Comentando Música: Iron Maiden – The Final Frontier (2010)

Sim, vocês foram surpreendidos novamente! Depois de dois anos focando exclusivamente no cinema, resolvi abrir espaço pra algo que todo mundo também adora: música! Já fiz um ou dois posts tímidos sobre o assunto, mas agora é oficial, vou me meter a falar de música e vamos ver no que isso vai dar, hehe.

E pra começar, nada melhor do que falar do lançamento de um dos CDs mais esperados de 2010. Três décadas depois do seu primeiro álbum, o Iron Maiden, uma das maiores bandas de heavy metal da história lança seu 15º álbum de estúdio. E depois de amargar uma década nada inspirada (salvo Brave New World), eis que eles voltam com força total em The Final Frontier, um CD impressionante pra deixar todos os fãs aliviados: a banda ainda tem força total. Só é uma triste ironia que esse possa ser o último álbum deles…

Chega a ser irônico, mas depois do excelente Brave New World (2000)  – álbum que marcou o retorno de Bruce Dickinson à banda –  o Iron Maiden simplesmente empacou.  Pararam os hits, as músicas inesquecíveis e as batidas marcantes, ficou a mesmice. Dance of Death (2003) se destaca por uma ou duas músicas enquanto A Matter of Life and Death (2006) é quase que completamente esquecível. Por isso, muita gente não botou muita fé quando eles anunciaram seu novo trabalho, The Final Frontier. Eu mesmo esperava algo que tivesse mais a cara dos últimos álbuns do que qualquer outra coisa.

Como é bom estar enganado.

O 15ºálbum da banda começa num susto, com batidas violentas de Nicko e uma guitarra alucinante acompanhando. “Satellite 15… The Final Frontier”, a música que abre o álbum é uma agradável surpresa, é um Maiden que nunca ouvimos antes! Quando Bruce entra “em cena”, mais de dois minutos depois, vai de acordo com o clima da música: uma voz distante, ecoada e cheia de mistério. Depois dessa introdução surpreendente, a música explode num hard rock nostálgico que tem uma levada impossível de não gostar. Essa faixa inicial do álbum parece ter sido feita pra abrir shows, pois é perfeita para uma entrada triunfal.

Depois de um começo excepcional, vem a que já é velha conhecida dos fãs, pois foi o primeiro single desse novo trabalho liberado pela banda: “El Dorado”. Quando ouvi pela primeira vez, gostei muito da música, mas, ouvindo-a no álbum, acaba sendo a mais fraca, o que está longe, bem longe de significar que é uma música ruim, pois continuo achando boa, apesar de ter uma letra um tanto boba para uma música do Iron Maiden. O fato é que essas duas primeiras faixas (ou melhor, essa e a 2ªparte da 1ªfaixa) nasceram pra virar singles. Experimente ouvir “El Dorado” mais de uma vez e diga se não ficou com o refrão na cabeça o resto da semana.

E finalmente entramos na parte das músicas completamente inéditas desse novo CD. E ela começa ótima, com a sombria “Mother of Mercy”, uma das faixas mais curtas do álbum (e isso são mais de 5 minutos), um refrão marcante e uma melodia tensa. A bela “Coming Home” vem logo em seguida, pronta pra ser cantada a plenos pulmões por milhares de fãs nessa turnê, com sua melodia leve com clima de fim de show. Para contrastar, o que vem logo em seguida, “The Alchemist” é pra deixar qualquer fã dos clássicos da banda com o cerébro em pedaços: é a faixa rápida e alucinante do álbum (além de ser a mais curta), com os vocais de Bruce indo longe e uma introdução que me fez lembrar de Powerslave (sim!) quase que imediatamente. Pega pelo colarinho e ainda mete um soco no estômago, com seu final seco e repentino.

