Filmes: O Rei Leão 3D (1994/2011)

Gênero: Animação
Duração: 89min
Origem: EUA
Direção: Roger Allers, Rob Minkoff
Roteiro: Irene Mecchi, Jonathan Roberts
Produção: Don Hahn

O Rei Leão foi um marco para o Cinema, com uma história envolvente, personagens cativantes e técnicas inovadoras que deram um aspecto único para a animação. E agora, ele retorna aos cinemas pela terceira vez (houve um relançamento exclusivo em IMAX nos EUA em 2002), desta vez, convertido em 3D. Mas no fim das contas, os efeitos tridimensionais pouco importam (e podem passar quase que completamente despercebidos por olhos mais distraídos): Rei Leão nos cinemas é o espetáculo sendo visto do modo que ele foi feito pra ver. E traz toda a magia que uma animação pode proporcionar ao espectador, sendo assim, uma oportunidade única e imperdível pra quem (como eu) não teve a chance de conferir o filme no seu lançamento.

ATENÇÃO: Ok, foi imposssível segurar, portanto, o texto contém alguns spoilers do filme. Mas convenhamos que é meio complicado NUNCA ter visto O Rei Leão até hoje, hehe… Mas enfim, não custa nada avisar.

Antes de mais nada, preciso ser sincero e deixar algumas coisas claras: existe um certo valor emocional da minha parte com O Rei Leão. Foi o grande filme da minha infância, daquele que o VHS quase estourou de tanto que eu assisti. No entanto, também devo dizer que muitos filmes que vi quando criança, quando parei para rever depois de vários anos, tive impressões completamente diferentes (para pior). E foi exatamente por isso que rever Rei Leão nos cinemas foi uma experiência tão incrível: se eu adorava o filme quando criança, agora continuo adorando e achando-o fantástico por ainda mais razões além daquelas que eu sempre tive. Houveram diversas impressões diferentes e todas elas conseguiram enriquecer ainda mais a animação.

Começando pela cena inicial, ao som da mais bela canção do filme (sim, acho Circle of Life muito mais bonita do que Can You Feel The Love Tonight) e que já causa o grande primeiro impacto no espectador. Quem esperava a música imponente e a cena tão absurdamente grandiosa, dando um tom verdadeiramente épico a uma (até aquele momento) simples animação da Disney? A cerimônia de batismo e apresentação de Simba ao reino dos animais é emocionante e já ressalta, logo de cara, muitas das coisas incríveis que o estúdio conseguiu realizar nessa animação e, a princípio é até difícil imaginar que o resto do filme consiga chegar ao nível só dessa cena de abertura.

Uma das melhores coisas de rever o filme nos cinemas agora é exatamente isso, poder perceber coisas que antes, não faziam muita diferença para mim (afinal, o que importa numa animação para a criança é a diversão, acima de tudo), dando a chance a mim e a tantos outros que tem o filme na memória de aproveitarem completamente ele como nunca antes. Como disse antes, essa primeira cena só dá uma amostra de como O Rei Leão é uma animação tecnicamente perfeita.

A fotografia é fantástica, com uma paleta de cores impressionante para retratar as savanas africanas e muito bem usadas principalmente nos números musicais (O Que Eu Quero Mais É Ser Rei é quase uma obra de arte) e planos incríveis desse belo cenário. Além disso, a direção de arte é inigualável, de uma competência que até hoje nenhuma animação conseguiu bater (a que mais se aproximou disso, talvez, foi Procurando Nemo) e os efeitos visuais são de encher os olhos (quem se esquece do inacreditável estouro da manada de gnus?). Mas nada disso pareceria tão incrível se não fosse a trilha sonora composta por Hans Zimmer e Elton John. Todas as músicas, desde Circle of Life até Hakuna Matata, são antológicas e inesquecíveis, isso além da trilha incidental épica que, sozinha já te coloca dentro do filme. E esses são só alguns dos motivos que tornam Rei Leão tão diferente de todas as outras animações da Disney.

Outro elemento importante é que é o único grande clássico do estúdio concebido a partir de um argumento original (claro que a ideia não surgiu do zero, há diversas inspirações, que vão desde Hamlet, de Shakeaspere – a mais forte – poemas africanos e até mesmo a história de José e Moisés na Bíblia), o que o torna ainda mais especial. A história traz diversos valores e ensinamentos universais, que se mantém incrivelmente atuais até hoje. E tudo isso num roteiro simplesmente primoroso e bem elaborado.

