Últimos filmes vistos: As animações de 2011, até agora

Pelo menos para as animações, 2011 vem sendo um ano atípico de uma forma que chega a dar medo. A Dreamworks, que sempre fez filmes que prezavam mais pela diversão com um clima descontraído, fez um filme sensível, com drama, humor e emoção na medida certa. Enquanto isso, o estúdio que faz esse tipo de animação como ninguém vem com uma sequência descartável e boba, que marca seu primeiro grande tropeço desde 1995. E é claro, teve o Brasil sendo palco de um dos filmes mais divertidos do ano. Kung Fu Panda 2, Carros 2 e Rio disputaram a atenção de todo mundo, crianças e adultos, nesse 1ºsemestre. Confira abaixo o melhor e o pior de cada uma delas e também chegue a conclusão de que a Dreamworks nunca esteve tão perto de enfim ganhar outro Oscar…

Rio (2011)

Depois da trilogia Era do Gelo, Carlos Saldanha virou um dos principais nomes da Blue Sky Studios, ganhando respeito o suficiente para poder realizar o projeto dos seus sonhos: uma animação mostrando tudo que há de mais bonito na sua cidade, o Rio de Janeiro. E Rio mostra, de forma deslumbrante, toda a beleza da Cidade Maravilhosa pelos olhos do jovem Blu, uma arara azul que vem ao Brasil com a sua dona apenas para salvar sua espécie, se acasalando com a última arara azul fêmea existente. No entanto, após fugirem de traficantes de animais, as duas araras se perdem na grandiosa cidade e junto com outros amigos, descobre tudo o que há de melhor (e um pouquinho do pior, hehe) no nosso país.

Tecnicamente, Rio é perfeito. A cidade está impressionante e as paisagens são de encher os olhos, com uma fotografia que não deve nada pra um filme live-action. Apesar disso, ficou difícil não fugir dos velhos clichês tipicamente hollywoodianos sobre o Brasil, mas é difícil julgar muito Saldanha, já que, querendo ou não, o carnaval e o samba são identidades culturais do nosso país e as praias tem sua fama mundial. Mesmo assim, é levemente incômodo lembrar que, mesmo sendo feito por um brasileiro, há alguns exageros difíceis de aceitar como no momento em que o explorador brasileiro está com Blu e sua dona, Linda, num carro esperando o semáforo abrir e, ao ver uma mulher passando com uma fantasia de carnaval solta um “Ei, essa é a minha dentista!” ou quando, ao ouvir a frase “Eu odeio samba!” os animais brasileiros que estão com Blu reagem como se ele tivesse falado que o holocausto foi uma boa ideia.

Mesmo com essas forçadas de barra, fica difícil não se render ao enorme carisma dos personagens, feitos na medida pra conquistar adultos e crianças e uma história que sabe usar bem os seus clichês e se torna divertida e envolvente. Rio ficou devendo em algumas coisas sim, mas no geral, Saldanha foi bem eficiente na realização do seu sonho…

Nota: 8

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Kung Fu Panda 2 (2011)

A Dreamworks surpreendeu público e crítica em 2008 ao trazer um personagem que conseguisse ser tão carismático quanto Shrek, que até então permanece como sua mais popular criação. O primeiro Kung Fu Panda trazia humor, ação e até um pouco de drama, tudo na medida certa e, com essa combinação perfeita, além do protagonista excelente, se tornou um dos melhores filmes do estúdio de animação até hoje. Com o sucesso, é claro que ia rolar uma continuação. E eu realmente não esperava que, além de ser melhor que o seu antecessor, Kung Fu Panda 2 conseguiu o feito de se sagrar como a grande animação da Dreamworks até hoje e a melhor animação do ano até o momento.

Tudo o que era bom no primeiro filme foi elevado a enésima potência e o pouco que faltou, teve nessa continuação. O roteiro acerta em cheio ao transformar essa sequência num complemento e não numa repetição do filme anterior e explora os segredos do passado de Po, ao mesmo tempo que ele, junto com os Cinco Furiosos, precisa deter um perigoso vilão que pretende destruir o kung-fu. Desnecessário dizer o nível que a Dreamworks vem atingindo com suas animações filme a filme, não? Kung Fu Panda 2 é tecnicamente perfeito, com cenários incríveis e deslumbrantes, uma montagem enérgica – tem algo acontecendo a cada segundo – e sequências de ação simplesmente espetaculares, que não ficam devendo em nada para os melhores filmes de ação. A sequência final, em especial, é pra deixar boquiaberto, tamanha sua grandiosidade.

E quem diria que o estúdio, que ficou mais famoso pelo ar mais descontraído dos seus filmes, conseguiria fazer até emocionar? Toda a história de Po querendo saber quem é e de onde veio é comovente e tem uma conclusão belíssima, com uma sensibilidade que pega o espectador de surpresa. É esse equilíbrio tão perfeito que fez do antecessor um sucesso, fazendo desse segundo filme, que traz a fórmula humor+ação+emoção ainda mais trabalhada, um dos grandes filmes do ano. Pra sair do cinema com um largo sorriso e a vontade de ver de novo.