O modo como esse álbum foi organizado é um tanto interessante. Enquanto sua 1ªmetade vai direto ao assunto (com exceção da faixa inicial), com músicas curtas e relativamente rápidas, a 2ªparte é mais complexa, cheia de faixas longas e bem elaboradas. A primeira delas é “Isle of Avalon”, um dos épicos do CD (sim, há mais de um), com uma levada mais progressiva, uma letra mística com a cara do Maiden e algo que já devo ter repetido umas 30 vezes nesse texto: um refrão fantástico. Sério, eles conseguiram fazer 10 faixas com refrões impossíveis de esquecer, um melhor que o outro! Para mostrar como esse aspecto dos refrões é algo constante, vem “Starblind”, outra que começa devagar só para culminar, pouco a pouco, num refrão interpretado maravilhosamente bem por Bruce, que deixa a música com um clima cheio de angústia.

Alias, vale ressaltar o espetacular trabalho do vocalista da banda em todo o álbum. Não só pelo poder de sua voz, já que isso é chover no molhado, mas pelo trabalho de interpretação em todas as músicas. No último CD, era uma berreira incontrolável que fazia qualquer um ficar indiferente depois de três faixas ouvidas. Agora, elas são únicas, todas diferentes entre si, todas provocando diferentes sensações em quem ouve. Claro, os méritos disso também ficam por conta do resto da banda, muito bem entrosada nesse novo trabalho. Mas não tem jeito, Dickinson é quem sempre mostra porque é a alma do Maiden.

Voltando aos comentários faixa a faixa, o álbum vai se aproximando do fim com “The Talisman”, mais uma que começa de um jeito inusitado, com Bruce cantando no ritmo daquelas velhas e lendárias cantigas (recentemente o guitarrista Adrian Smith de fato disse que algumas músicas tem influência da cultura celta). A música, de 9 minutos, logo embrenha num ritmo fantástico, heavy metal como só o Iron sabe fazer. E aquele momento da música que eu nem vou citar pra não ficar repetitivo demais é poderoso de modo a ficar ecoando na sua cabeça por vários dias.

“The Man Who Would Be King” pode ter sido um pouco inspirada no livro de mesmo nome (que também virou filme), ambos trazem a história de um homem que usou de mentiras para virar rei, mas parece ter sido desmascarado e agora deve lidar com as consequências (a história do livro não é exatamente essa, mas algo parecido). Uma das melhores letras do álbum, apesar de ter sido a música que menos me impressionou. E aí chegamos ao final… o grande e espetacular final…

Com mais de 11 minutos, “When the Wild Wind Blows” é uma daquelas músicas que precisamos ouvir mais de uma vez, para entendermos e sentirmos tudo o que ela pode proporcionar. Começando com o barulho do vento e embalando numa melancólica melodia, ela tem um clima apocalíptico, com Bruce cantando de modo assustadoramente contido sobre um homem e seu medo e preparação para o iminente fim dos tempos. Tem clima de despedida, mas é uma das mais belas músicas que o Maiden já fez em muitos anos (talvez em toda a carreira).

É um álbum perfeito? Claro que não. Podia ser um pouco mais porradeira, com menos introduções lentas? Até podia, apesar de isso não ser um problema de modo algum (pelo menos não pra mim). Mas “The Final Frontier” é fantástico e uma grata surpresa pra quem já estava se acostumando com o Iron fácil e repetitivo dos anos 00.

Se no raso as músicas não lembram tanto os velhos tempos, temos a sensação de novidade e do inevitável, de nunca saber o que vamos ouvir a seguir ou para onde a música vai quando ela começa e ainda, no caso do Iron Maiden, temos a agradável sensação de ver a banda tentando coisas novas mas sem nunca esquecer do que os fãs gostam. Pra quem pensou que eles nunca conseguiriam fazer isso de novo, eles conseguiram, com muito sucesso, atravessar essa última fronteira…

Nota: 9,5

– Iron Maiden – The Final Frontier – 2010 –

FAIXAS
1. Satellite 15… The Final Frontier – 8:40
2. 2. El Dorado – 6:49
3. Mother Of Mercy – 5:20
4. Coming Home – 5:52
5. The Alchemist – 4:29
6. Isle Of Avalon – 9:06
7. Starblind – 7:48
8. The Talisman – 9:03
9. The Man Who Would Be King – 8:28
10. When The Wild Wind Blows – 10:59

