Retrospectiva 2011 – Música: Os melhores álbuns que ouvi este ano – Parte 2

Ontem você conferiu aqui a primeira parte dos melhores álbuns do ano segundo este que vos escreve. Foster the People, Red Hot Chili Peppers, Fleet Foxes, Arctic Monkeys e Beady Eye começaram a lista. E hoje você confere a segunda parte dela, com os cinco melhores álbuns que ouvi em 2011. Cada um tem sua força, seu impacto e cada um foi ouvido no mínimo duas mil vezes por mim, o que explica bem os seus lugares na lista. O primeiro lugar, levando em consideração listas desse tipo no mundo inteiro, não poderia ter sido outro… bem, confira aí e não deixe de fazer sua própria lista (e opinar sobre essa) nos comentários!

5 – The King of Limbs – Radiohead: Desde a obra-prima Ok Computer, o Radiohead se tornou uma banda completamente imprevisível. E ouvir The King of Limbs é uma experiência e tanto, daquelas que poucas bandas conseguem proporcionar. Quando ele começa, a primeira reação é de estranheza. “Bloom” e “Morning Mr.Magpie” não tem uma melodia nem refrão, batidas descompassadas, vocais soltos, parecem sons montados aleatoriamente nas músicas. Conforme o álbum vai se desenrolando, ouvindo com atenção, nota-se que, mesmo sendo tão pequeno, ele parece brilhantemente dividido em duas partes. Se nas primeiras músicas não há nada muito definido, chega a ser bonito notar como, gradativamente, vão surgindo melodias, as músicas vão ficando mais lineares e no “ponto de quebra” e ápice do álbum, “Lotus Flower”, temos tudo que estava solto e foi se montando aos poucos, música a música, no seu devido lugar.

A partir daí, as músicas já são bem definidas e é uma mais fantástica que a outra. E na incrível “Separator”, quando o álbum está no seu melhor momento… ele acaba. Fica a sensação de que não ouvimos o final e ele foi lançado só pela metade, mas desde quando Thom Yorke e sua banda fazem álbuns para nos deixar confortáveis não é? Misturando tudo que os tornou um dos nomes mais respeitados do rock atual, o Radiohead fez um dos álbuns mais geniais do ano e lembrou algo que muita gente já esqueceu: música, afinal de contas, é arte. Já não vejo a hora de ser surpreendido com o próximo trabalho.

4 – Angles– The Strokes: Eis aí o álbum que mais dividiu opiniões este ano. Ninguém estava preparado para músicas como “Macchu Picchu” ou “Call Me Back”, completamente diferente de tudo que a banda já fez até hoje. Muito fã chegou a dizer que eles atingiram o fundo do poço com o álbum. Sinceramente? Já estava na hora do Strokes inovar. Desde que a banda não perca sua identidade, o melhor que ela tem a fazer é sempre procurar inovar seu som (algo que eles fizeram timidamente no álbum anterior, First Impressions of Earth). E em Angles, o Strokes faz isso de modo brilhante, como mostram nas canções já citadas, além das divertidas “Taken for a Fool” e “Gratisfaction” ou em “Games” (talvez onde o experimentalismo vai mais longe). O mais importante está lá: em momento nenhum o Strokes some, por mais diferentes que as músicas sejam do resto de sua carreira.

A parte irônica disso tudo é que no meio de tantas bem-vindas inovações no seu som (até nos vocais, Julian nunca tinha chegado a notas tão altas), o melhor momento de Angles está numa música que traz todas as características mais marcantes da banda e chega até a trazer ecos do seu maior sucesso: “Under Cover of Darkness” é a evolução perfeita e natural da jovem clássica “Last Nite”, afinal, o próprio Julian afirma que “Todos estão cantando a mesma música há dez anos”, não? É viciante e tem uma levada irresistível como a sua “irmã”, mas é muito mais bem trabalhada em absolutamente tudo, instrumentalmente, na letra e principalmente nos vocais. A música é a maior prova de que aqueles garotos que dominaram o rock em 2001 ficaram pra trás e o Strokes agora é, definitivamente, uma banda madura, sem medo de inovar. Ainda que tenha sido uma música tão característica deles que tenha mostrado isso…

3 – Noel Gallagher’s High Flying Birds (auto-intitulado) – Na eterna rivalidade entre os irmãos Gallagher, quem se saiu melhor, com sobras, foi Noel e seu primeiro CD solo. High Flying Birds é um álbum quase épico: com a ajuda de uma orquestra de cordas e instrumentos de sopro, tudo soa grandioso, a introdução apoteótica de “Everybody’s on the Run” já deixa isso claro. Há músicas que podiam estar nos melhores álbuns do Oasis (“Stop the Clocks”, faixa que encerra o álbum, quase foi uma música do Oasis de fato), outras, apesar de lembrarem vagamente a antiga banda de Noel, guardam uma sonoridade única (como a genial “AKA… What a Life!” e atire a primeira pedra quem ouviu e não ficou cantarolando o refrão por dias).

