Filmes: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (2011)

Gênero: Aventura – Fantasia
Duração: 130min
Origem: EUA – Reino Unido
Direção: David Yates
Roteiro: Steve Kloves, J.K. Rowling
Produção: David Heyman, David Barron

Há uns dias atrás, estava lembrando do dia exato em que meu pai chegou em casa com o VHS mais disputado da locadora. Eu não fazia ideia do que era aquele tal de Harry Potter e a Pedra Filosofal, mas fui assistir curioso. Ali foi só um começo. Depois de ver o segundo filme no cinema, resolvi que queria ler os livros de qualquer jeito. E daí pra frente, não teve jeito: foram anos acompanhando Harry Potter, a história que marcou mais da metade da minha vida. Quando os livros acabaram, em 2007, ficou a expectativa de como ia ser o final, ainda mais depois de um livro tão denso como As Relíquias da Morte, no cinema.

E como aquelas coisas que você sabe que vão acontecer um dia, mas ainda assim é um baque quando acontecem, Harry Potter enfim chegou ao seu derradeiro final nas telonas. Um final, diga-se de passagem, que fazem valer todos esses 10 longos anos junto com a saga.

Eu realmente não botava fé nessa história de dividir a adaptação do último livro em duas partes. Ok, poderiam ser mais fiéis ao livro, mas quando anunciaram a decisão, me soou como uma maneira desesperada de alongar um pouco mais a saga e ganhar mais dinheiro com ela. Bom… no fundo não deixa de ser isso, mas quando se vê essa segunda parte e se relembra a primeira, tudo faz sentido: claro, a decisão visou dinheiro, mas também era evidente que fazer apenas um filme desse livro seria completamente impossível. E por isso, enquanto a primeira parte preparou o terreno e acabou bem quando a coisa pegou no tranco, essa segunda é um longo e espetacular clímax e qualquer palavra usada nos trailers não é exagero: foi um encerramento que de fato, beirou ao épico.

Claro que, mesmo que as qualidades do filme tenham conseguido ofuscar seus poucos defeitos, não dá pra ignorá-los. O roteiro de Steve Kloves é sim, eficiente para amarrar várias pontas soltas e as várias alterações no clímax em Hogwarts só fizeram bem ao filme, principalmente na batalha final entre Harry e Voldemort, bem mais dinâmica e digna de ser uma “batalha final” do que a descrita no livro (por mais que eu tenha adorado o livro, achei aquilo uma frustração).

No entanto, há uma pressa descomunal para a ação ser levada logo a Hogwarts e por isso, toda a primeira parte, do Chalé das Conchas até a excelente sequência no banco Gringotes é desnecessariamente corrida. Sim, desnecessário, afinal, se a história foi dividida em duas partes, foi exatamente pra dar mais sentido e um bom andamento ao turbilhão de acontecimentos desse último livro. Mas ficou parecendo que o ambicioso plano para invadir o banco foi bolado pelo trio em questão de dois minutos.  Não que isso estrague a sequência, já que a invasão ao Gringotes é simplesmente impressionante e só um exemplo no filme de como a franquia cresceu com o passar dos anos.

Além disso, Harry “sentindo” as horcruxes foi uma deficiência na narrativa bem difícil de engolir, mas até justificável, considerando que as outras horcuxes deveriam ter sido reveladas pra ele no 6º filme e tudo foi cortado para dar espaço aos relacionamentos amorosos que permeiam aquele filme.

Tal como as qualidades técnicas da série só melhoraram, o trabalho dos atores também só evoluiu. A maior evidência está no trio, que se no distante primeiro filme fez um trabalho inseguro, meio no piloto automático (em parte por serem novos demais, mas principalmente porque eram fracos mesmo), aqui já vivem seus personagens completamente. Como aqui, mais em que qualquer outro filme, o foco é em Harry, Emma Watson e Rupert Grint fazem seu bom trabalho de sempre mas acabam um pouco ofuscados, especialmente o intérprete de Rony, que vira quase um alívio cômico. E para minha surpresa, Daniel Radcliffe, que nunca conseguiu impressionar com sua atuação na série, faz um trabalho excepcional aqui, talvez por entender a enorme responsabilidade que tinha nas costas, mais do que em qualquer outro filme da saga.

Mas se tratando de atuações em Relíquias da Morte: Parte 2, os veteranos Alan Rickman e Ralph Fiennes são absolutamente insuperáveis. Enquanto Fiennes, que já fez um ótimo trabalho nos últimos filmes, chega ao ápice aqui, principalmente nos momentos em que Voldemort começa a notar que, com o trio de heróis pegando suas horcruxes, ele está começando a ficar mais fraco. Seu misto de fúria e desespero é perfeito. No entanto, é Severo Snape o grande personagem desse último filme. Na verdade, acaba se tornando um dos grandes personagens da série. Em parte pelos fantásticos rumos que Rowling tomou com ele no final da história, mas principalmente, é claro, pela atuação de Alan Rickman. Um trabalho incrível e respeitoso do ator, repleto de detalhes e que numa importante sequência no clímax, chega a se tornar a grande atuação da série.

No entanto, o maior mérito do diretor David Yates foi ter conseguido dar todo o tom grandioso que esse último filme deveria ter. E, mais do que isso, ainda conseguiu equilibrar com perfeição esse clima e toda a emoção dos vários acontecimentos da guerra que acontece em Hogwarts. Há cenas de ação, destruição, correria, explosões, mas enquanto isso acontece, o filme também para, os personagens sentem as consequências de tudo, choram pela morte dos amigos e tentam não se desesperar com tudo acontecendo ao redor deles (a cena em que Harry, Rony e Hermione correm em meio a batalha tentando chegar onde Voldemort está, se deparando com ameaças para cada caminho que tentam tomar, é sensacional).

