Filmes: Lanterna Verde (2011)

Gênero: Ação
Duração: 104min
Origem: EUA
Direção: Martin Campbell
Roteiro: Greg Berlanti, Michael Green, Marc Guggenheim
Produção: Greg Berlanti , Donald De Line

A DC não deu a mesma sorte que a Marvel no cinema. Na última década, eles experimentaram uma tentativa frustrada em trazer o Superman de volta e foram responsáveis por um dos piores filmes da história (Mulher-Gato). Seu único acerto – GRANDE acerto, pelo menos – foi com Batman, que teve seu ressurgimento conduzido magistralmente por Christopher Nolan. Agora, antes tarde do que nunca, a DC finalmente traz outro grande herói (que já está merecendo um filme há tempos, diga-se de passagem) aos cinemas.

E Lanterna Verde passa bem longe de ser um filme tão bom quanto o do Cavaleiro das Trevas, mas ainda consegue passar como diversão inofensiva, mesmo cometendo um pecado tão mortal quanto tornar o protagonista uma das coisas mais desinteressantes do filme inteiro (entre outros pecados inofensivos).

O Lanterna Verde não é um personagem fácil de se levar para os cinemas. Apesar de merecer um filme há tempos, ele é um super-herói galáctico, sendo que Hal Jordan, o alter-ego do herói no filme, é só um, de milhares de Lanternas Verdes espalhados por uma infinidade de galáxias. Um mundo complexo para se explicar em apenas um filme. E um dos motivos do personagem ter ganhado uma adaptação tão cheia de pontos fracos no cinema é exatamente o seu próprio universo.

Se tratando da importância da tropa dos Lanternas, seu planeta, os Guardiões e tudo relacionado a rica mitologia do herói, o filme é bem eficiente. O planeta Oa, lar dos patrulheiros das galáxias é mostrado de uma forma incrível e a quantidade de Lanternas Verdes mostrados no filme, nos momentos em que os heróis se reúnem no planeta, é simplesmente impressionante, mostrando que houve certo cuidado e respeito com os fãs nesses aspectos. Os mais aficcionados provavelmente vão reconhecer boa parte da infinidade de seres que surgem na tela. Além disso, o destaque dado a outros heróis da tropa, como o grande Kilowog e Tomar-Re foi um grande acerto.

No entanto, como um filme de origens, onde a prioridade é apresentar e desenvolver o herói, ele é um tanto fraco. Hal Jordan é um personagem mal desenvolvido. Sabe-se pouco dele, sua família por exemplo, aparece uma única vez numa cena que no fim das contas, acaba sendo completamente irrelevante (porque por mais que ainda mostrem que ele é próximo do sobrinho, o garoto nunca mais é citado e os outros membros da família sequer são lembrados também). Além disso, seus medos não fazem sentido – ele tem medo do que aconteceu com o pai dele, mas ao mesmo tempo é um piloto de avião que gosta de se arriscar nas alturas – e é bem difícil pegar simpatia por um personagem tão arrogante e que tenta se fazer de engraçado. Sim, a versão cinematográfica de Tony Stark em Homem de Ferro é assim mas bem… Ryan Reynolds não é Robert Downey Jr. não é mesmo?

E alias, Ryan Reynolds é, de longe, o mais fraco em cena. Apesar de ter um inegável carisma, sua atuação é um tanto regular e isso acaba sendo o elemento que fecha um erro fatal:  todos esses problemas tornam o protagonista do filme alguém absurdamente desinteressante. Todos os outros personagens principais do filme (fora seu par romântico, do qual já falarei) são muito mais interessantes ou divertidos. Até mesmo o amigo do protagonista (o clássico side-kick engraçadinho) desperta mais simpatia no espectador do que Jordan.

Mas o destaque (não só pelos personagens serem bons, mas porque eles realmente ofuscam o protagonista) fica por conta de Hector Hammond e Sinestro, interpretados respectivamente por Peter Saarsgard e Mark Strong. Hammond é um personagem excelente, interpretado de modo primoroso por Saarsgard e é uma tremenda injustiça ele aparecer tão pouco para dar lugar ao vilão principal, a gigantesca (e aborrecida) entidade Parallax. Enquanto isso, Sinestro tem mais espaço no filme e, além de Strong estar com um visual absolutamente idêntico ao Sinestro dos quadrinhos (um trabalho fantástico de maquiagem), ele está excepcional, conseguindo mostrar e expressar com grande eficiência a ambiguidade nas atitudes do personagem, além de sua determinação, como se visse na missão de ser um Lanterna uma importância que nenhum outro ali vê. No fim, fiquei com a impressão de que a apresentação de Sinestro – que nos quadrinhos se torna o arqui-inimigo do Lanterna Verde – acaba sendo muito melhor do que a de Hal Jordan, já que achei o primeiro muito mais interessante do que o protagonista.

Quanto ao par romântico do herói, digamos que se tratando de romances em filmes de HQ, Hollywood falhou miseravelmente esse ano. Depois do romance sem sentido entre Chris Hemsworth e Natalie Portman em Thor e o outro com um bom desenvolvimento, mas nenhuma química, entre Chris Evans e Hayley Atwell em Capitão América, o casal formado por Ryan Reynolds e Blake Lively em Lanterna Verde acaba sendo provavelmente o pior desses três. Além dos dois não terem nenhuma química, Lively atua de forma extremamente limitada e apesar dela de fato não ser lá muita coisa como atriz, não dá para culpá-la completamente pela sua limitação, já que até o anel do super-herói tem um melhor desenvolvimento que ela, que parece estar lá só para beijar o herói no final.

Com tantos problemas, fica óbvio o que acaba valendo a pena no filme: os efeitos visuais são realmente impressionantes, o já citado planeta Oa está incrível, as criaturas  são convincentes (com exceção talvez de Parallax, um grande equívoco como principal vilão do filme, além de bizarro, é um vilão meio desatualizado, já que não tem personalidade nenhuma, é apenas “mau” e, num mundo que foi apresentado a alguém como o Coringa há três anos atrás, isso é sério), assim como as criações do Lanterna com seu anel (Claro que serem convincentes não muda o fato de que algumas são um tanto estúpidas. A pista de corrida, como o próprio filme acaba ressaltando, foi difícil de engolir). E as cenas de ação – inclusive a do clímax – são bem eficientes, algo que se explica com o responsável pela direção, Martin Campbell, que sempre fez um ótimo trabalho em filmes do gênero (é ele o diretor do excelente 007 – Cassino Royale). Mas já não é de hoje que sabemos que efeitos visuais e cenas de ação não fazem um filme. E o público já mostrou que pouco a pouco, não está mais se deixando enganar por isso: Lanterna Verde foi um fracasso retumbante nas bilheterias americanas.

Nos últimos anos, os filmes de HQ conseguiram mostrar todo o potencial que podem ter como Cinema e evoluíram muito. Lanterna Verde, no entanto, soa como um retrocesso, um filme de super-herói que sim, consegue divertir, mas além de ter vários problemas de alguns dos primeiros filmes de super-heróis da década passada, é aquela velha “diversão a curto prazo”, uma hora depois da sessão, isso tudo passou e os problemas do filme vão ficando evidentes. Só funciona bem se você for no cinema sem intenção nenhuma com os amigos ou com um gigantesco balde de pipocas à sua frente. Mas se tratando de um filme do gênero que demorou, mas enfim conseguiu ganhar respeito em Hollywood, isso é um pouco inaceitável…

Nota: 6

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