Filmes: Alice no País das Maravilhas (2010)

Vencedor do Oscar
Melhor Direção de Arte e Figurino

Gênero: Fantasia
Duração: 118min
Origem: EUA
Direção: Tim Burton
Roteiro: Linda Woolverton
Produção: Tim Burton, Joe Roth, Jennifer Todd, Suzanne Todd

Tim Burton e Alice no País das Maravilhas parecia uma combinação perfeita. O cineasta adora fantasia e tem um estilo único para retratá-la e a clássica história de Lewis Carroll tem um mundo fantástico e personagens do tipo que Burton adora. Tinha como não esperar um filme muito bom daí? Pois bem… as vezes a surpresa é ingrata. Na verdade, chega a ser curioso que na história original, Alice tenha caído no País das Maravilhas porque estava entediada. Se ela visse seu próprio filme, ia correndo pra lá de novo…

Burton caiu numa armadilha. Por ser uma história clássica e que todo mundo pelo menos já ouviu falar, ele parece ter presumido que todo mundo já conhecesse perfeitamente os personagens e fosse fã da história. O problema é que qualquer um sabe que cinema não funciona assim. As pessoas podem se interessar pelo filme pelos motivos mais diversos possíveis: o fato do diretor ser Tim Burton (meu caso), o elenco, os efeitos 3D, enfim… a história e os personagens em si são só um detalhe, que nem todo mundo conhece direito.

Por isso, o roteiro acaba sendo o maior problema do filme e o que o torna uma grande decepção. A história original não é a coisa mais empolgante do mundo, mas ainda consegue envolver, aqui, no entanto, há uma falta de ritmo absurda, ficamos o tempo todo esperando algo grandioso e realmente empolgante acontecer (e até acontece, mas só na sequência final) e o que é pior: o filme não prende a atenção nem envolve o suficiente, algo bizarro levando em conta que tem até o 3D para ajudar nisso.

Parece que nada de muita relevância acontece por boa parte do filme e todos os personagens simplesmente surgem na trama, de modo com que não nos importemos com nenhum deles. Mesmo no momento em que um dos personagens centrais da trama está em extremo perigo, não damos a minima se ele vai conseguir sair a salvo. A coisa só piora quando os próprios atores não conseguem desempenhar bem os papéis, com óbvias ressalvas, é claro.

Muito elogiada por sua atuação na série In Treatment, Mia Wasikowska acaba sendo uma grande decepção, ao se mostrar como uma protagonista completamente sem carisma, com uma inconfundível cara de quem não está ligando muito para o que está acontecendo ao seu redor, além de parecer um tanto entediada. E o que dizer de Anne Hathaway, que parece estar completamente dopada como a Rainha Branca, numa das atuações mais constrangedoras que eu já vi desde Zooey Deschanel em Fim dos Tempos? A cada cena que ela aparecia gesticulando e andando como se o vento a levasse, dava vontade de atirar alguma coisa na tela.

Por outro lado, Johnny Depp e Helena Bonham Carter acabam sendo as melhores coisas do filme como o Chapeleiro Louco e a Rainha de Copas respectivamente. Além de serem muito talentosos, a dupla já trabalhou com Burton diversas vezes, portanto, não é difícil perceber como os dois estão bem mais confortáveis nos seus papéis do que todo o resto do elenco.

Tendo mais destaque do que o necessário, Depp aproveita e não decepciona como o Chapeleiro, sem nada além de maquiagem e próteses (nos seus olhos, claro) cria um personagem bizarro e cheio de peculiaridades (a língua presa e a voz diferente foram ótimas sacadas) e até se dá ao trabalho de deixar o personagem mais complexo do que realmente é. Mas quem dá um show em cena é mesmo Helena Bonham Carter, simplesmente sensacional como a Rainha de Copas. Conseguindo tornar sua personagem divertida e ameaçadora ao mesmo tempo (nos rimos quando ela diz “Cortem-lhe a cabeça!”, mas fica menos engraçado quando vemos que não é uma simples frase).

