Filmes: Toy Story 3 (2010)

Vencedor do Oscar
Melhor Animação e Canção Original (We Belong Together)

Gênero: Animação
Duração: 103min
Origem: EUA
Direção: Lee Unkrich
Roteiro: Michael Arndt
Produção: Darla K. Anderson

Em Toy Story, aprendemos que brinquedos merecem ser bem tratados, pois também tem sentimentos. Já Toy Story 2 mostrou que não importa se um dia as coisas vão mudar, o que importa é se divertir com o agora. E então chegamos a Toy Story 3, as crianças que eram fãs dos primeiros filmes são hoje adolescentes com a idade de Andy. Não só com a idade, mas com os mesmos sentimentos dele em relação a Woody e sua turma. É preciso abandoná-los, mas será que estamos prontos pra isso?

Usando essa ideia, do medo do abandono e da dificuldade em largar os bons tempos da infância, Toy Story 3 acaba sendo o melhor filme do ano até agora e uma das melhores e mais divertidas (mas também uma das mais tristes) animações da Pixar.

Na história do novo filme, Andy está prestes a ir pra faculdade e, pressionado pela mãe, é obrigado a decidir qual será o destino dos brinquedos que o acompanharam por tanto tempo, a lixeira ou uma creche. Enquanto Andy fica na dúvida em abandonar Woody, que representa a época mais divertida da sua vida, os outros brinquedos entram em desespero com a perspectiva de serem abandonados pelo dono. E esse é apenas o ponto de partida para um roteiro fantástico, cheio de reviravoltas e com algo acontecendo a cada minuto.

Todo mundo sabe que, bem mais que a parte técnica, o que torna os filmes da Pixar tão fantásticos é o roteiro. Chega a ser espantosa a enorme criatividade das animações e o modo genial de contar histórias, sem tratar a criança como imbecil e fazendo até os adultos se interessarem. E isso estava me deixando um pouco desconfiado, afinal, estamos falando do terceiro filme de uma franquia, tem aquele perigo de apenas se repetirem e não conseguirem ter uma ideia original ou fazer um filme envolvente e grandioso o bastante em comparação com os outros dois.

Bom… os caras sempre foram a exceção pra tudo não é? E em Toy Story 3, apesar da fórmula ser a mesma – os brinquedos ficam longe de casa para salvar um companheiro e vão para lugares inimagináveis até cumprir sua missão – a história, seu desenvolvimento e todas as reviravoltas são completamente diferentes de qualquer coisa que vimos nos filmes anteriores. Não bastasse a infinidade de novos personagens que surgem, as seqüências de ação são ainda mais grandiosas e espetaculares e há algo interessante acontecendo a cada segundo, algo bem surpreendente para a terceira parte de uma franquia.

Já que falei da ação, ressalto dois momentos: a cena inicial, tecnicamente perfeita e muito divertida e claro, a longa seqüência de ação no terceiro ato do filme, desde já uma das melhores desse ano. Sempre parece que está pra acabar, então algo inusitado acontece e temos mais desespero, mas eles se salvam, só para depois ficarem numa situação ainda pior. Chega a ser incrível a quantidade de reviravoltas que acontecem num período tão curto de tempo, de modo que ficamos agoniados na poltrona, sem ter certeza nenhuma de como aquilo vai acabar.

Quando essa sequência vai chegando ao fim, o clima muda: passa de ansiedade para emoção e isso é outro dos principais aspectos de Toy Story 3. A Pixar sempre soube emocionar com seus filmes, mas dessa vez, talvez por tratar de personagens que já conhecemos há um bom tempo ou mesmo pelo roteiro envolvente, é praticamente impossível não ficar no mínimo com um nó na garganta com vários momentos do filme. Além dessa cena citada, há também as lembranças de Andy no começo e claro, o final, que consegue arrancar lágrimas até dos mais durões.

