Resenha – Show: Avenged Sevenfold (Credicard Hall – 03/04/2011)

Diferente do Iron Maiden da semana retrasada ou do U2 que vem no sábado, eu não tenho aquele apego emocional maluco com o Avenged Sevenfold (ou A7X) como a maioria das pessoas presentes no show do último domingo tinham. Sou fã e está entre as minhas bandas favoritas, mas eles tinham a tarefa no mínimo ingrata de me fazer aproveitar ao máximo e me empolgar com um show que estava acontecendo entre a recuperação do baque do Iron e a ansiedade insuportável para o show do U2.

Por isso mesmo, saí do Credicard Hall muito mais fã do que já era. É a melhor banda que surgiu na década passada e não dá pra dizer o contrário.

Começando pela música que anunciou o início do show. Que ideia genial da banda usar a bela “The Sound of Silence” de Simon & Garfunkel como introdução. A música tem um impacto digno de “The Ectasy of Gold” (a intro dos shows do Metallica) para criar aquela expectativa insana que surge segundos antes de tudo começar. Uma ótima surpresa. Claro, o impacto seria maior se os fãs já estivessem cientes de que essa era a introdução. Ver gente xingando Simon & Garfunkel, ainda mais essa música, é… preocupante.

Mas enfim, com 20 minutos de atraso, as luzes do Credicard Hall se apagaram e a cortina subiu e a inconfundível intro de Nightmare (uma música perfeita pra abrir shows) soou. Um a um, os membros da banda foram entrando, causando a partir daí, uma euforia desumana no público ali presente. Quando o líder M.Shadows entrou, o público resolveu assumir os vocais e se tornou impossível de ouvir o vocalista. Isso, alias, foi preocupante nas primeiras músicas. A acústica da casa de shows é bem fraca, o som pareceu se estabilizar só depois de uma alfinetada disfarçada em comentário gentil do próprio Shadows (“Eu não consigo me ouvir nessa merda e eu adoro isso”). Isso obviamente não fez ninguém curtir menos a noite, mas não teve como não notar.

Depois de uma entrada triunfal, Critical Acclaim levou o público abaixo mais uma vez. Pessoalmente, é a única música cheia de screams (que pra quem não sabe, é aquela [péssima] característica do metalcore de urrar a música feito um demônio norueguês que graças a Deus eles estão perdendo) que eu gosto da banda, porque apesar de ter muito disso, eles cabem perfeitamente aqui. Ao final da música, um tempo para os fãs respirarem e uma rápida conversa com todo mundo.

Essas interação com o público, alias, foi fantástica. Quando vi o show do SWU na TV, parecia que algo faltava na performance de M.Shadows (não me perguntem, não sei o que era), no entanto, no show de domingo ele foi um frontman espetacular. Com carisma sobrando, uma energia admirável, rendendo vários momentos que vão ficar na memória (“You’re giving me the shirt of the tour? I’m not wearing this shit!”) e claro, uma voz única e impecável. É curioso observar também que ao mesmo tempo em que sua performance lembra a de grandes frontmans do hard rock/heavy metal, ele consegue ser diferente de todos os outros. O visual inconfundível ajuda nessa, claro…

Os outros integrantes também não fizeram feio. Zacky Vengeance e Synyster Gates formam uma dupla destruidora nas guitarras. Esse segundo arrepia principalmente na última música, Save Me, um solo de mestre. Johnny Christ, facilmente reconhecível com seu moicano, não passa despercebido e o novo bateirista, Arin Ilejay, conseguiu o feito de substituir o insubstituível, fazendo um trabalho espetacular no lugar do inesquecível The Rev e não devendo nada para Mike Portnoy.

