Filmes: A Origem (2010)

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Vencedor do Oscar
Melhor Fotografia, Som, Edição de Som e Efeitos Visuais

Gênero: Ação/Ficção-Científica
Duração: 148 min.
Origem: EUA
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan
Produção: Emma Thomas, Christopher Nolan, Jordan Goldberg

Já vai fazer uma semana. Vi “A Origem” há quase uma semana. Nesse meio tempo, não paro de pensar no filme. Nessa semana que passou, estou começando, recomeçando e começando novamente esse texto. Até perceber: falar sobre “A Origem” de um modo que faça jus ao que achei e ao que é o filme pode ser a minha tarefa mais difícil desde que comecei esse blog…

Ah sim… é o melhor filme do ano até agora, claro.

De todos os cineastas em atividade, o inglês Christopher Nolan é um dos pouquíssimos que pode se dar ao luxo de dizer que tem uma carreira sem erros. Com sete filmes no currículo (seu primeiro, “Following”, é o menos conhecido e o único que ainda não tive a chance de ver), o diretor não fez nada que fosse menos que excelente, atingindo o ápice da sua carreira em 2008, com “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, que fez muita gente começar a cobrar a Academia para dar o merecido reconhecimento ao diretor. Mas, apesar de ter feito uma reinvenção impecável do Homem-Morcego, são nas suas criaçõesinception_100 originais que podemos ver toda sua genialidade, principalmente no que diz respeito ao roteiro.

Acho impossível continuar esse texto sem tratar do aspecto mais fantástico de “A Origem”, o roteiro. Assinado por Nolan, é talvez o mais inteligente de toda sua carreira – que só tem roteiros desse tipo, vale lembrar – com uma engenhosidade como não se via há muito tempo num filme de ação (talvez desde… hum… Cavaleiro das Trevas?). Repleto de referências cinematográficas (que vão desde o mais óbvio como Matrix até David Lynch), tem uma história complexa e, apesar das várias inspirações, soa incrivelmente original, graças a todo o conceito da Inception (título original), que move o filme.

Não vou entrar em detalhes sobre a história, para não estragar a surpresa de quem ainda não teve a chance de ver, mas basicamente, a trama traz espiões que entram dentro do subconsciente das pessoas, mais precisamente nos sonhos, para descobrir segredos e roubar ideias. No entanto, não se trata de algo como ler mentes ou coisa do tipo, há diversas regras e os personagens de fato estão dentro de seja lá o que for que determinada pessoa estiver sonhando.

Claro que, para apresentar algo totalmente novo aos espectadores – como já disse, não é simplesmente entrar na mente de algúem – é preciso se render a alguns elementos nem tão originais assim. A personagem de Ellen Page – chamada Ariadne, referência nada sutil a história do Minotauro – faz o papel do espectador no filme, sem saber nada sobre a complexa ideia de entrar no sonho das pessoas. Quando ela conhece Dom Cobb (Leonardo DiCaprio, mais uma vez excepcional), dá-lhe uma sequência com várias explicações de como tudo funciona.

Isso já é habitual de filmes que apresentam ideias novas, mas o ponto a favor é que Nolan nunca deixa tudo didático demais, afinal, a cena em que todas as regras da Inception são explicadas é incrível, contando com efeitos visuais simplesmente impecáveis – a rua se “dobrando” e tudo explodindo ao redor de Cobb e Ariadne, momentos mostrados rapidamente no trailer, quase obriga uma tela gigantesca para serem vistos, tamanha beleza e perfeição das cenas.

E essa não é apenas a única cena que deixa o espectador boquiaberto em “A Origem”. Como já vimos nos seus filmes anteriores (especialmente os dois Batman), o inglês gosta de fazer sequências de ação ambiciosas e aqui não faz diferente: as cenas de ação do filme tem um primor técnico impressionante, principalmente pelo fato de, além de serem muito ágeis e bem elaboradas, elas são repletas de elementos que desafiam a realidade, já que toda a ação se passa dentro do subconsciente das pessoas (a sequência que traz o personagem de Joseph Gordon-Levitt num ambiente completamente sem gravidade é espetacular).

Mas é o clímax que é uma verdadeira aula de cinema em termos técnicos. Nolan cria uma situação absurdamente desafiadora para ser mostrada visualmente, com várias coisas acontecendo em diferentes lugares e com o tempo passando em diferentes velocidades, sendo que tudo deve terminar simultaneamente (sei que não me fiz entender, mas nesse caso, só assistindo mesmo).