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10 comentários sobre “Comentando Música: Iron Maiden – The Final Frontier (2010)

  1. Tava inspirado bem qdo escreveu esse texto, hein? hehehe

    Bom, se vc tava com medo de começar a fazer reviews de cds, saiba que eu gostei mto dessa. O texto realmente ficou bem grande, mas ainda assim vc conseguiu dizer bem bem como que cada faixa se apresenta e lendo o seu texto eu consegui imaginar as musicas mto mais claramente do que lendo aqueles textos chatos e maçantes de 50 paginas que o Whiplash publicou. Que álbum eu to perdendo hein???!! MAs dia 31 tá chegando aí…

    MAs é isso ae cara, parabéns. Se pro Maiden essa foi a última fronteira, acho que pra vc foi a primeira fronteira pra ingressar no mundo das reviews musicais, não? =]

  2. É, tem gente que acha que “Satellite…15” devia ser separada em outra faixa. Eu acho que foi proposital a música ser bipolar, assim como o album também é. O que é inegavel é que o maiden ainda tem inspiração pra fazer coisas novas e que esse album é daqueles que fazem nascer uma nova fase no maiden por tomar um novo rumo diferente dos anteriores…

  3. Esse novo album é ótimo,gostei muito da primeira faixa.Mas eu queria mesmo era saber o q o bruce diz na introdução da primeira faixa?
    Alguem poderia me dizer?

  4. Diego,
    Bom, hoje acredito que vc tenha ouvido o álbum. Agora quero ver sua opinião. As músicas não passam as sensações descritas? Não é uma surpresa eles terem feito algo relativamente diferente dos outros álbuns? E os refrões hein? 10 músicas e 10 refrões inesquecíveis, um mais poderoso que o outro.

    Johnny,
    A princípio, achei a música bem estranha. Ótima, mas bem estranha. Depois, essa ideia de ter “duas partes” acabou sendo uma das melhores coisas do CD. Como eu disse, quem esperava o Maiden fazendo uma música como essa? De fato, é uma nova fase pra banda, espero que ainda lancem mais alguns álbuns para aproveita-la.

    Daniel,
    Bruce canta mais ou menos assim (tradução livre hein com uma ou outra adaptaçãozinha, desculpe qualquer erro):

    “Eu tentei chamar o comando na Terra,
    Desespero na minha voz,
    Estou desviando da minha rota agora
    Com poucas escolhas.

    A solidão é difícil de aguentar
    Tento acalmar meu medo
    Só esperando a qualquer segundo agora,
    Algum contato chegar aqui…

    Desespero chama…
    Sinal retorna do Satélite
    Enquanto minha vida passa pelo meus olhos,

    Tentando de novo… preciso conseguir…
    Ouça-me agora,
    Porque tenho pouco tempo…

    Sem muito tempo… ouça meu chamado,
    Por favor me escutem, estou aqui…”

  5. Eai,beleza galera!!

    Será q o iron vem para o rock in rio 2011 e fazer aquele barulho?seria ótimo não seria?.

  6. Resenha muito boa, coerente com outras resenhas e inclusive com minha opinião.
    Só tive uma sensação, parece que o “escritor” não conhece muito bem a história do Maiden. Não estou questionando seu prestígio pela banda, mas me parece uma resenha do tipo “passei a noite pesquisando para poder escrever algo que se possa ler”.
    Mais uma vez reforço, a resenha é muito boa, mas tive essa sensação de falta de conhecimento em toda a história da banda.

  7. Impressão… curiosa, pra dizer o minimo. Bom, eu conheço bem da história da banda, hehe, até fiquei meio surpreso pela resenha ter passado uma sensação diferente, mas de qualquer modo, obrigado pelo… elogio (?)

  8. É um album muito bom. O único q pode competir
    com Brave New World e “talvez” com os (clássicos)*

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