Trabalho esse evidenciado na música que veio depois de Shadows dar as boas-vindas a quem estava vendo a banda pela primeira vez (“Welcome to the fucking family!” foi a frase da noite). Depois disso, Arin logo estourou a intro de Welcome to the Family pra cima dos fãs, que responderam a altura. Em seguida, antes que qualquer um ali pudesse pensar, veio o riff da maior criação do A7X e uma das melhores canções de heavy metal da década passada: Beast and the Harlot fez o Credicard Hall tremer – além de ter me rendido uma leve rouquidão, minha música favorita, hehe – e como se isso fosse possível, ficou ainda mais incrível ao vivo.

Pra me fazer ganhar a noite, logo depois de Beast veio Buried Alive, na exata ordem das minhas preferidas da banda. Depois dela, vieram as primeiras homenagens a The Rev, ovacionado pelo público, para emoção dos integrantes da banda, que logo embalou So Far Away, sua mais bela canção, pra não deixar ninguém com o olho seco na casa de shows. Afterlife – que foi a responsável por fazer muita gente conhecer o A7X, pelo enorme sucesso que fez nas rádios – veio logo depois e me surpreendeu, absurdamente superior a versão de estúdio que sempre achei muito boa, mas superestimada.

Fechando essa primeira parte do show – que passou assustadoramente rápido – tivemos God Hates Us, que ao vivo, devo admitir, é excelente, a jovem clássica Bat Country, outra que me fez vibrar e pra finalizar, o único legado do passado “metalcore” da banda que sobrou nos setlists atuais dela, Unholy Confessions, que transformou a pista num caos absurdo. Acho que já ficou evidente que eu prefiro o A7X na linha hard rock/heavy metal atual, então não adianta, por melhor que tenha sido a performance da banda na música (e foi ótima), ela nunca vai descer pra mim.

O retorno pro bis foi com duas músicas excelentes, ambas do novo CD e dedicadas a The Rev. Fiction é quase apelativa, com um piano vazio no palco e Shadows em uma de suas melhores – senão a melhor – performances vocais, num “dueto” emocionante com o falecido bateirista, que teve sua voz, gravada na demo da música, preservada na versão final. Foi difícil não se emocionar aqui. E mesmo com os gritos desesperados dos fãs por A Little Piece of Heaven, o encerramento foi com Save Me, uma das músicas mais espetaculares do A7X, pela sua composição única e a letra, um desabafo com todas as dores e dificuldades de se perder alguém importante. Performance hipnotizante da banda e, como já falei, Gates roubando a cena.

Com a promessa de voltar sempre que os fãs pedirem e farta distribuição de palhetas, baquetas e… garrafas d’água (??), o Avenged Sevenfold saiu do palco deixando todos no Credicard Hall – inclusive este que vos escreve – com uma insuportável vontade de acompanhar a turnê inteira a partir dali. A banda está no auge da sua carreira,  com um show de rock digno dos grandes nomes do metal/hard rock, integrantes cheios de energia e carisma, tocando cada música com uma paixão sincera  e mostrando, de modo perfeito, que poucas coisas são tão fantásticas e únicas como um bom show de rock…

Setlist:

1. Nightmare
2. Critical Acclaim
3. Welcome to the Family
4. Beast and the Harlot
5. Buried Alive
6. So Far Away
7. Afterlife
8. God Hate Us
9. Bat Country
10. Unholy Confessions (+ riff de Crossroads)
Bis:
11. Fiction
12. Save Me

Imagens: Kleyton Souza

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3 comentários sobre “Resenha – Show: Avenged Sevenfold (Credicard Hall – 03/04/2011)

  1. Cara… Falou tudo, eu estava no show também, pena que estava no fim da pista, mas foi inesquecivel… Eu sou muitoooo fã de Avenged e depois do Show fiquei mais ainda… Olhaa sinceramente, FOI FODÁSTICO.

  2. Malditoooooooooooooooooooooooooooo!
    Conseguiu me deixar mais ansiosa do que eu estou pra volta deles.
    Ah e como ele conta os detalhes do show *-*
    Eu consigo imaginar direitinho como se eu estivesse lá…
    Ouvindo perfeitamente o Shadows falando “Welcome To The Fucking Family!”
    Morri. Eternamente.

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