Mas como já é costume na filmografia de Tim Burton, o que chama mais a atenção é mesmo a parte técnica de Alice, excelente em quase todos os aspectos. Os efeitos visuais são muito competentes, assim como os seres criados digitalmente (o Gato Risonho é um show a parte) e a direção de arte dispensa comentários, o visual do filme salta os olhos (sem trocadilhos com 3D), belíssimo e cheio de detalhes. A fotografia também é ótima, apesar de prejudicada algumas vezes pelos efeitos 3D, equivocados em grande parte do filme – ok, em uma cena ou outra até dá certo.

Alice no País das Maravilhas não chega a ser um filme ruim. Suas qualidades são fortes e se destacam facilmente, mas a grande quantidade de defeitos acaba tornando o resultado final bem decepcionante. Apesar do visual incrível e que acaba valendo o ingresso (uma meia-entrada, talvez, afinal o cinema 3D é mais caro), é um espetáculo vazio. Talvez dê pra curtir sem nenhuma expectativa…

Nota: 6,5

Marcelo Silva

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16 comentários sobre “Filmes: Alice no País das Maravilhas (2010)

  1. Eu daria nota 5,0 e os 5,0 são por causa do visual e por que tem uns momentos engraçados (POUCOS, bem poucos). Esse filme como diria meu amigo chaves “não me sobe nem me desce” se eu soubesse como era o filme não pagaria 17 conto pra ver ‘–
    Não sei o que dizer sobre a história, por que acho que fui a unica criança que não viu (ou não lembro) Alice no pais das maravilhas.
    Não tenho como mais nada pra falar dessa merdinha kkkk
    quero é ver “furia de titãs *–*” hehe.

  2. A leitura me prendeu, isso ajuda mais além do fato de eu não ter visto o filme. Gostei das suas criticas sinceras e reais sobre “Alice no País das Maravilhas”, o que me “interessava” mesmo em relação ao filme é a questão mais de efeitos, fotografia, essas coisas entende, mas igual ressaltei à você, prefiro ver I.M2 =]
    O filme de fato fez valer a máxima: “Qual a semelhança entre a escrivaninha e um corvo?!” A dita semelhança seria é o “mal estar” que ambos trazem de matar o que tenta viver ou o que ia nascer, no caso a expectativa tal dita, morta durante a trama.

  3. ACHEI O FILME COM UMA PRODUÇÃO MUITO CRIATIVA(VISUAL)
    UM ENREDO BEM INTERESSANTE E OS PERSONAGENS SEM COMENTÁRIOS… HILÁRIOSSS

  4. Quando nós não sabemos fazer criticas e agimos como perfeitos alienados a saida e rever o que critica e porque critica,sigam o exemplo cambada de influenciados.achei o filme o máximo Tim Burton teve êxito . Parabéns

  5. Vocé é um crítico ridiculo pois não vê e não entende o que este filme ou o livro representam…

  6. Legal que todo mundo que vem me criticar é anônimo. Assim é bem fácil…

    De qualquer modo, eu sei bem o que a história representa, acho ela muito boa – mas como eu disse, não chega a ser a coisa mais empolgante do mundo – e, se vale de alguma coisa, acho a clássica animação da Disney excelente. O filme de Burton não é ruim pela história, mas pelo modo como ele a contou, monótona e sem ritmo.

    Vamos ler o texto com mais atenção, não custa nada…

  7. Eu não gostei do Filme, ainda bem que nem fui ao cinema, eu esperava algo mais parecido com o desenho, mas a história tem nada a ver…
    Fantasiou demais, a protagonista é horrível e o filme não prende a gente, tanto que até desliguei a TV.

  8. A história deixou muito a desejar..eu esperava algo mas chocante..ainda mas sendo um clássico tinha que ter sido “o filme”espero que tenha uma regravação..hsuahushauhsa

  9. quera ver sobre os personagens secundários pq uma história não é feita só com os personagens principais
    !

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