Nota: 10

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Carros 2 (2011)

Fora quando o final de um filme deixa qualquer brecha pra uma continuação, é sempre questionável quando anunciam uma parte 2 (ou 3, que seja) de alguma história. Vinda da Pixar então, o estúdio até então invencível de animação, que se destaca pelas produções sempre originais, a coisa é preocupante. E piora quando se trata da continuação de Carros, única produção menor do estúdio, que é ótima, mas não vai muito além disso. Com tudo isso, ficou bem difícil criar qualquer expectativa com Carros 2 e no fim, eu só fiquei esperando pra ver no que ia dar. Bem… mesmo sem expectativa nenhuma, foi quase perturbador chegar a conclusão de que nada MESMO é perfeito… nem mesmo a Pixar.

“Esquisito” é uma palavra que define bem Carros 2. Me senti vendo uma animação qualquer, quando sempre estou esperando algo fantástico depois que vejo aquela pequena luminária pulando pela telona. Certo, visualmente, é de encher os olhos: a história passa por vários lugares do mundo e a animação é, de longe, uma das mais bonitas que já vi até hoje, mostrando diversas paisagens fantásticas, com uma riqueza de detalhes de cair o queixo. Mas sofre de um problema que estraga vários filmes em Hollywood atualmente: é belíssimo… mas vazio. O roteiro tenta passar uma mensagem básica que se perde no meio de uma trama de espionagem que é absurda demais para os adultos e complicada demais para as crianças. A história dá um monte de voltas que pode confundir um pouco o seu público-alvo e entediar os mais velhos e, no fim, aquela mensagem bacana é dita de uma forma tão óbvia que se torna boba.

Sem contar que é uma pena ver Mate, que foi provavelmente um dos mais divertidos coadjuvantes da Pixar até então, sendo elevado a condição de protagonista. É triste porque ele é o tipo de personagem que era ótimo, carismático e engraçado e acaba perdendo um pouco a graça se é usado demais (coisa que já aconteceu, por exemplo, com Jack Sparrow na franquia Piratas do Caribe). Infelizmente, é isso que acontece aqui, Mate foi criado como um coadjuvante engraçado. Estava no primeiro filme exatamente pra ser isso. Coloca-lo como protagonista é tão esquisito que é inevitável não comeeçar a estranhar quando Relâmpago McQueen começa a demorar demais pra aparecer.

E se eu sempre elogiei a Pixar pelos filmes que mostram o amor que os realizadores de todas as animações tem pelo Cinema, aqui devo dizer, com tristeza, que Carros 2 foi feito com o único intuito de ganhar dinheiro, não só com o filme, mas com as centenas de produtos licenciados que vão surgir. Não é a toa que duas dúzias de novos personagens – cada um representado por um carro diferente, claro – é introduzido na história. Dessa vez, eles bem tentaram divertir, mas o caça-níquel ficou descarado demais. Fica a esperança de que esse tenha sido apenas um leve tropeço para o estúdio e que, no ano que vem, eles voltem a nos encantar com suas histórias fantásticas e, é claro, com o amor pelo Cinema.

Nota: 6

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Um comentário sobre “Últimos filmes vistos: As animações de 2011, até agora

  1. Destes, só assisti Carros 2. Não é, nem de longe, digno do estúdio que carrega o nome nos créditos.

    Mas devo confessar que, com tanta gente reclamando na internet, eu fui ao cinema preparado para duas horas de boçalidade infinita, então acabei saindo achando o fime até que razoável.

    Em defesa do mesmo, eu diria que; Carros 2 é, obviamente, continuação de Carros que, por sua vez, já ostentava o título de filme “menos legal” da Pixar, por assim dizer. E, pra ajudar, o primeiro não teve um final aberto à continuações. Não dava pra esperar o filme do ano, né?

    As expectativas de Carros 2 já deviam ser baixas desde seu anúncio, e é por isso que não podemos alegar decepção. Mas não estou dizendo isso para defender o filme, aliás, a nota 6 é muito justa (e quem sabe não seja meio ponto boazinha?), porque o filme realmente é tudo isso que foi dito no texto.

    Mas, até agora, as intenções em produzir o filme ainda não entram na minha cabeça. Digo, as lojas de brinquedos ainda estavam lotadas de produtos da série, que ainda faz um bom sucesso e vende até decoração de festa infantil. Meninas Superpoderosas ainda vendem muito produto, e sua produção foi descontinuada há bons anos (2005, se não me falha a memória), ou seja, não era preciso outro filme só pra vender mochila. Não dá pra entender.

    No mais, ótimo(s) texto(s) Marcelo, parabéns!

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