A tensão crescente, ajudada pela excelente trilha sonora de Hans Zimmer, só aumenta a sensação de desespero e ansiedade que vai tomando conta do espectador quando essa longa sequência de ação vai chegando ao fim. E a montagem também termina como um dos pontos altos do filme, principalmente nesse clímax. O modo como mostraram tudo acabando foi – e não penso duas vezes antes de usar essa palavra – perfeito, além do que o filme todo deve ter sido um desafio para a montagem,inception (69) já que em determinados momentos ficamos na dúvida no que é real e o que é sonho.

O único problema de “A Origem” me deixa meio dividido, pois não sei se isso pode mesmo ser considerado algo negativo: Christopher Nolan sempre manteve os pés no chão com seus filmes, fazendo tudo do modo mais realista possível – no caso de Batman, até atrás das telas, todos os efeitos visuais foram na mão – mas convenhamos: ele bem que podia se desprender só um pouco disso num filme que trata de sonhos, certo?

Claro, há cenas absurdas, que só podem acontecer num sonho, mas no geral, tudo é “organizado” demais (tem até alguém feito especialmente pra criar os cenários dos sonhos!) num mundo onde tudo pode acontecer. Como eu disse, isso não chega a ser um problema, afinal, se Nolan levasse totalmente por esse lado, o filme iria ficar um tanto imbecil, com coisas sem sentido algum acontecendo a todo momento. Só não dá pra se identificar com nada ali, afinal, ninguém sonha algo tão complexo.

Enfim, “A Origem” merecia mais um post inteiro, pois é muita informação, muitos momentos incríveis e muita coisa boa para se colocar num post só. Em meio a tanta coisa, nem cheguei a falar do elenco, que deve ter caído do céu para Nolan, já que todos funcionaram perfeitamente juntos (DiCaprio e Gordon-Levitt fazem uma ótima dupla) ou do brilhante final, que pode render um bom tempo de discussão pela leve – e muito sutil – sugestão que deixa.

Sei que me empolguei, sei que escrevi demais. Mas esse filme merece. Afinal, sem precisar de óculos especiais e terceira dimensão, os espectadores são sugados pra dentro da excelente – e absurdamente inteligente – história que Christopher Nolan criou. Não é um sonho… é o filme mais genial do ano.

Nota: 10

Marcelo Silva

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6 comentários sobre “Filmes: A Origem (2010)

  1. Acredite,você tem o dom de convencer as pessoas, ou pelo menos deixa-las intrigadas com o que você fala!

    O peso que o filme leva por ser Christopher Nolan, com DiCaprio no elenco já se torna algo interessante, com o trailer algo intrigante e com seu post a sensação de que ver o filme é uma deliciosa obrigação que se deve cumprir!

  2. Concordo com oq a Bárbara disse aí em cima (ou em baixo?!) vc realmente descreve as coisas muito bem e deixa quem tá lendo com vonatde de saber mais sobre o filme. Hahaha principalmente se trata daquilo que eu mais gosto da psicologia =D e isso já me deixou com um pouco mais de admiração pelo filme, apesar de nãos aber se vou vê-lo ou qdo vou vê-lo.

    A história pareces er bem complexa mesmo…ainda não entendi direito o esquema desse filme de entrar no sub-consciente da pessoa, mas deve ser mtoo foda kkk

    É isso ae mano, mas um ótimo post, continue assim!

    Abraçoo!!

  3. Alguém traduziu em palavras tudo que eu achava do filme. O melhor do ano, um dos melhores da década, o matrix dos anos 2000. Fantástico!

  4. Bárbara e Diego,
    Obrigado pelos elogios! Realmente, esse é o filme obrigatório do ano e acho que deu pra ver que explica-lo em palavras é uma coisa bem complicada, só vendo mesmo pra entender direito como tudo na história funciona.

    Giselle,
    Apesar da década ter acabado de começar, eu acho que vou ter que concordar com você. Ao final dela, ele provavelmente estará em todas as listas de melhores.

    Marcos,
    Todo mundo tem sua opinião, claro, mas por que exatamente não gostou do filme? (é a primeira pessoa que vejo com uma opinião tão negativa, hehe)

  5. A Origem consegue ser interrogativo e maravilhoso ao mesmo tempo (coisa que poucas produções têm conseguido nos últimos anos). Também com um elenco extraordinário desses você quer o quê!

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