Últimos filmes vistos – Entre monarcas, westerns e aventureiros…

Depois de um período focado na música (o “etc”, hehe), já estava mais do que na hora de falar sobre cinema e trazer o blog de volta as raízes certo? Mas essa leve “saída de foco” tem um motivo: com o turbilhão de obrigações na minha vida nos últimos dois meses, ficou cada vez mais complicado dar uma passada no cinema e menos ainda parar pra ver um DVD na tranquilidade de casa. Os shows? Bom, quantas vezes na vida temos a chance de ver os artistas que admiramos ao vivo, hehe?

Mas agora que a maratona de shows acabou pra mim (da melhor maneira possível, com o inesquecível show do U2 – não, não vou escrever sobre ele) hora de falar dos últimos filmes que vi há algum tempo atrás no cinema. E temos dois indicados e um vencedor – infelizmente… – do Oscar 2011 sendo comentados! Confira aí embaixo:

Bravura Indômita (2010): Com um visual belíssimo – fotografia maravilhosa de Roger Deakins, que continua a longa parceria com os Coen – e atuações excelentes, Bravura Indômita é um excelente western, com direito a quase todos os grandes momentos do gênero e toda a alma desse tipo de filme, mas numa grande produção. O clímax emocionante e o trabalho simplesmente irretocável de Jeff Bridges (sua primeira aparição na história é um trabalho genial tanto dele quando de Deakins, que faz o personagem soar muito mais poderoso do que realmente é, com alguns raios de sol atravessando a janela e incidindo sobre ele num tribunal sombrio) ajudam a melhorar o filme.

E Hailee Steinfeld foi sem dúvida a grande revelação do ano passado, no papel da garota que quer vingar a morte do pai. Atuação espetacular, pra deixar muita veterana impressionada. Apoiado nesses elementos cruciais, Bravura Indômita acaba sendo bem melhor do que realmente é… e olha que mesmo sem tudo isso, ainda é muito bom. Nota: 8

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127 Horas (2010): Tão frustrante quanto ver um filme realmente ruim é ver um filme ótimo mas que você sabe que podia ser muito, mas muito melhor. A última aposta de Danny Boyle depois de vencer o Oscar por Quem Quer Ser Um Milionário? é com essa história real do rapaz que, num acidente infeliz, acabou com o braço preso entre duas rochas, num cânion dos EUA. James Franco aceitou o desafio de levar um filme inteiro sozinho (devem ter pouco mais de 20 minutos de cenas com outros personagens) e consegue fazer isso com uma competência surpreendente, tamanha a força da sua atuação. As cenas em que conversa com a câmera (boa parte do filme) parecem só melhorar conforme a situação do personagem vai piorando.

Com o fator crucial (que é Franco conseguir alguma comoção do espectador) alcançado, o roteiro tem outros desafios, como manter uma história que se baseia em um cara preso numa fenda com um mínimo de dinâmica e é aí que os erros aparecem. Claro, um filme que fosse SÓ com o protagonista preso ali renderia algo muito curto ou muito cansativo, mas as alucinações dele soam bobas e desnecessárias e a maioria pouco acrescenta para a trama. Mas mesmo isso e o final que não consegue fugir da cafonice de quase todos os filmes baseados em histórias reais, não estragam 127 Horas, que consegue provocar tudo o que quer no espectador (incômodo e angústia). Ah, aquela cena do braço no final… pra ficar na memória por semanas. Nota: 8

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O Discurso do Rei (2010): Complicado falar desse filme… E não é nem por ele ter ganho o Oscar quando metade da lista de indicados em Melhor Filme merecia mais (ok, por isso também, hehe). Mas depois de ver um filme subversivo como Cisne Negro e uma obra-prima moderna como A Rede Social, ambos com suas peculiaridades, sendo dirigidos de modo genial e seguro por dois dos melhores diretores da nova geração (Aronofosky é talvez o melhor) e com temas interessantes tratados de modo brilhante, acabou sendo chato ver que o outro favorito ao prêmio principal do Oscar era tão moldadinho para ganhar premiações que até cansava.

O Discurso do Rei é um ótimo filme. Tudo está no seu devido lugar, fotografia, edição, trilha sonora, roteiro e direção, tudo muito bem feito. E só isso. É como uma criança que fica orgulhosa de si mesma por tirar uma boa nota mas ouve da mãe apenas a fatídica frase “não fez mais que sua obrigação”. O diretor Tom Hooper fez exatamente isso, não foi além, não arriscou, fez um filme obviamente bom e obviamente certinho.

Se o longa for lembrado no futuro, vai ser pelas suas atuações. Colin Firth está perfeito no papel do Rei George VI, ele sim, foi além do “certinho” e ficou absolutamente perfeito. Suas cenas interagindo com Geoffrey Rush são um show a parte – até porque Rush também está excelente – e chega a ser espantoso ver Helena Bonham Carter, que nos últimos anos tem feito personagens exagerados (a Rainha de Alice) ou caricatos (Belatriz em Harry Potter) interpretando uma mulher… normal. O papel dela é contido, servindo como o o ponto de controle do protagonista nos seus piores momentos. E ela se sai maravilhosamente bem nisso.

Fora isso, O Discurso do Rei é só mais um bom filme, com uma mensagem legal passada de uma forma eficiente. No entanto, pelo menos para mim, os melhores filmes que vi foram os feitos para serem lembrados. E esse definitivamente não é o caso… Nota: 7,5

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3 comentários sobre “Últimos filmes vistos – Entre monarcas, westerns e aventureiros…

  1. Manolo… eu fiquei com vontade de ver os filmes depois das críticas… MENOS O Discurso do Rei, rs. Beijo e um queijo.

  2. “O Discurso do Rei” – foi uma total decepção, apesar de todo seu mérito técnico, é um filme burocratizo, lento demais e que nunca é melhor dirigido que “A Rede Social” – “Bravura Indômita” é só mais um filmaço na carreira dos Coen, e “127 Horas” é bom, nada além disso!

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