Algo que me deixou bem preocupado foi a quantidade de novos personagens que estavam sendo prometidos. Era brinquedo novo demais para um filme só e muitos podiam ser apenas jogados na trama. Mas, ainda bem, todo mundo tem seu merecido espaço de acordo com sua importância. Os destaques ficam por conta do ursinho Lotso, um vilão particularmente interessante e é claro, Ken, o namorado de Barbie, que rouba a cena toda vez que aparece, além da própria Barbie (a cena envolvendo um salto alto arranca altas gargalhadas de todo o cinema por vários minutos).

Tecnicamente, o filme é impecável, como já era de se esperar. Com a tecnologia cada vez mais avançada, somos apresentados a cenários incríveis, grandiosos e repletos de detalhes, fazendo um contraste enorme com os dois primeiros filmes da franquia – que também são primorosos, claro – não só em relação a isso, mas a fotografia, que só melhora a cada novo filme da Pixar e os personagens, que mesmo sendo brinquedos, estão absurdamente realistas (Woody passava fácil como um brinquedo de verdade nesse filme). E a trilha sonora de Randy Newman ajuda a criar a atmosfera que mistura diversão e incerteza na creche Sunnyside, onde os brinquedos vão parar.

Quanto aos efeitos 3D, tal como em Up e nos dois primeiros Toy Story, (relançados no formato tridimensional esse ano no Brasil), são um recurso puramente estético, ajudando a dar uma beleza maior aos cenários e profundidade as cenas. Ou seja, não, não tem nada sendo jogado na cara de ninguém ou coisa do tipo, o que pode fazer muita gente sair decepcionada do cinema. Mas, pelo menos pra mim, vale a pena ver no formato.

Toy Story acabou. Está certo que há 11 anos atrás, no final do 2º, nem sabíamos se ia ter outro, mas saber que essa possibilidade, mesmo que remota, ainda existia, deixava todo mundo despreocupado. Mas agora, a história chegou ao fim mesmo, as cenas finais deixam isso bem claro. E, temos aí algo que quase nunca – ou talvez nunca – aconteceu antes: temos aí uma trilogia sem erro, todos os filmes são incríveis, criativos e é difícil decidir qual é melhor. Só a Pixar para se dar ao luxo de fazer uma trilogia e não errar em nenhum dos três filmes.

Agora que a história de um dos filmes mais marcantes da minha infância chegou ao fim, vamos ver até onde vai a criatividade das animações desse estúdio, que desde 1995, só faz trabalhos inesquecíveis e de puro amor ao Cinema, mostrando que ainda existem pessoas que se importam em contar boas histórias. No fim das contas, o fato é que Woody, Buzz e seus amigos representam a Pixar como um todo: não importa nossa idade, de uma forma simples e divertida, eles sempre são capazes de levar nossa imaginação ao infinito… e além.

Nota: 10

P.S.: Como já é tradição nos filmes da Pixar, há um curta antes do filme. Dessa vez, se trata de Dia & Noite, uma animação inusitada, criativa e genial.

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Um comentário sobre “Filmes: Toy Story 3 (2010)

  1. SIMPLESMENTE ÚNICO!

    Saí emocionado e contagiado pelo ritmo, roteiro e produção do filme – como pôde ser tão perfeitinho? sim, Toy Story 3 consegue ser mais criativo e mais humano que os dois primeiros, sem dúvida coloca no chinelo as chatices repetitivas de Shrek e é mais digno, prazeroso e mais legal que outras animações por aí.

    Achei muito bom mesmo a maneira como coloca a questão dos brinquedos – buscam, mais que tudo, o afeto dos humanos; querem atenção e não querem ser esquecidos jamais pelos seus donos – estes, inevitavelmente, crescem e tem que lidar com escolhas também.

    O roteiro é muito bem dosado – é mais ousado na parte de delinear detalhes da vida e motivação do urso roxo…da forma como recria os diálogos e entrosamento de Woody e cia; da maneira como toca em nós nas cenas finais de Andy despedindo-se dos brinquedos…na maneira como a ação se desenrola com o humor…nunca ri tanto e, confesso aqui, que chorei no final…me arrepiei sim…e saí apaixonado!

    Fiquei feliz mesmo! Toy Story fez parte de minha infancia, e pelo visto será definitivo pra toda vida!

    Abraços

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