Filmes: Thor (2011)

Gênero: Ação
Duração: 114min
Origem: EUA
Direção: Kenneth Branagh
Roteiro: Ashley Miller, Mark Protosevich, Zack Stentz
Produção: Kevin Feige

Quando os pós-créditos de Homem de Ferro citaram o “Projeto Vingadores”, a coisa toda estava soando um leve sonho da Marvel. Três filmes com relativo sucesso (os dois Homem de Ferro e O Incrível Hulk) e milhões de nerds empolgados depois, parece que é oficial: o filme baseado em HQ mais ambicioso do Cinema é uma realidade.

E o Deus do Trovão vem para confirmar isso, o que acaba sendo bom e ruim.  Apesar de divertido, Thor tem sérios problemas, causados principalmente pela insistência do estúdio em jogar na cara do espectador que Os Vingadores está vindo aí. Claro que quem curte HQs vai amar as dúzias de referências (eu, por exemplo…), só não pode esquecer que tem uma história pra contar…

Dirigido por Kenneth Branagh, Thor era um projeto que sempre me deixou curioso. A história do personagem sempre apostou na fantasia, por isso, queria ver como iam adapta-la para o cinema, considerando que nos últimos tempos o que está valendo é o realismo nas adaptações de HQ. Fui surpreendido ao me deparar com uma história que mesmo sem economizar nos elementos fantasiosos, continuou levemente calcada na realidade. Mais curioso que isso: a parte fantástica, passada em Asgard, termina sendo muito superior ao que acontece na Terra.

Em compensação, esse é o único grande elogio ao roteiro, que sofre alguns problemas sérios, como um desenvolvimento de personagens atropelado, um clímax apressado – todo o caminho até o conflito com Loki é algo que acontece em 10 minutos, com todo mundo quase correndo pra chegar ao que interessa – e um aparente descontrole do alívio cômico, que de tão presente quase domina o filme. Foi o mesmo erro que acabou fazendo muita gente sair meio decepcionado de Homem de Ferro 2.

Problemas mais sérios, só mesmo na personagem de Kat Dennings (de Uma Noite de Amor e Música), completamente descartável, ela só aparece para contar piadas e não faz a menor diferença na história, chegando a irritar depois de um tempo. O resto do elenco se sai bem: Chris Hemsworth está excepcional no papel principal, carismático e – ele sim – com uma boa veia cômica nas cenas mais engraçadas.

O Loki de Tom Hiddlestorm surge, para minha surpresa, como um dos vilões mais interessantes dos filmes da Marvel até hoje, talvez o único personagem realmente bem construído entre todos, com uma ambiguidade maravilhosamente bem representada. É difícil estabelece-lo como vilão, já que suas ações precipitadas se justificam com toda a sua história, mas também não dá pra vê-lo como um mocinho, com seu jeito ambicioso e sedento de poder. E Hiddlestorm consegue ser eficiente em demonstrar toda essa confusão de sentimentos do personagem.

Enquanto isso, Natalie Portman está em um dos seus momentos mais descontraídos nos últimos tempos. Ela raramente faz um trabalho ruim, portanto aqui, está… normal. Fazendo o seu trabalho e parecendo se divertir demais com isso. Acho até justo para ela, visto o  baque físico e psicológico que Cisne Negro deve ter sido para a atriz. E se Portman se diverte, Anthony Hopkins dá uma autoridade ainda maior para Odin, dando toda a imponência necessária ao personagem.

Outro grande destaque do filme fica por conta de Asgard, concebida como um lugar formado por estruturas de ouro gigantescas e espalhadas por todos os lados, sem deixar dúvidas de que aquele é um lugar para os deuses. A fotografia também não economiza em planos abertos, para deixar clara toda a imensidão e imponência daquele mundo e os efeitos visuais são excelentes, especialmente na primeira grande sequência de ação do filme – talvez a melhor – na terra dos Gigantes do Gelo. Alias, as cenas de ação não demoram a acontecer – como em Homem de Ferro 2, que na prática, conta com 3 grandes sequências de ação no filme inteiro – e são boas, mesmo algumas sendo bem confusas (na luta final, as vezes parecia que a câmera foi jogada  em cima dos dois personagens se batendo e era impossível dizer quem acertava o que).

Mas o maior problema do filme está mesmo no que começou como uma ideia legal da Marvel e foi virando, a cada filme, uma leve encheção de saco. Se em Homem de Ferro, ouvir sobre o “Projeto Vingadores” foi surpreendente, nos últimos filmes os produtores tem pesado tanto para deixar claro que Os Vingadores é uma realidade e vai acontecer, que estão começando a esquecer que eles tem uma história pra contar agora, além da que está prestes a ser contada.

A presença da S.H.I.E.L.D. nesse filme é de fato uma trama e não mera referência como nos outros filmes e tem até uma ponta (um tanto desnecessária) do Gavião Arqueiro. A cada brecha que encontram, a Marvel faz questão de jogar na cara do espectador que Vingadores está vindo e quando isso começa a interferir na história do filme, tem algo de errado. Bem, mesmo isso tem seus pontos positivos, mostrar a cena pós-créditos de Homem de Ferro 2 de outro ângulo, por exemplo, foi uma boa sacada, provando que o estúdio realmente pretende expandir seu universo para o cinema. E claro, leitores de HQs (só estou evitando falar “nerds”, hehe) – como este que vos escreve – vão adorar cada pequena referência as HQs do Universo Marvel.

Mesmo tendo esses problemas, Thor consegue alcançar o objetivo crucial de qualquer blockbuster: ele diverte, daquele jeito que todo bom filme da Marvel consegue fazer. Só o feito de ter conseguido fazer um universo fantástico como o do Deus do Trovão não soar ridícilo nessa “era do realismo” que está dominando os filmes de HQ atualmente, Thor já vale a pena. Mas funciona como um bom e típico blockbuster de ação, aquela diversão básica para curtir no cinema. Para um filme de estreia, não se sai tão bem como seu companheiro Homem de Ferro, por exemplo, mas tem tudo na medida certa para fazer valer o ingresso.

Nota: 8

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P.S.: Tal como nos outros filmes do estúdio, este tem uma cena pós-créditos. E essa, mais do que as outras, é feita especialmente para os fãs de HQs. E esse grupo vai adorar, afinal, é a base definitiva para Os Vingadores. Fique na sala pra conferir.

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3 comentários sobre “Filmes: Thor (2011)

  1. Thor é um filme padrão blockbuster e só
    Mas ao mesmo tempo ele tem um charme interessante e vale a pena ressaltar que é a questão que dá uma vontade do espectador rever o filme sem nenhum problema. E no meu caso, a revisão me fez bem.

    O maior destaque foi um ponto que você disse que foi Tom Hiddleston como Loki e a cena que ele enfrenta Odin antes do sono é algo assim … incrivel, talvez seja o único vilão da Marvel que foi mais bem desenvolvido nos cinemas …

    Um abraço e até mais. Confira um texto no blog que merece uma boa discursão.

    Até!

  2. Minnha escola E.E. Azevedo Junior em Santos fomos ver todos juntos esse filme que foi um sucesso, todos nós gostamos e eu recomendo a todos a ver e se for possível revê-lo novamente.O filme Thor foi muito bem criado, o ator que interpretou Thor é muito lindo…
    Bom, valeu apena ver esse filme.
    Um forte abraço a todos.

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