Filmes: Kick-Ass – Quebrando Tudo (2010)

Gênero: Ação/Comédia
Duração: 117min
Origem: EUA
Direção: Matthew Vaughn
Roteiro: Jane Goldman
Produção: Brad Pitt, Adam Bohling, Tarquin Pack, David Reid, Matthew Vaughn

Kick-Ass – Quebrando Tudo é um filme muito engraçado, isso é fato. Mas o que explica eu rindo feito besta em várias cenas de ação, que de engraçadas não tinham nada? Chega a ser difícil explicar, mas eu simplesmente estava numa felicidade absurda de estar assistindo esse filme. A cada minuto que passava, ficava cada vez mais satisfeito, envolvido e com um sorriso no rosto. E aposto que muita gente vai se sentir do mesmo jeito ao ver o filme. Kick-Ass é isso: duas horas tão divertidas e empolgantes que quando os créditos começam, chega a ser frustrante ter que ir embora do cinema.

Confesso que a princípio, eu não estava acreditando muito que esse filme iria realmente sair. Primeiro porque, quando ele começou a ser feito, a HQ ainda estava na metade (são 8 edições no total). Depois porque quando li os quadrinhos, achei a violência e a história em si absurdas demais para qualquer estúdio aceitar. Mas eis que vieram trailers, pôsteres, imagens e antes que eu me desse conta, lá estava a adaptação da ótima HQ de Mark Millar e John Romita Jr. E agora que conferi, é com espanto que afirmo: o filme conseguiu ser melhor que o material original.

É bom ressaltar que, como já era de se esperar, há várias mudanças em relação a HQ, principalmente a partir da metade do filme, mas são um tanto convenientes, a ponto de algumas até ajudarem a deixar a história melhor. A alteração mais importante pode fazer muitos fãs chiarem por não fugir dos clichês de filmes de super-heróis como a HQ fez, mas no fim das contas, apesar de não ser tão cínico, o final foi bem conveniente no contexto do filme e deixou ele com mais “cara” de filme do gênero.

Mas não é apenas essa mudança que torna o filme melhor que a HQ. Há duas cenas em particular que são versões diferentes – mas que tem o mesmo resultado – do que é mostrado na história original e, ironicamente, as cenas são duas das melhores do filme inteiro. Uma delas, que envolve uma arma “secreta” dos heróis ao som de “An American Trilogy” de Elvis Presley, já é presença garantida entre as melhores cenas de 2010 (e toda vez que ouço a música, lembro da cena e fico com vontade de bater palmas sozinho aqui)

Uma das razões do filme ser tão bom são os personagens, todos interpretados de modo muito convincente por um elenco afiado. O protagonista Dave Lizewski – a identidade secreta de Kick-Ass – é provavelmente o retrato mais fiel e convincente de um adolescente meio nerd que já foi feito no cinema até agora, sem estereótipos imbecis e coisas do tipo. A sacada mais genial foi aquela estranha sensação que ele tem de que não faz muita diferença para o mundo (como ele mesmo se apresenta: “… Como a maioria das pessoas na minha idade, eu apenas existia”). E acertaram em cheio ao chamar Aaron Johnson, um ator novo, para o papel principal, assim, é fácil se identificar e acreditar no personagem.

Apesar de Johnson fazer um bom trabalho e ser o protagonista, o filme inteiro é roubado por ela: Chloe Moretz, a Hit-Girl. Se o filme dá certo, é por causa dela, afinal, estamos falando de uma garota de 11 anos que explode miolos, corta pescoços e decepa membros de pessoas, além de lutar com um homem adulto numa boa. Nas mãos erradas, isso tudo tornaria o filme uma piada de péssimo gosto, mas Moretz, se desprendendo de qualquer reserva, faz um trabalho de dar inveja em muita gente grande e consegue, de forma muito competente, o mais difícil: fazer todo mundo acreditar tanto na personagem quanto no filme como um todo.

E o que dizer de Nicolas Cage, que parece ter voltado de vez, depois de muito tempo afundado em produções que iam de medianas (Presságio) a medíocres (Motoqueiro Fantasma, O Vidente e por aí vai…)? Se inspirando no bisonho – mas clássico – Batman de Adam West, torna Big Daddy um personagem divertidíssimo e um tanto inusitado, outro ponto que melhora em relação a HQ. E uma cena em especial, perto do final do filme, entre ele e Hit-Girl, é daquelas que grudam na mente por um bom tempo. Como se não bastasse, ainda tem Christopher Mintz-Plasse, se desprendendo de vez do hilário McLovin de Superbad e Mark Strong, mostrando mais uma vez que é um ótimo vilão, não importa o filme.

Vale lembrar: cenas memoráveis é o que não falta em Kick-Ass, o que prova a competência do diretor Matthew Vaughn, que fez um trabalho excelente nesse filme, misturando cinema com HQ e até games! Claro que não é só mérito dele: a fotografia, carregada nas cores é bem interessante e ajuda na grandiosidade de algumas cenas – uma delas, em que tudo está meio apagado e só o fogo aparece em cores vivas é de arrepiar – além disso, a trilha sonora é inspiradíssima e a edição é fantástica, apostando, como já foi dito, em referências ao formato de HQs e games.

Com um roteiro bem-amarrado (só um pouco apressado nas soluções finais), lotado de referências pop e muita violência, humor e, acima de tudo, diversão, Kick-Ass acabou sendo muito melhor do que eu imaginava, sendo, desde já, um dos melhores filmes do ano. Só saí do cinema me perguntando uma coisa: quando veremos Hit-Girl de novo?

Nota: 9,5

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5 comentários sobre “Filmes: Kick-Ass – Quebrando Tudo (2010)

  1. Esssseeee é fooooooda!

    Um dos melhores filmes de 2010 … Vaughn se supera … Cage entra nos trilhos … AÇÃO AÇÃO AÇÃO … Hit Girl … e a surpresa final detonando tudo …

    Pode se dizer … vimos um classico!
    Abraços fella!

  2. Marcelo, eu tive a mesma sensação que você. Eu me pegava com um sorriso e até rindo, nas diversas cenas de ação. Era tudo tão bem feito e com tanto bom gosto e com aquela coisa meio inusitada, que a cada pequena surpresa, o sorriso aumentava.

    E a Hit Girl é maravilhosa e a Chloe fez um trabalho fantástico. Que garota talentosa. E o resto do elenco estava ótimo também.

    Fora tudo o que tu disse.

    Eu irei comprar a HQ e fico no aguardo para poder rever o filme o mais rápido possivel.

  3. Uma das maiores surpresas, pra mim, do ano (esperava, quando li as primeiras opiniões sobre o filme, uma grande babaquice bem ao estilo de Hollywood). E acabou me ganhando. Recomendo Zumbilândia, outra grata surpresa de 2010.

  4. Acho q um dos grandes méritos de Kick Ass é q o filme de Matthew Vaughn presta uma verdadeira homenagem ao gênero de adaptações em quadrinhos no cinema. É um ótimo longa de ação, irônico e irreverente sem ofender a fonte inspiradora.

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