A direção de Rob Minkoff e Roger Allers é dinâmica, tem algo acontecendo na tela a cada segundo e o filme não para nunca. As piadas são bem colocadas, Timão e Pumba surgem exatamente num momento em que a história não poderia ficar mais triste. A leveza dos dois personagens, aliado ao seu divertidíssimo número musical (que é a que conta com a genial passagem de tempo da história) levanta o astral do filme no momento certo. Tão bem colocados quanto as piadas são os números musicais, de modo que o filme não faria o menor sentido sem eles. São por esses momentos que o plano de Scar toma forma e o romance de Simba e Nala se desenvolve, por exemplo.

Não bastasse tudo isso, a animação também conta com personagens cativantes e sinceros. Como já foi dito, Timão e Pumba surgem como o perfeito alívio cômico e a grande salvação do protagonista, que vê na vida que os dois levam a única maneira de recomeçar a sua. Rafiki, o carismático e sábio macaco que protagoniza o momento que a animação imortalizou no Cinema, vem como o mentor que traz Simba de volta para sua própria realidade, usando metáforas simples, mas brilhantes para mostrar ao herói de que ele precisa voltar a ser o que foi feito para ser. Enquanto isso, Scar surge como um dos melhores – senão o melhor – vilões das animações da Disney. O personagem é mostrado como um completo oposto do irmão Mufasa, desde as óbvias semelhanças físicas (a juba negra, a forma do rosto mais fina, o olhar cínico) até a personalidade. E é interessante ver como ele é mostrado apenas nas sombras até o seu grande ato de maldade, exatamente como um leão se preparando para atacar.

Mas o que mais encanta em O Rei Leão até hoje, acima de tudo isso, é ver como o filme é sincero. O espetáculo ali acontece naturalmente, é espantoso ver como uma animação tradicional consegue ter algo que nenhuma animação atual – por mais impressionantes que sejam visualmente – tem. Os valores morais, a belíssima relação entre pai e filho de Mufasa e Simba (expressada principalmente num momento em que os dois brincam após uma séria conversa, uma cena bonita que fica comovente quando já se sabe o que vai acontecer logo depois), a dificuldade de lidar com a perda de alguém que era tudo na sua vida – mostrar isso, alias, foi um ato corajoso da Disney, que nunca tinha matado um personagem tão importante de modo tão cruel desde Bambi – nada disso cai na cafonice, tudo é mostrado de uma maneira bonita e natural.

O Rei Leão é – e provavelmente sempre será – a maior realização da história da Disney na animação. Incrível ver como todos os fatores do filme (direção, roteiro, fotografia, trilha sonora e etc.) funcionaram de modo tão perfeito e se complementam tão bem. E quase 20 anos após seu lançamento, ela ainda soa tão atual que se eu não a conhecesse tão bem, poderia dizer que é a mais nova animação da Disney sendo lançada nos cinemas em 3D. É assim agora e vai ser assim daqui a mais 20 anos. Porque, no fim das contas, o nome soa perfeitamente apropriado. O Rei Leão se imortalizou no Cinema e é por divertir e provocar emoções tão distintas com uma história tão sincera, é que ele sempre será o soberano da animação.

Nota: 10

P.S.: O 3D é eficiente, do mesmo tipo que a Pixar tem empregado nas suas últimas animações, primando mais pela estética, dando a impressão de profundidade, do que em jogar coisas no espectador. A cena inicial – única com um efeito mais óbvio, com Zazu fazendo um voo impressionante diante dos olhos do espectador – e o estouro da manada foram os mais beneficiados com a terceira dimensão. Mas sinceramente, o 3D é só um elemento de luxo no conjunto da obra e não tem a mínima importância. Mas foi válido.

P.S.²: A dublagem brasileira é simplesmente perfeita. Incrível como todas as vozes caíram perfeitamente nos personagens. E as adaptações das músicas também ficaram impecáveis.

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4 comentários sobre “Filmes: O Rei Leão 3D (1994/2011)

  1. Já estreou em vários cinemas 3D do Brasil, fazem duas semanas e ainda está em cartaz em muitos. Só está em salas 3D, se o cinema da sua cidade tiver salas do tipo, só conferir se estão exibindo o filme. Mas é bom ir o quanto antes ao cinema, pois o filme já deve sair de cartaz essa semana.

  2. eu trabalho com edição de vídeo, e resolvi fazer uma comparação da versão de dvd – edição especial com a versão do 3d. e para meu espanto, existem cenas “alteradas”, como quando Mufasa está ensinando Simba a caçar o Zazu, existem pequenas diferenças do vídeo original para a nova versão, mas não tem como não passar desapercebido.

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