Filmes: À Prova de Morte (2007)

Gênero: Ação/Suspense
Duração: 112min.
Origem: EUA
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Produção:Erica Steinberg, Quentin Tarantino, Robert Rodriguez, Elizabeth Avellan

Acho que a frase que resume melhor o lançamento de À Prova de Morte aqui no Brasil é “Quem espera sempre alcança”.

Quando ninguém mais tinha esperanças que ia acontecer, finalmente o filme chegou aqui, no meio da temporada de blockbusters e sem a mínima divulgação, só pra constar. De qualquer modo, o texto não é para criticar a distribuidora (até porque, nem vai adiantar né). E o fato é que À Prova de Morte é de longe o filme mais fraco de Tarantino. Ou seja, é ótimo.Antes de falar do filme em si, é bom colocar todos a par dos acontecimentos envolvendo o mesmo. Há três anos, antes de lançar a obra-prima Bastardos Inglórios, Quentin Tarantino se juntou ao amigo Robert Rodriguez para fazer Grindhouse, projeto que iria homenagear as sessões duplas de filmes-B dos anos 70, trazendo duas produções diferentes – cada uma dirigida por um diretor – na mesma sessão. Isso com direito a tudo que os filmes trash daquela época tinham: imagem defeituosa, cortes bruscos, “rolos faltando” e até trailers falsos. Na teoria, a ideia é genial, já na prática, aconteceu o que muitos temiam: eles se empolgaram tanto com a brincadeira que parecem ter esquecido de incluir o público nessa…

Como ninguém tem saco de ficar mais de três horas no cinema pra ver dois filmes propositalmente toscos (ainda mais os americanos), o filme foi um fracasso retumbante de bilheteria (registrado como um dos maiores da década passada) nos EUA e, como apesar disso o material era bom, resolveram adotar uma estratégia diferente para o resto do mundo, lançando os dois filmes (o outro em questão é Planeta Terror) separadamente. Enquanto a “trasheira” de Rodriguez chegou aqui só com alguns meses de atraso, a parte de Tarantino no projeto foi sendo empurrada e parecia que ia terminar se limitando apenas a festivais, até agora, quando finalmente chegou aos cinemas (ok, em meia dúzia de salas, mas chegou).

À Prova de Morte traz todas as características “tarantinescas” básicas: os longos díalogos com assuntos aparentemente irrelevantes, referências ao cinema, trilha sonora cool (mas obscura), violência explícita, os cortes bruscos, a estrutura narrativa inusitada… o problema é que, por ser trash por natureza, não há um desenvolvimento de história e personagens bom o suficiente para aguentarmos alguns exageros do diretor, que acabam soando deslocados e até desnecessários.

Os díalogos, que nos filmes do cineasta são sempre inspirados e muito afiados, aqui acabam cansando um pouco. Claro, há alguns excelentes – principalmente quando fazem referências a filmes ou séries – mas em alguns momentos, só dá pra desejar que um corte brusco aconteça o quanto antes. No entanto, esse é o único grande problema, já que, de resto, tudo o que tem de bom num filme de Tarantino continua excelente.

A trilha sonora é provavelmente uma das mais inspiradas da carreira do cineasta, a edição impecável e a violência grotesca e bem-humorada. E, como não poderia deixar de ser, tem também a redescoberta de um ator que caiu no esquecimento por um bom tempo, no caso, Kurt Russell, que faz um trabalho excepcional e divertidíssimo como o vilão Stuntman Mike (olha esse nome…), entrando na brincadeira de Tarantino, a ponto de, em um determinado momento, antes de entrar no carro, olhar diretamente pra câmera e dar o olhar mais canastrão possível, só pra aumentar a tosquice proposital do filme.

O poder das mulheres também aparece em peso em À Prova de Morte. É, alias, o que move a segunda parte do filme. E que mulheres… atrizes maravilhosamente bem escolhidas, em ambas as partes do filme. Destaque para Zoe Bell, pela atuação excepcional (especialmente na sequência final) e Vanessa Ferlito, essa nem tanto pela atuação, mas por presentear todos os homens com aquela maravilhosa lap dance – uma cena que foi cortada da versão exibida em Grindhouse – é, machista eu sei, mas não deu pra deixar de comentar…

E o que dizer das cenas de ação? Essas sim, são de longe as melhores coisas do filme. Há a colisão de carros mais espetacular que eu já vi no cinema e que é tecnicamente perfeita – Tarantino faz questão de repetir a cena três vezes, para mostrar todas as consequências grotescas do acontecimento – além de uma sequência de perseguição de carros sensacional e maravilhosamente bem-dirigida ao final do filme, que compensa qualquer problema. Os minutos finais então, são um show a parte.

Enfim, em relação a estética grindhouse, À Prova de Morte acaba saindo com sacadas bem mais bacanas que Planeta Terror, como a inclusão do “verdadeiro” título do filme como se fosse uma decisão de última hora e uma súbita mudança de cores na segunda metade do filme, sem significado algum, além é claro, de mostrar que os rolos de filme foram bem “mal-cuidados”…

Se fosse um pouco mais enxuto, À Prova de Morte provavelmente estaria a altura de qualquer outro filme da carreira de Tarantino. Está tudo lá: as mulheres fortes, díalogos cheios de referências a cultura pop, violência… tudo isso no maior clima de brincadeira e sem pretensões de virar uma obra-prima (isso ficou a cargo do filme que veio depois desse na carreira do cineasta). Não é ruim e passa bem longe disso, é excepcional, mas dava pra ser bem melhor…

Nota: 7,5

Marcelo Silva

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Um comentário sobre “Filmes: À Prova de Morte (2007)

  1. Esse filme foi muito injustiçado. Sem dúvidas não foi o maior trabalho de Quentin Tarantino, mas o filme tem humor, violência, ótimas referências e personagens. Tudo a ver com o estilo do cineasta.

    Gostei do seu blog 😀

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