Comentando Música: Avantasia – Um épico em notas musicais: Parte II

Na semana passada, você viu aqui como conheci Avantasia, projeto ambicioso do músico Tobias Sammet, que junta grandes nomes do rock para criar canções que misturam heavy metal, música clássica e ópera de maneira genial. O começo foi com “The Metal Opera”, uma história épica dividida em dois CDs, com músicas que se tornaram referência no Power Metal.

Depois de anos sem dar notícias, Tobias lançou em 2008 o novo CD do projeto, “The Scarecrow” (isso depois do EP “Lost in Space”, de 2007, que deixou os fãs malucos), que pegou muita gente de surpresa ao mudar os rumos da musicalidade do Avantasia. Bem, algumas mudanças vem para bem…

Claro que nesse caso é tudo uma questão de gosto pessoal. Gosto muito mais do estilo que esse álbum segue do que o do Metal Opera (apesar de achar esse sensacional, como já disse). De qualquer modo, a partir desse ponto a história do mundo de Avantasia é deixada de lado para dar lugar a um enredo melancólico, sobre um compositor do século XIX que é rejeitado pelo seu grande amor e por isso, vai se isolando de tudo e todos, se tornando um sujeito triste e solitário. Por isso, todas as letras são repletas de metáforas e outros elementos que deixam claro que o tal compositor é apenas o alter-ego de Tobias, que está ali contando algumas partes da própria vida.

O power metal ainda surge em estado puro em músicas como “Shelter From the Rain” e é difícil não lembrar do Metal Opera com a introdução da faixa-título. Mas quem acompanhou o projeto desde o começo deve ter estranhado músicas como “I Don’t Believe in Your Love” (desculpem os xiitas, mas é minha preferida entre todos os CDs) e “Carry Me Over” (quase uma daquelas baladas-rock dos anos 80) e nem vou falar da bela “What Kind of Love”, dueto entre Tobias e a cantora Amanda Somerville com potencial para ganhar um cover da Celine Dion que deve ter feito os fãs chatos subirem pelas paredes.

Por falar em Somerville, algo que se destaca nesse CD é o time convocado para participar dele. Há desde nomes conhecidos apenas no cenário do metal (Michael Kiske, Kai Hensen ou Jorn Lande, esse último roubando a cena, conseguindo ofuscar até o próprio Tobias em vários momentos) até estrelas do rock mundial como Eric Singer, bateirista do Kiss, Rudolph Schenker, guitarrista do Scorpions e, como se não bastasse, uma sensacional participação de ninguém mais ninguém menos que Alice Cooper, que domina completamente a sombria “The Toy Master” (música com final apoteótico que ecoa na minha cabeça há semanas).

Ao seguir por novos rumos, mas sem esquecer do que fez o Avantasia ser o que é (a mistura equilibrada de gêneros distintos, as boas participações e uma história a ser contada nas músicas), Tobias só melhorou seu projeto, tornando-o ainda mais rico. E no ano passado, ele fechou essa história iniciada em 2008, lançando nada menos que dois álbuns simultaneamente, intitulados “The Wicked Symphony” e “Angel of Babylon”.

Talvez por serem continuações de “Scarecrow”, ambos os CDs não investem em muitas novidades na musicalidade como no álbum de 2008. Claro, há exceções a essa afirmação (a introdução de “Crestfallen” é no minimo, inusitada), mas,tal como no álbum anterior, esses se concentram na fórmula que fez o Avantasia ser tão bom: letras sensacionais, interpretações incríveis dos vocais e refrões grudentos.

A faixa-título de “The Wicked Symphony” é um épico espetacular, com uma verdadeira batalha de vocais entre Tobias, Jorn e Russell Allen e parece sintetizar em 9 minutos (ok, não é bem uma síntese para uma música, hehe), todas as melhores coisas do Avantasia, com uma intro orquestrada e cheia de suspense, a primeira parte que vai crescendo cada vez mais até explodir num refrão tão memorável que pode deixar a pessoa que ouve em apuros, pois ela vai se pegar cantando ele involuntariamente por um bom tempo.

Este CD tem outra das minhas músicas favoritas de todo o projeto, “Dying for an Angel”, que também remete ao rock viciante dos anos 80. O outro CD, “Angel of Babylon”, passa longe de ser ruim, bem longe disso. O problema é que ouvi-lo ao lado de T.W.S., que soa todo épico e grandioso, parece um pouco menor e causa menos impacto. Mas nem por isso é fraco, “Promised Land”, a melhor do álbum, tem Jorn tomando conta do Avantasia por uma música, completamente sensacional.

Até hoje, não conheci nada tão diferente como Avantasia. Quantas pessoas no mundo tem a chance de cantar e tocar com seus grandes ídolos? Tobias conseguiu isso e levou seu projeto muito mais além que uma simples reunião de luxo do metal. Composições geniais, artistas incríveis, músicas simplesmente espetaculares. Que ainda dure vários anos, pra contar novas histórias com seus CDs, fazendo a imaginação de quem ouve ir longe, como nenhuma banda de rock consegue fazer. Quem não conhece e curte rock, corra atrás que vale a pena. Quem já conhece, assim como eu, provavelmente não quer sair tão cedo do mundo fantástico de Avantasia…

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