Últimos filmes vistos: Gigantes e princesas e suas versões modernas

Janeiro sempre foi um mês voltado para as crianças no cinema. A maioria das estreias são animações ou filmes com um apelo infantil e por isso, ao sair com os amigos ou na simples vontade de ir ao cinema, muitas vezes quem não está tão interessado em filmes do tipo nem tem como fugir. E eu conferi duas dessas estreias, que, curiosamente, estão em dois extremos: uma mostrou ser exatamente o que eu já esperava (uma besteira) e a outra… bem, a outra é Disney, o que já basta.

Confira abaixo, o que achei das versões “século XXI” de As Viagens de Gulliver e é claro, a versão da Disney para a clássica história da Rapunzel em Enrolados!

As Viagens de Gulliver (2010)

Jack Black pode ser um cara muito engraçado. Vimos isso em filmes como Escola de Rock e Trovão Tropical. No entanto, como tantos outros comediantes, ele está naquela tênue linha que separa o engraçado do puramente ridículo e quase sempre, consegue controlar bem isso. Mas fica complicado de se sair bem quando o próprio roteiro é algo completamente bobo.

E As Viagens de Gulliver é isso: um filme bobo. Daqueles que você vai ver só pela companhia e porque não tem nada melhor pra assistir. O roteiro traz a clássica história do homem que vai parar numa terra de pessoas absurdamente pequenas para os dias atuais, por isso (e pelo fato do público-alvo ser infantil) é claro que toda as críticas sociais do livro são deixadas de lado, dando lugar a uma história que não economiza nos clichês mais batidos.

Aqui, Gulliver é um cara que não é nada na vida, por ser despreocupado e nunca aproveitar as oportunidades que lhe são dadas. Depois de aceitar por acidente uma viagem ao Triângulo das Bermudas, só pra impressionar a mulher por quem ele tem uma queda no trabalho (quantas vezes já vimos isso?) e enfrentar uma forte tempestade, vai parar na terra de Liliput, onde todos os habitantes são minúsculos. E claro, lá ele vai aprender alguns valores, verá suas virtudes e bom… todo mundo já viu esse filme. A história original surge praticamente em referências aqui – como o momento que ele chega a Liliput, reproduz a clássica imagem de Gulliver todo amarrado com uma multidão de pessoas pequenas ao redor dele.

O filme não chega a ser uma perda total. As mentiras que Gulliver conta ao povo de Liliput rendem algumas referências a TV e cinema que conseguem arrancar algumas risadas – a piada com Star Wars no teatro é ótima – além é claro, de referências ao rock, sem dúvida por influência direta de Jack Black, que sente uma necessidade de ir a loucura e gritar como um vocal de heavy metal em todo filme que tiver oportunidade. Pena que a piadinha com Kiss é bem bocó. Os efeitos também não são lá muito convincentes. Não são ruins, mas dava pra ter feito bem melhor.

Como eu já esperava, As Viagens de Gulliver é fraco e muitas vezes, bobinho demais até para as crianças (só lembrar da última cena em Liliput, que me fez afundar na poltrona sem acreditar que eu realmente estava vendo aquilo). Não fosse o fato de ter ido com amigos, poderia deixar pra ter visto na TV, ao ficar mudando de canal e acidentalmente parar nesse filme. Talvez até gostasse mais… ou não.

Nota: 5

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Enrolados (2010)

A Disney chega a admirável marca de 50 animações equilibrando com perfeição tudo que a fez ter sucesso no passado e o que a mantém relevante no presente. Enrolados é o clássico conto-de-fadas de Rapunzel contada daquele modo que só a Disney consegue fazer. Apesar de ter mantido aquela magia inconfundível, as músicas que surgem de repente e os traços tão característicos, o estúdio agora está acompanhando o atual momento das animações , onde as histórias já não são tão inocentes e as piadinhas simples para as crianças se misturam a outras para o público mais velho.

Além disso, há o fato de que a protagonista, Rapunzel, passa longe de ser ingênua e bobinha como as outras princesas da Disney. Inteligente, pronta pra ação e com uma auto-defesa digamos, no mínimo… eficiente (uma frigideira, que acaba se mostrando mais eficiente do que parece), ela surge como uma princesa mais atual, mostrando que o estúdio viu bem a tempo que já estava ficando pra trás com tanto conservadorismo.

Talvez a única grande decepção fique por conta das músicas do filme, todas fraquíssimas e esquecíveis. Essa falha é ainda mais preocupante quando o compositor da trilha sonora e das canções seja o fantástico Alan Menken (o mesmo que criou as imortais músicas de A Bela e a Fera, A Pequena Sereia, Aladdin, entre outros). É uma surpresa desagradável ver que o enorme talento do compositor se perdeu em meio a músicas tão fracas. A única razoavelmente boa é a indicada ao Oscar “I See the Light”, mas talvez isso se dê mais pelo momento em que ela acontece – talvez a melhor cena do filme – do que pela música.

Admirável mesmo é a animação em si. A Disney parece ter passado os últimos anos tentando equiparar suas animações com a perfeição técnica da Pixar, mas nunca conseguiu chegar a esse ponto… até agora. Enrolados é belíssimo visualmente e a animação 3D é excepcional – não sei quanto aos efeitos tridimensionais, pois infelizmente não pude conferir o filme no formato – com personagens incrivelmente expressivos e cheios de vida. E o desafio mais ingrato, que era animar de forma convincente os longos cabelos da protagonista, foi cumprido com perfeição, num trabalho sensacional – e que explica um pouco o absurdo orçamento de US$ 260 milhões do longa.

O roteiro traz reviravoltas divertidas para a história de Rapunzel, tem uma história que consegue envolver como qualquer bom filme da Disney e como já foi dito, tem personagens cativantes (o cavalo foi feito sob medida para levar as crianças as gargalhadas). De qualquer modo, Enrolados provavelmente não se tornará um clássico da animação como O Rei Leão ou A Bela e a Fera, mas tem seu valor, diverte e, mesmo sem grandes ambições, é uma inconfundível animação com a qualidade Disney.

Nota: 8,5

P.S.: A dublagem de Luciano Huck é uma das mais patéticas que eu já vi desde o pessoal do Pânico dublando Asterix e Obelix. A voz dele não tem NADA a ver com o personagem, seu jeito de falar é travado e tira boa parte da graça de Flynn Rider, que é bem divertido (bem mais que os outros príncipes sem vida da Disney, hehe…).

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