Comentando Música: Avenged Sevenfold – Vítimas de um crime

Sempre tive um preconceito enorme com bandas surgidas na última década. Bom, é difícil me julgar, vamos admitir, dada a quantidade inacreditável de porcarias que surgiram nos anos 2000. Por isso, quando me recomendaram a tal Avenged Sevenfold (ou A7X), eu nem dei muita atenção. Com tanta coisa tosca fazendo sucesso no rock, como eu ia saber que estava perdendo a melhor banda de rock pesado surgida na década passada?

Demorou (até demais), para me convencerem a ouvir a banda. Admito, parecia até criança que se recusa a comer alguma coisa sem nunca ter provado. Mas como eu disse, dá pra me culpar? De cada exemplo de boa música que surgiu na década passada, tínhamos pelo menos três patéticos. Enfim, depois, de ouvir uma música (bem, uma música e metade de outra, no caso, Welcome to the Family e Nightmare, respectivamente) ainda mantive minha opinião de que perderia meu tempo ouvindo A7X – sabe-se lá porque, já que hoje acho as duas músicas sensacionais – o que deixava o amigo que estava insistindo para que eu ouvisse a banda, levemente indignado.

Mas ele não desistiu: insistiu para que eu ouvisse só mais algumas músicas e meio que vencido pelo cansaço, resolvi aceitar a proposta e deixar que me passasse três músicas da banda. Por segundos, cogitei nem ouvi-las, mas finalmente, resolvi dar uma chance. A primeira, Almost Easy, passou batida  e nem dei muita bola.

A segunda, depois de conhecer melhor a banda, me fez rir um pouco. Gostei dela (a balada country-rock Dear God), mas como a música mais aleatória da carreira da banda poderia fazer meu preconceito com ela sumir? Não tinha ouvido elas na ordem que foram passadas, por isso, hoje parece até meio combinado: por último, resolvi ouvir a tal de Buried Alive, que ele disse ser do álbum mais recente da banda – o fantástico Nightmare.

Um começo lento, nada mal… e então eis que estoura um riff de guitarra que me despertou imediatamente para dar atenção total a música: aquilo parecia saído de uma música de heavy metal dos anos 80! Seguiu-se um vocal poderoso, que nem parecia o mesmo das outras duas músicas – onde ele não estava ruim, mas aqui foi algo em outro nível – refrão grudento, uma base sólida, bateria potente, solos excelentes… a estrutura me lembrava algo e o som era maravilhosamente familiar… me lembrou Metallica. E dado o fato de que Metallica é minha banda favorita, estava feito: Avenged Sevenfold havia me conquistado.

Me dei por vencido e resolvi conhecer melhor e ouvir toda a discografia. Nem vou falar muito dos primeiros CDs por aqui. Sempre achei idiota quem diz que rock é só barulho mas putz… Sounding the Seventh Trumpet… é só barulho. Waking the Fallen ainda traz alguns bons momentos (Unholy Confessions), mas também segue mais ou menos na mesma linha do primeiro CD. Puro Metalcore e por isso mesmo, odiei. Sigo a filosofia de vida que música que merece ser ouvida é aquela onde dá pra distinguir as coisas e com alguém cantando e não rugindo nos vocais e esses dois são o oposto disso.

M.Shadows, o vocalista da banda, ainda aposta em alguns rugidos em uma música ou outra, mas já provou seu valor como vocalista, a começar pelo que é considerada a grande obra-prima da banda (não pra mim, hehe) o excelente City of Evil. O CD já começa com uma das melhores músicas deles, a explosiva “Beast and the Harlot”. O CD inteiro é ótimo, o A7X começa a se arriscar por novos estilos, como heavy metal, hard rock (Bat Country) e baladas (Seize the Day) todas embaladas por guitarras simplesmente impecáveis, em alguns dos melhores riffs da década passada.

Os fãs, no entanto, acabaram se dividindo de vez no álbum seguinte, que leva apenas o nome da banda. Se em City of Evil eles experimentaram mas ainda equilibrando bem o metalcore do começo da carreira, aqui o gênero passa voando direto em uma ou outra música (a faixa de abertura, Critical Acclaim, é uma das poucas que se encaixam nisso).

Afterlife foi feita sob medida para tocar incessantemente nas rádios e ter seu clipe exibido todo dia na MTV. E bem, isso não chega a ser exatamente uma crítica, já que ainda com um CD mais comercial, a banda se arrisca em experimentar, com a inusitada e macabra “A Little Piece of Heaven”, cheia de arranjos orquestrais, uma estrutura fora do comum e uma clara inspiração em grandes espetáculos da Broadway (prestando atenção, dá até pra imaginar a história da música se passando num palco… o que não chega a ser bom, já que a história é medonha).

Em 2008, lançaram o “Diamonds In Rough & Live in LBC”, CD que reunia algumas músicas inéditas, dois covers (Walk, do Pantera e Flash of the Blade, do Iron Maiden, transformada quase em outra música – de tão boa, hehe), além de algumas ao vivo, vindas do show da banda que virou DVD. Esse serve quase de prévia para o estilo que o Avenged Sevenfold firmaria no seu CD seguinte – pelo menos é o que espero, porque deu MUITO certo.

Mas Nightmare é bom demais para ficar espremido em dois paragrafos aqui… por isso, semana que vem, falo do CD que me fez virar, de fato, um fã de Avenged Sevenfold, além é claro, da trágica morte de The Rev, bateirista da banda –  e era um dos melhores do rock atual – e motivo do título desse post e por fim, a atual importância da banda pra mim. Fiquem ligados!

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P.S.: Só pra constar, minha opinião se mantém. Continuo achando que os anos 2000 foram deploráveis para o rock, Avenged, junto com umas três outras bandas, foram exceções.

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5 comentários sobre “Comentando Música: Avenged Sevenfold – Vítimas de um crime

  1. The Killers, The Strokes, Muse (a banda surgiu em 99, tá valendo, hehe). Basicamente, as que investem pra esse lado um pouco mais indie. Não vi nada de relevante surgir no rock pesado na década passada, só A7X mesmo (e o projeto Avantasia, do qual já comentei, no isolado mundo do Power Metal, hehe). Pode até ter surgido uma meia dúzia de bandas boas por aí, mas teria que ir beeeem a fundo pra achar. Bem, tem o System of a Down, que estourou na década passada, mas surgiu em 97 né…

  2. Parabéns pelo post! Você é uma das pouquíssimas pessoas que conseguiram expor a sinceridade e experiência com Avenged Sevenfold. E foi muito sincero mesmo, até assumiu o seu preconceito perante algumas bandas etc. Parabéns mesmo! De verdade! As suas descrições dos álbuns, um por um, foi maravilhosa e muito realista! Um abraço!

  3. Gostei de ler esse texto. =)
    Depois disso eu até virei fã de A7X!!

    kkkk to brincando. Essa banda é foda demais!!!

    A7X forever!!

  4. mas vc acha que nenhuma musica do primeiro CD se salva? Eu, particularmente, gosto de The Art Of Subconscious Illusion e We Come Out At Night…

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