“The Death of You and Me” e “If I Had a Gun” devem estar entre as melhores composições de Noel em muitos anos, espetaculares e “(I Wanna Live in a Dream in My) Record Machine” parece ter sido feita especialmente para ser tocada num looping eterno de tão viciante, além de ter um enorme potencial para as rádios. Dá pra fazer um post enorme comentando música a música, sendo impossível decidir a melhor. Se Noel mantiver essa qualidade nos seus próximos trabalhos solos, confesso que nem vou torcer muito por um possível retorno do Oasis…

2 – 21 – Adele: Em 2008, poucos conheciam aquela jovem de 19 anos dona de uma voz incrível e com músicas que refletiam um fim de relacionamento e o modo como uma garota na idade dela via tudo isso. Ela superou esse trauma com um novo relacionamento, ainda mais intenso, mas que dois anos depois terminou de um modo duro e abrupto. Mas esses três anos fizeram toda a diferença para Adele e num meio de fugir da depressão, ela compôs o seu novo álbum, pondo ali toda a dor que aquilo tinha causado a ela. Foi desse clima melancólico que saiu 21, um álbum impecável e que mudou pra sempre a carreira de Adele.

A ideia de nomear seus álbuns de acordo com sua idade se mostrou genial: aos 21 anos, é quase espantoso ver como Adele amadureceu tanto musicalmente quanto no que diz respeito ao seu modo de ver as coisas e de lidar com todas as complicações de um relacionamento e um coração partido. Não existem mais questionamentos ou insegurança como em “Chasing Pavements”, só desabafos sinceros e amargos, expressos nos sucessos mundiais “Rolling in the Deep” e “Someone Like You”, lembranças difíceis de esquecer (“Set Fire to the Rain”, sua melhor música, e “Don’t You Remember”) e até certo cinismo (na assumidamente pop, “Rumour Has It”). 21 fez Adele deixar de ser sucesso só no seu país e num grupo fechado e alternativo para tomar o mundo inteiro e levando seus próprios traumas pessoais para o público, fez músicas universais, num álbum que tem tudo pra ficar marcado na música.

1 – Wasting Light– Foo Fighters: Não tinha como esse não ser o primeiro lugar. Em 2011, com a produção de Butch Vig (o mesmo de Nevermind, que dispensa apresentações), três guitarristas no grupo (Pat Smear voltou, depois de ter saído em 1997) e as participações especiais de Bob Mould (na fantástica Dear Rosemary) e do ex-baixista do Nirvana, Krist Novoselic (em I Should Have Known), o Foo Fighters finalmente conseguiu sua obra-prima. Wasting Light é, de longe, o melhor álbum da banda. Deixando a inspirada (e ótima, diga-se de passagem) fase mais acústica pra trás, eles voltaram com um som intenso e pesado como nunca e deram aos fãs um trabalho consistente e poderoso, mas ao mesmo tempo, continuando a fazer o que sempre fizeram de melhor.

Vai do rock pesado de Bridge Burning e White Limo até o som mais pop (e viciante) de Back&Forth e Arlandria, traz letras inspiradas e que levam a diversas interpretações (a melancólica I Should Have Known pode ser vista apenas como uma canção sobre a perda de alguém como pode ser sobre a perda irreparável de Kurt Cobain – e ela soa bem mais emocionante se vista da segunda maneira). E como se não bastasse, ainda saem com a já citada I Should Have Known, These Days (que o próprio Dave Grohl disse ser sua música favorita da banda) e Walk, três músicas que estão entre as melhores que a banda já fez. Agora, fica a expectativa para os próximos trabalhos da banda, porque Wasting Light vai ser para a carreira do Foo Fighters o que foi para 2011: o álbum a ser superado.

Menções honrosas:

If Not Now, When? – Incubus: Por muito pouco (por um Fleet Foxes, pra falar a verdade), esse álbum não entrou na lista. O mais calmo álbum do Incubus é também o que tem algumas das músicas mais bonitas da banda. A faixa-título e o single “Promises, Promises” são daquelas músicas que dá pra passar o dia ouvindo e não vai cansar.

Mylo Xyloto – Coldplay: Muita gente não gostou, mas o Coldplay fez mais um ótimo trabalho no seu novo álbum. Mudando um pouco seus rumos, mais pop do que jamais esteve, mas ainda muito bom. A épica “Paradise”, o pop meio oitentista de “Hurts Like Heaven” e o viciante single “Every Teardrop is a Waterfall” compensam a aberração que é “Princess of China”, parceria da banda com Rihanna que resultou numa das piores músicas que eles já fizeram.

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Esses foram os 10 melhores álbuns que ouvi em 2011, cada um bom à sua própria maneira, brilhante do seu jeito e completamente diferentes. No próximo post especial de retrospectiva, voltamos para o velho assunto do blog, o Cinema, para relembrar os filmes que mais decepcionaram… e os que mais surpreenderam em 2011. Fiquem ligados!

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3 comentários sobre “Retrospectiva 2011 – Música: Os melhores álbuns que ouvi este ano – Parte 2

  1. Quem mandou você fazer a minha lista de top 10 de 2011?! Agora nem me darei ao trabalho de tentar justificar o que escutei… Só irei concordar (com exceção do 1o. lugar), só.

  2. Bela lista! Ainda não escutei o do Noel Gallagher nem o do Incubus das menções, mas concordo que todos os demais são ótimos álbuns. Meu preferido, sem dúvida, é o 21 da Adele, seguido pelo do Radiohead.

    Marcelo, um ótimo fim de ano para você!

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