo bobo que se seguiu. Nem mesmo o elenco salva o filme, pois nenhuma atuação se destaca (a do garoto inclusive, é bem fraca).

Salvo as incríveis sequências de guerra, algo que já era esperado, já que pelo menos para mostrar isso Spielberg nunca perdeu a mão,Cavalo de Guerra promete muito, mostra muito, mas no fim, entrega pouca coisa de fato. Apesar das belas cenas de guerra, poderia ter esperado esse chegar em DVD/Blu-Ray tranquilamente pra assistir. Afinal, se Spielberg foi preguiçoso pra dirigir, eu tinha o direito de ser preguiçoso pra assistir…

Nota: 6

________________________________________________

O Espião Que Sabia Demais (2011)
Road to the Oscars! : Indicado a Melhor Ator, Roteiro Original, Trilha Sonora

A primeira – e muito merecida – indicação de Gary Oldman ao Oscar veio no que de fato é uma das suas melhores atuações, em um filme excelente, complexo e inteligente como poucos lançados hoje em dia. O trabalho de Oldman é no mínimo surpreendente, ainda mais se levarmos em conta que ele é um ator famoso pelos seus maneirismos e exageros nos gritos e gestos. George Smiley é uma atuação contida, detalhista e cheia de sutilezas do ator.

É admirável como o personagem nunca perde o controle, nunca aumenta o tom de voz e age de forma calma diante da maior parte das situações, o que só reforça sua extrema competência e modo peculiar de trabalhar (um momento muito claro em que isso acontece é numa cena aparentemente boba, em que vários homens estão dentro de um carro absurdamente incomodados e lutando contra uma mosca, até que ele, aparentemente alheio a situação, abre a janela e sem sequer olhar para o inseto, o deixa voar para fora). Oldman rouba o filme, mas todo o elenco também se sai muito bem, com destaque para Tom Hardy, fácil o melhor em cena depois do protagonista.

O roteiro do filme também é incrível. Inicialmente, são várias informações sendo apresentadas para o espectador sem muita linearidade e de uma forma propositalmente confusa, fazendo parecer que a história toda não faz muito sentido. No entanto, do segundo ato em diante, as coisas começam a se encaixar, ficando cada vez mais interessantes e tudo vai sendo esclarecido de formas brilhantes, com reviravoltas impressionantes e o filme termina sem uma única ponta solta.

A excelente trilha sonora de Alberto Iglesias e a fotografia meio cinzenta e melancólica ajudam a dar o tom frio e metódico do filme, além de atenuar a tensão da história, o que é admirável, visto que o ritmo com que a história é conduzida é um tanto incomum para um filme do gênero e os personagens agem de forma quase sorrateira, o que faz com que a tensão já citada seja mais real do que em qualquer outro filme, já que toda a trama é duramente realista.

Surpreendente e genial, O Espião que Sabia Demais bem merecia mais reconhecimento do que já teve no Oscar 2012. É fácil, um dos melhores filmes do ano passado (e desse ano aqui no Brasil).

Nota: 9

__________________________________________________________

Na segunda parte do post, tem a Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, espetacular adaptação do best-seller de Stieg Larsson orquestrada por David Fincher e o drama Histórias Cruzadas, que causou uma certa discussão pela sua indicação na categoria principal. Saiba se ela foi realmente merecida no próximo post que sai ainda antes do Oscar. Fiquem ligados!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s