Filmes: Tropa de Elite 2 (2010)

Gênero: Ação/Drama
Duração:115min
Origem: Brasil
Direção: José Padilha
Roteiro: Bráulio Mantovani
Produção: Marcos Prado

Preciso confessar. Eu sinceramente pensava que não tinha razão pra fazer um Tropa de Elite 2. Mas estou feliz, porque errei feio. Era muito mais necessário do que eu imaginava e por essas e outras, é fácil um dos melhores filmes de 2010.

José Padilha gosta de cutucar a ferida. Fez isso em toda sua carreira, com os documentários Ônibus 174 e Garapa. Antes desse último porém, em 2007, com seu primeiro longa-metragem de “ficção” – com significativas aspas – Tropa de Elite, revelou uma realidade que nem todo o Brasil conhecia (ou se conhecia, se negava a acreditar): a corrupção na PM do Rio de Janeiro. Agora, com um lançamento efetivo nos cinemas, Padilha amplia a discussão e leva para caminhos ainda mais polêmicos: é o Capitão Nascimento (Wagner Moura) lutando contra o “sistema”.

O “sistema”, no caso, se trata do sistema político do Rio, que no filme  está completamente quebrado pela corrupção. E Nascimento é jogado lá dentro, virando sub-secretário de segurança. Eu realmente queria discutir os motivos dele ter ganhado esse cargo – apenas para agradar uma parcela da população que aprova seus métodos de trabalho contra a criminalidade – pois tenho uma opinião bastante definida sobre o assunto (que apóia o capitão), mas sinceramente, isso renderia mais um post inteiro, então, vou me ater apenas ao filme.

Começando pelo roteiro. Eu estava certo de que não haveria muita história pra contar numa sequência de Tropa de Elite e não acreditava no filme até pouco tempo atrás. Calei minha boca. Bráulio Mantovani fez um roteiro excepcional, muito superior ao seu antecessor em termos de narrativa, com uma história mais complexa, mais bem amarrada – até porque nem tinha muito que amarrar no primeiro – e levantando questões muito mais interessantes e importantes, que merecem a atenção de todos, mesmo que Padilha deixe bem claro desde o começo do filme que aquilo é apenas uma obra de ficção (e de fato tem lá suas forçadas, mas muita sujeira que é real).

Diferente de outros filmes, séries ou novelas que só fazem referências bem sutis para criticar políticos, Tropa de Elite 2 bota o dedo na cara de deputados e até do governador, sem rodeios, do jeito que sempre deveria ser feito. E nesse buraco de corrupção, estão as milícias, grupos de PM que comandam as favelas, extorquindo dinheiro de moradores e comerciantes do lugar, de maneiras brutais. E Nascimento se vê cercado ao perceber que tantos anos de trabalho no BOPE não foram o suficiente, pois as pessoas que ele pensou que ajudavam na verdade eram quem mais estavam atrapalhando a paz no Rio.

Capitão Nascimento, álias, mostra de fato que é um ser humano nesse filme. Se no primeiro o cara virou sinônimo de brutalidade, com tapas na cara e uma fúria insana, aqui ele sente falta do filho, sofre com a perda de pessoas queridas e até chora, num momento de desespero perto do final do filme. Em compensação, num dos poucos momentos em que ele age daquela maneira que o tornou popular, é difícil não ficar com vontade de aplaudir, principalmente pelo fato de que tem muito brasileiro querendo fazer o que ele fez (apesar de ser óbvio que aquilo nunca iria acontecer na vida real, senão seria um escândalo de proporções gigantescas).

Mas esse papel não seria nada sem a fantástica interpretação de Wagner Moura, que já tinha impressionado no primeiro filme e agora se mostra completamente confortável no papel, fazendo um trabalho excelente e cheio de detalhes (as piscadas frenéticas quando tem algo dando errado ou ele ouve algo que não quer são ótimas). No entanto, não é só Moura que dá um show. Todo o elenco está afiadíssimo, desde os que participaram do primeiro filme até os novos personagens.

Milhem Cortaz está sensacional, voltando ao papel de Capitão Fábio e é a máquina de bordões do filme, soltando pérolas como “quer me f**er me beija!” e “tá de pomba-girice comigo?”. Sandro Rocha, que teve uma participação pequena no filme anterior, vira o grande vilão dessa sequência, e causa a indignação do público com uma cena em especial.

Dos novos personagens, só o filho de Nascimento ficou meio jogado com aquela cara de Malhação, enquanto Irandhir Santos está ótimo como Fraga, André Ramiro continua mostrando seu grande talento no papel de Matias e até Seu Jorge faz um trabalho excepcional como o bandidão de Bangu-1. E nem comento André Mattos com seu jornal sensacionalista, uma crítica hilária e perfeita dessas porcarias que passam na nossa TV.

Na direção, José Padilha se firma como um dos melhores diretores do Brasil (talvez o melhor na atualidade), com um trabalho que honra o status de grande produção que o filme ganhou. As cenas de ação são sensacionais, bem-feitas e dão um tom de urgência desesperador (a sequência inicial não fica devendo nada pra uma produção hollywoodiana e o ataque na rua, no clímax, é de tirar o fôlego).

O filme merece ser bem mais discutido por tudo que mostra, ver o que ali é ficção e o que é uma assustadora realidade. Mas fazer isso envolveria dar muitos spoilers e como prometi que só ia comentar o filme em seus aspectos cinematográficos, Tropa de Elite 2 é isso: uma sequência que segue a cartilha da maioria das continuações nos últimos anos: maior, ampliando tudo que tinha de bom no primeiro filme e conseguindo ser ainda melhor. E pra quem não acreditava num segundo filme… depois daquele final nada sutil, que venha um Tropa de Elite 3!

Nota: 9,5

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2 comentários sobre “Filmes: Tropa de Elite 2 (2010)

  1. “Ofilme foi “O Filme” bom d+, nunka vi nada parecido…. muito bom mesmo!! ta d parabens e merece o oscar!!!! ha e nao poderia dxar d dzer: “que venha o “Tropa de elite 3”!!!

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