Filmes: Tron – O Legado (2010)

Gênero: Ficção Científica/Ação
Duração: 127min
Origem: EUA
Direção:Joseph Kosinski
Roteiro: Edward Kitsis, Adam Horowitz, Richard Jefferies
Produção: Steven Lisberger, Jeffrey Silver, Sean Bailey

Tron – Uma Odisseia Eletrônica foi uma revolução do Cinema por ser o primeiro filme com cenários completamente digitais. Apesar de ter sido um fracasso comercial na época de seu lançamento, hoje virou cult – mesmo com os tais cenários sendo cômicos de tão toscos atualmente. Quase 30 anos separam esse primeiro filme de Tron – O Legado, que estava prometendo continuar a revolução 3D que Avatar começou, além de dar uma merecida repaginada na clássica história nerd do cara que vai parar dentro de um jogo de computador.

Depois de criar o monstro da expectativa em muita gente – eu incluso – fica a pergunta se o novo Tron conseguiu atender a tudo que prometia… e a resposta não é tão boa quanto eu queria que fosse.

Eu poderia dar uma ideia do que é a história aqui, mas vou me limitar a dizer que o filme se baseia em Sam Flynn (um fraco Garrett Hedlund), filho do protagonista do primeiro filme entrando no Grid (o sistema criado pelo pai) para salvar o pai. Tentar explicar qualquer coisa seria inútil, já que nem no roteiro eles conseguem fazer isso direito. A primeira parte do filme é uma bagunça que pode deixar muita gente perdida.

Depois, a história acaba se encontrando e quando Sam entra no Grid, as coisas ficam mais esclarecidas. Mas mesmo assim, todo o roteiro de Tron: O Legado sofre sérios problemas, não só nesse início confuso, mas com os dialogos, que muitas vezes são coisas constrangedoras ditas na maior naturalidade do mundo, além de personagens que parecem não servir para nada e algumas coisas que até agora não fizeram muito sentido (quem entendeu completamente para que servem os tais ISOs que atire a primeira pedra).

Além disso, apesar de muita coisa ter melhorado pra mim, um aspecto inicial continua a mesma coisa: o filme é desnecessariamente longo. São mais de 2 horas com uma história que não se sustenta por tanto tempo e com isso, temos dialogos que se estendem sem precisar – o primeiro encontro de Sam e seu pai é uma cena que chega a dar desespero, porque parece que nunca vai acabar – além de outras cenas que podiam muito bem fazer parte das cenas excluídas de um futuro DVD/Blu-Ray de extras.

O elenco também não salva o filme. Garrett Hedlund é fraco e sem sal como o protagonista – coisas inacreditáveis acontecem ao seu redor e ele deixa claro o enorme esforço para mostrar surpresa – e Olivia Wilde, que prometia tanto, surge numa atuação estranha, com os olhos arregalados constantemente, mas sem expressar coisa nenhuma. É difícil culpa-la, já que seu personagem é tão mal desenvolvido quanto todos os outros do filme, o que pode ter prejudicado um pouco seu trabalho. Não a toa, nas cenas que não exigem nenhuma carga dramática, como a sequência de sua luta de discos, ela faz um ótimo trabalho, mostrando que se esforçou para pegar o jeito nas cenas de ação.

Quanto ao resto do elenco, fica até difícil lembrar de Michael Sheen sem abafar uma risada. Não faço a mínima ideia se o que ele fez ali foi ideia dele ou do diretor, mas, independente disso, o resultado final foi… surreal. Com a maquiagem carregada e um figurino pra deixar Lady GaGa se ardendo de inveja, Sheen faz uma mistura de Jim Carrey, com o Coringa de Cavaleiro das Trevas e ainda com alguns trejeitos do suspeito Willy Wonka de Johnny Depp (além do visual de drag queen). Para compensar essa composição bizarra, outro ator veterano acaba sendo uma das melhores coisas do filme – enfim, hora de falar delas.

Jeff Bridges volta ao divertido papel que interpretou há longos 28 anos atrás e está excelente, lembrando um daqueles velhos ripongas que parecem ter se perdido em algum ponto do tempo. Contido e sem grandes exageros, se prova ainda melhor no que é a grande novidade tecnológica de Tron: O Legado: Bridges também interpreta o grande vilão do filme, Clu, uma versão sua 28 anos mais jovem. O rejuvenescimento de atores foi uma técnica já usada antes no cinema, mas aqui, é levado ao extremo, já que Clu é um dos personagens centrais do filme. E apesar das limitações da tecnologia ainda surgirem inicialmente – continua impossível criar um rosto humano no computador com absoluta perfeição – em outros chega a assustar o realismo de Clu e suas expressões, perfeitas.

Apesar de demorarem mais do que deviam para acontecer, as sequências de ação de Tron sempre compensam o excesso de monotonia que permeia boa parte do filme. A corrida de lightcycles (as motos de luz, que ganham um visual sensacional e repaginado nesse filme) é espetacular e mostra que não economizaram para melhorar o mundo criado no filme de 82, adicionando vários detalhes na pista de corrida, para deixar tudo mais emocionante. As batalhas de disco também são um show a parte e a sequência final, com uma luta nos céus – algo exclusivo desse filme – consegue fazer valer o ingresso.

Por falar em valer o ingresso, é ótimo que as sequências de ação consigam fazer isso, porque se dependesse do 3D, me sentiria roubado. A promessa era de uma experiência a nível de Avatar ou até melhor, mas infelizmente, é preciso apurar os olhos para conseguir enxergar a terceira dimensão, que surge para fins puramente estéticos – tal como nas animações da Pixar – como a profundidade nos cenários. Uma pena, já que por ser filmado em 3D, esperava uma imersão como a do filme de James Cameron.

Mesmo com tantos problemas, um grande mérito de Tron: O Legado é o respeito com seu predecessor e o grande saudosismo que permeia toda a produção. Quem viu o primeiro filme vai pegar um inconfundível clima nostálgico, mesmo com tantas inovações tecnológicas. As vezes, isso até chega a ser um problema, porque há alguns momentos ali que só aconteceriam nos anos 80.

Tron: O Legado, era um filme que prometia bem mais do que cumpriu e tem vários problemas sérios, que acabaram comprometendo um pouco o resultado final. Mesmo assim, ainda entrega grandes sequências de ação, conta com uma trilha simplesmente espetacular assinada pelo duo Daft Punk (Vindo de mim, isso é uma surpresa, já que abomino música eletrônica. Mas essa trilha ficou fantástica. A música da sequência de luta na casa de Zuse é viciante) e acaba sendo um bom sci-fi e uma sequência digna do primeiro filme, que apesar de divertir, é tão brilhante quanto este (não foi um elogio). O filme, no fim das contas, é como aquele software tão aguardado que é lançado cheio de bugs… pena que neste caso, não tem como fazer um upgrade…

Nota: 7

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