Filmes: Capitão América – O Primeiro Vingador (2011)

Gênero: Ação – Aventura
Duração: 125min
Origem: EUA
Direção: Joe Johnston
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely
Produção: Kevin Feige

Já faz algum tempo que a Marvel se encontra absolutamente obcecada com Os Vingadores. Se o super-grupo ganhou só uma menção no pós-créditos de Homem de Ferro (o primeiro do grupo a ir para as telonas), em Thor essa obsessão foi uma das principais razões do filme não ter ficado tão bom quanto deveria, com a história do Deus do Trovão sendo deixada de lado só para organizar as bases desse projeto. Por isso, fiquei com certo receio por Capitão América, afinal, se em Thor teve mais S.H.I.E.L.D. do que Asgard, imagine no filme do líder dos Vingadores…

Ledo engano. Capitão América – O Primeiro Vingador, surpreende e deixa os planos para Os Vingadores um pouco de lado, se importando em mostrar a história do rapaz corajoso que vira o patriótico super-herói que defende os EUA na 2ª Guerra Mundial. Tudo isso resgatando um irresistível clima de aventura daquelas que não se fazem mais.

Devo dizer que de todos os heróis da Marvel, o Capitão América era um dos que eu menos gostava. Por ser um herói puramente americano, incorruptível e perfeitinho, para mim ia contra a ideia dos outros heróis da Marvel (salvo os X-Men), humanos que de repente se veem numa situação extraordinária, mas tem defeitos, fraquezas e problemas na vida. Isso foi algo que os tornou personagens universais, com quem o público se identificava (o Homem-Aranha não é meu herói favorito só porque tem uma roupa bacana…). Mas também devo dizer que pela primeira impressão, acabei criando um certo preconceito com o personagem e nem cheguei a procurar mais nada sobre ele.

Por isso, o primeiro grande acerto de Capitão América – O Primeiro Vingador é na construção do personagem. Steve Rogers é um rapaz honesto, corajoso e com aquele velho clichê tipicamente americano (mas muito bem-vindo aqui): apesar de fisicamente fraco, ele tem uma grande força interior. Tudo isso é colocado tão firmemente no filme que praticamente te obriga a simpatizar com o personagem e de fato, consegue. E a partir do momento em que o espectador consegue se importar com Steve Rogers, fica difícil não torcer pelo herói depois. Claro que por mais que o roteiro construa o personagem de forma eficiente, se o ator não for bom, o esforço todo é inútil. Mas para minha imensa surpresa, Chris Evans, que sempre considerei um ator fraquíssimo (vide Tocha Humana em Quarteto Fantástico), faz um trabalho excepcional como Capitão América, conseguindo ganhar a simpatia do espectador rapidamente. Bem, talvez isso se dê pelo fato de que em todo o primeiro ato o vemos como o rapaz pequeno e frágil (um trabalho impressionante de efeitos visuais, vale dizer), mas sua atuação é realmente boa.

Não é só Evans que está confortável no seu papel. Hugo Weaving parece se divertir como o Caveira Vermelha, interpretando o vilão de uma maneira que lembra muito os vilões das aventuras de antigamente. Álias, esse sentimento de nostalgia permeia o filme inteiro. Algo explicado quando vemos os trabalhos anteriores do diretor Joe Johnston: é ele o responsável por alguns clássicos da Sessão da Tarde, como Jumanji e Querida, Encolhi as Crianças. Não a toa, esse clima que não se vê mais no cinema atualmente domina o filme. E Johnston conduz muito bem a história, o filme não para um segundo, os personagens são bem desenvolvidos e sempre tem algo acontecendo. As cenas de ação, apesar de conseguirem empolgar, só ficam devendo um pouco pelo contexto em que estão inseridas: para um filme que se passa no meio da Segunda Guerra, ficou faltando um tom mais grandioso, mas nada que prejudique.

Para a diversão dos fãs de HQs (leia: nerds), há referências divertidas e muito bem colocadas. Johnston homenageia a clássica capa da primeira edição da HQ do Capitão (em que ele aparece socando Hitler), conhecemos o pai de Tony Stark, temos uma inesperada aparição de um super-herói – bem old-school, diga-se de passagem – na Stark Expo, além das óbvias ligações com Thor, envolvendo o Cubo Cósmico, artefato que é a grande ambição do Caveira Vermelha.

A fotografia é excelente (e outra referência a aventuras antigas) e o filme conta com uma impecável direção de arte que recria de modo maravilhoso os anos 40 e efeitos visuais eficientes e ao mesmo tempo sem muita complexidade. Mas o maior mérito de Capitão América foi mesmo dar todo o foco no seu protagonista: o maior perigo desse filme era o resultado final passar a mesma intenção com a qual as HQs do personagem foram criadas, que era apenas ser um símbolo dos EUA na guerra. O filme brinca com isso (a sequência em que o herói é usado como garoto-propaganda, com a música e os teatrinhos bobos, é bem divertida), mas Johnston é cuidadoso em não transformar tudo num festival de patriotismo, conseguindo, com grande competência, fazer qualquer um no mundo ver o Capitão América além de um simples herói americano.

Divertido, enérgico e com uma história excelente e muito bem contada, Capitão América – O Primeiro Vingador só vai dar espaço de fato aos Vingadores na sua cena final, que dá o toque que faltava para a mega-produção da Marvel e termina sendo uma grata surpresa e, de longe, a melhor produção do estúdio desde Homem de Ferro. Agora, só resta conferir se esses quatro anos de preparação (desde 2008, com o primeiro filme da Marvel como um estúdio) realmente vão valer a pena para o que está prometendo ser o maior filme de super-heróis do Cinema até então…

Nota: 9

P.S.: Assim como em todos os filmes do estúdio, tem coisa depois dos créditos. Sim, eu estou dizendo “coisa” e não “cena”, porque a surpresa no pós-créditos de Capitão América é nada mais nada menos que o teaser trailer de Os Vingadores!

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