Filmes: Os Muppets (2011)

Gênero: Comédia
Duração: 98min
Origem: EUA
Direção: James Bobin
Roteiro: Jason Segel, Nicholas Stoller
Produção: David Hoberman, Todd Lieberman

Já fazem mais de 10 anos desde que os Muppets apareceram nos cinemas pela última vez (foi em 1999, com Muppets do Espaço), mas de certo modo, eles sempre estiveram aí, seja em esquetes que acabaram virando mania na Internet por acidente (Mahna Mahna), seja em paródias de clipes icônicos (o sensacional vídeo de Bohemian Rhapsody) ou mesmo inconscientemente, na memória de quem viu os inesquecíveis personagens em ação na infância. Agora, eles finalmente estão de volta, antes tarde do que nunca, resgatando uma inocência que se perdeu completamente, sem se levar a sério por um segundo sequer e definindo o que de fato é divertir todas as idades.

Quando se deixa de lado toda a importância dos personagens, é difícil de imaginar atualmente, um filme em que as grandes estrelas são um bando de fantoches, com tanto apelo em efeitos visuais. E se tratando dos Muppets, ainda fica difícil quando se leva em conta que os filmes infantis estão ficando cada vez mais adultos. Mas Jason Segel (da série How I Met Your Mother) quis se arriscar e correu atrás da Disney (detentora dos direitos dos personagens desde 2004) com um projeto para trazer os personagens de volta aos holofotes. E com uma história tão boa assim na vida real, ele nem precisou pensar muito para criar uma trama para este novo filme: é exatamente essa, com a diferença que no filme, é Walter (um novo fantoche, que “interpreta” o irmão de Segel) quem corre atrás de tudo para trazer os Muppets de volta.

Em pleno 2011, havia a óbvia opção de retratar todos os Muppets usando computação gráfica, mas o diretor James Bobin (estreante no cinema) respeita toda a “magia” em torno dos personagens e mantém a manipulação de marionetes, adotando uma direção propositalmente anttiquada, focando os personagens apenas da cintura pra cima na maior parte do tempo, dando até um clima nostálgico para o filme, acentuado pelo
design de produção, que na pequena cidade – chamada Smalltown, vale ressaltar – onde Walter e Gary (Segel) vivem, tem carros e figurinos da década de 50.Algo que logo vira uma boa sacada, quando os personagens vão para Hollywood e lá temos toda a tecnologia atual, na intenção de tornar o filme atemporal.

Cheio de sátiras e metalinguagem, o roteiro acha uma piada em todos os artifícios narrativos que tantos filmes usam e ao mesmo tempo que usa todos, os ridiculariza, como as “viagens pelo mapa” e a genial sequência em que Caco (sim, eu sei que ele é chamado de Kermit no filme, mas eu me recuso, desculpem) vai buscar os amigos e um personagem diz que é melhor fazer uma montagem rápida mostrando todos sendo buscados antes que o filme fique chato. As cenas musicais também não fogem das piadas e como as próprias cenas se assumem como bobas, não tem como não achá-las divertidas (o vilão, interpretado por Chris Cooper, cantando, chega a ser surreal).

Bem como acontecia no programa dos Muppets, as participações especiais são um show a parte, alguns grandes nomes da música e do cinema surgem por segundos na tela e apesar de algumas já terem sido antecipadas nos trailers, outras são grandes surpresas. Uma, em especial, na música retratando a crise de Gary e Walter, é sensacional e inesperada. Enquanto isso, Jason Segel e Amy Adams como o casal Gary e Mary conseguem ganhar o espectador, simpáticos e mostrando que estão se divertindo genuinamente fazendo esse filme.

Algumas das músicas originais são excelentes e valem até uma lembrança nas premiações. “Life’s a Happy Song” é divertidíssima e “Man or Muppet”, que conta com a participação surpresa já citada, é… inspirada, pra dizer o mínimo. Fora as composições feitas especialmente para o filme, o filme traz desde um clássico do rock dos anos 80 até uma versão inusitada para a grande música do Nirvana, Smells Like Teen Spirit”. Isso sem esquecer de um dos esquetes mais clássicos da história do programa dos fantoches (e confesso que eu fiquei esperando por ele o filme inteiro, porque tinha certeza que não ia passar batido).

Sem medo de soar ultrapassado ou bobo, já que o próprio filme faz questão de usar o que o torna assim a seu favor, fazendo piada de tudo, Os Muppets são uma grata surpresa. Com uma inocência que está se perdendo cada vez mais nos filmes infantis, consegue o feito de agradar a todas as idades, sendo um triunfal retorno dos fantoches que fizeram a diversão de tanta gente por tanto tempo e, sem dúvida, um dos filmes mais divertidos do ano.

Nota: 8

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s