E é impressionante parar pra analisar a saga e ver como ela cresceu e evoluiu junto com os efeitos visuais no cinema. É irônico pensar que o primeiro filme chegou a ser indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Visuais e, ao compará-lo com esse último, nos darmos conta de que os efeitos (salvo as criaturas, que ainda são incríveis) são quase risíveis. E tecnicamente, Relíquias da Morte – Parte 2 é espetacular. Os efeitos visuais, principalmente na guerra, são excelentes e a sequência de Gringotes já citada, traz o subsolo do banco dos bruxos com um visual inacreditável, bem mais fiel aos livros do que no primeiro filme (que tinha lá suas limitações, de fato). Além do dragão, que dispensa comentários. E a trilha sonora de Alexandre Desplat, que muitos estranharam na primeira parte, se mostra brilhante nessa segunda parte, sempre melancólica, mesmo nas cenas de ação, onde o óbvio seriam trilhas grandiosas de aventura. Afinal, o clima ali é triste de fato, então, funcionou perfeitamente. Isso sem contar os ecos da já imortal trilha criada por John Williams, que aparece em vários momentos.

Apesar do clima pesado, o filme dá um tempo pra tudo. As mortes de personagens importantes da série conseguem, quase todas, terem seu efeito (algumas delas mereciam mais, mas nada que estrague), a batalha final entre Harry e Voldemort é respeitada como o grande momento da série (se bobear, mais do que no livro) e sua conclusão é bem diferente da que foi dada na obra original, bem mais satisfatória, vale dizer. Há espaço pra romance – afinal, o público precisa saber quem vai ficar com quem – e mesmo num filme tão dramático, há humor, até desnecessário as vezes (“Eu sempre quis usar esse feitiço!”). E já que citei essa fala, que ótimo ver Maggie Smith ganhando um merecido destaque como a ProfªMcGonagall nesse filme. Uma das melhores atrizes – e também uma das melhores personagens – da série, sempre se resumiu a meras aparições por toda a série e aqui é quem toma a frente na guerra. Matthew Lewis também merece uma lembrança, pelo ótimo trabalho que fez com Neville Longbottom.

David Yates conseguiu dar todo o tom grandioso que esse último filme merecia e conseguiu emocionar todos os fãs que acompanharam a saga por todos esses anos. Foram 10 anos em que milhares de crianças, adolescentes e adultos acompanharam filme a filme no cinema, a maioria dos fãs cresceu junto com os atores, viu a saga crescer, amadurecer, passar de meras adaptações de livros infanto-juvenil para uma das maiores e mais influentes séries da história do Cinema.

Sim, os filmes nunca foram nenhuma obra-prima, mas não deixam de serem um verdadeiro marco. Nos livros, a saga já acabou faz alguns anos, mas curiosamente, foi com os filmes que o final foi mais sentido. Talvez porque ver de fato o Expresso de Hogwarts partindo pela última vez, nos faz perceber que é mesmo o fim, mas, no fim das contas, por mais que ele parta junto com toda a magia que encantou uma geração inteira, Harry Potter, sua história e seus personagens estarão pra sempre na lembrança de todos os fãs, prometendo encantar muitas e muitas gerações que vem por aí…

Nota: 9,5

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3 comentários sobre “Filmes: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (2011)

  1. Quando vi o tamanho do post me deu vontade de desistir, pq como a gente sempre conversa sobre HP (soou muito loser isso), eu meio q já sabia oq tava escrito ai. Mas como uma boa amiga e fã de HP, eu li, e me fez lembrar o quanto eu chorei desesperadamente durante esse filme…que marcou exatamente metade da minha vida! Pra terminar, tem uma frase dita por Alan Rickman em uma premiere de HP, que acho q resume meu sentimento quanto ao fim de toda a saga, tanto nos livros quanto nos filmes: “Quando eu estiver com 80 anos e sentado na minha cadeira de balanço, eu estarei lendo Harry Potter. E minha família me dirá: “Depois de todo esse tempo?” E eu vou dizer: “Sempre.”!!

  2. Acho que só agora lendo esse post que eu caiu a ficha de que Harry Potter realmente acabou. Mesmo depois vendo o ultimo filme, ficava aquela esperança desesperada de que não era realmente o fim. Valeu a pena muito a pena acompanhar Harry Potter nesses 10 anos.

  3. É, acabou mesmo. Ultimo filme, e ultimo post sobre Harry Potter.. Como sempre um post muito bem escrito que nos faz analisar coisas que por vezes passam despercebidas. Não há muito o que falar na verdade, é Harry Potter.
    Mas deixo aqui meu relato que o final desse post assim como o final do filme me deu aquele aperto no coração. O trem começa a partir e toca AQUELA MÚSICA, a mesma que tocou na Pedra Filosofal quando Harry pegava o trem de volta a Londres e os corações apertavam porque queriamos aquela magia. A música toca, cresce no cinema e você pensa: “É a ultima vez, o trem está partindo pela ultima vez, é a música do adeus”, assim como o final desse post foi nosso ultimo adeus a HP, aquela tchauzinho quando o trem ja faz a curva mas não queremos que ele vá embora levando esses 10 anos que marcou nossas vidas..

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