Review: Scott Pilgrim Contra o Mundo (2010)

Gênero: Aventura – Comédia
Duração: 112min
Origem: EUA
Direção:Edgar Wright
Roteiro: Michael Bacall, Edgar Wright
Produção: Eric Gitter, Nira Park, Marc Platt, Edgar Wright

Quando os créditos de Scott Pilgrim Contra o Mundo começam, chega a bater uma tristeza. A diversão que a adaptação da HQ de Bryan O’Malley proporciona é tão fantástica e o amor pelo material original que o diretor Edgar Wright tem é tão sincero que o resultado final é, de longe, o filme mais divertido desse ano. Se pudesse pelo menos inserir uma moeda em algum lugar do cinema pra continuar curtindo…

Esse filme soava algo que merecia ser visto desde a sua concepção, pelas peculiaridades: a história era baseada numa HQ de grande sucesso nos EUA, escrita por Bryan O’Malley e que conta a história de Scott Pilgrim (Michael Cera, interpretando o nerd desengonçado de sempre, mas agora como um action hero), um jovem conquistador, baixista e nerd que um dia conhece Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winsted, excelente) uma garota interessante e a primeira vista, perfeita.  Até aí, nada de novo, certo? Pois é, mas para ficar com ela, vai ter que derrotar seus sete ex-namorados do mau.

Se só isso já não soa estranho o bastante, a HQ inteira é completamente diferente do que estamos acostumados a ver por aí, com coisas que ultrapassam o absurdo mesmo no mundo dos quadrinhos, referências a cultura pop em geral, uma semelhança com mangás que chega até a virar uma piada da HQ e uma estrutura toda baseada em games, com direito a personagens virando moedas (!) e a vida do protagonista sendo dividida em níveis (!!!). Não é preciso ler mais de 10 páginas da HQ para imaginar que um filme nunca iria rolar e se rolasse, ia ser bizarro…

Ledo engano e um level up para Edgar Wright (tá, foi péssima)! Diretor dos ótimos Todo Mundo Quase Morto e Chumbo Grosso, ele conseguiu, com muita competência, levar todas as loucuras de O’Malley para a telona e, mais do que apenas diversão, tornou Scott Pilgrim Contra o Mundo uma experiência fantástica de se ver no cinema. Antes mesmo de o filme começar, o logo da Universal já surge em 8-bits, ótima sacada pra colocar todo mundo no clima para o monte de cenas que vai fazer um monte de gamers ficarem com o olho brilhando.

Tecnicamente, o filme é simplesmente espetacular. A edição é perfeita a ponto de nos deixar duvidando que algumas transições tenham sido feitas sem termos perdido algum detalhe ao piscar, como em cenas em que temos um close no rosto de Scott, ele fica de costas e quando volta, o close é no seu amigo Stephen. Além dos cortes impecáveis, a edição também trata de criar a maioria das melhores gags do filme. A cena em que todos os personagens estão no bar e a câmera dá um close em quem cada um está encarando, terminando em Wallace, o companheiro de quarto gay de Scott (e um dos melhores personagens do filme, numa atuação hilária de Kieran Culkin), é de chorar de rir.

Os efeitos visuais também estão ótimos. A luta contra os gêmeos é de deixar boquiaberto e todas as referências a games estão muito bem-feitas e se integram perfeitamente a trama. E não se engane: apesar de ser bem engraçado, Scott Pilgrim tem cenas de ação sensacionais. Todas as lutas são ótimas, muito bem coreografadas e com elementos de games surgindo em peso, no caso, os que envolvem duelos. Tem o “VS.” surgindo entre dois personagens quando uma luta está pra começar, ataque-combo e o K.O. ecoando quando o adversário é derrotado.

Mas as referências, apesar de pesarem mais nos games, não se prendem apenas a esse mundo. Onomatopeias surgem constantemente na tela, tal como nas HQs e tem espaço até pra homenagear as sitcoms dos anos 90, numa referência simplesmente fantástica a Seinfeld.

Tudo parte de um roteiro excepcional, que adapta com uma competência surpreendente o material original. Há muitos cortes e várias alterações, claro, mas todas plenamente justificáveis e a maioria, só melhora a história.Vale dizer que a trilha sonora é um show a parte e as músicas da banda de Scott são talvez a única coisa que não é fiel ao original: na HQ, eles afirmam constantemente que a banda é horrivel. Mas as músicas são excelentes!

O filme é tão peculiar, que seu único defeito é ao mesmo tempo sua maior qualidade: tanta metalinguagem (games, quadrinhos, sitcoms, até um emoticon surge do nada no rosto de uma personagem) o torna voltado para um único tipo de público (adolescentes e nerds, principalmente) e ninguém além deles. Isso não chega a ser ruim para o filme em si, mas, como acabou sendo, foi péssimo para o seu sucesso comercial.

Scott Pilgrim Contra o Mundo impressiona por mostrar uma história tão simples de um modo tão criativo e principalmente, pelo fato de que nunca um game foi tão bem retratado nas telonas… mesmo que as referências a HQ tenham seu espaço aqui. Mas quem curtiu – ou pelo menos conhece – a geração clássica dos videogames vai adorar as referências aos jogos de luta e arcades, assim como quem curte HQs vai gostar das histórias de Ramona retratadas nos traços de Bryan O’Malley e das onomatopeias.

Mas talvez, o que mais agrade é que, em meio a moedas, vidas extras, onomatopeias e tantas outras nerdices, Scott Pilgrim Contra o Mundo nada mais é do que o mais criativo modo de contar uma história sobre um cara legal que quer conquistar a garota que ama. E transformar isso num game acaba tornando tudo muito mais divertido… e estranhamente original.

Nota: 9

Marcelo Silva

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