FILMES: Ilha do Medo (2010)

Gênero: Terror
Duração: 148min
Origem:EUA
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Laeta Kalogridis
Produção: Mike Medavoy, Arnold Messer, Brad Fischer

Já faz um bom tempo que não temos um filme realmente assustador no cinema, todos que surgem agora ou são remakes ou baboseiras apelativas que não botam medo em ninguém. Pois só um mestre como Martin Scorsese pra trazer tudo de melhor que o terror tem de volta as telonas. Ilha do Medo é, desde já, um dos melhores filmes do ano, tenso e angustiante, um terror psicológico como não se via desde O Iluminado.

Confesso que nunca fui grande fã de terror. Sempre preferi a tensão e a incerteza provocada pelo suspense, afinal, nele somos nós mesmos que provocamos nosso medo, esperando algo terrível acontecer toda hora. No terror, temos aquele susto e o pavor do que está ali, aparecendo na tela. Claro, isso é uma questão de opinião. De qualquer modo, o único tipo de terror que me agrada é o psicológico. Aquele que nos deixa desconfortáveis durante todo o filme, sem precisar mostrar nada muito chocante para nos deixar extremamente vulneráveis.

Ilha do Medo é exatamente assim – por isso a comparação com o clássico de Kubrick no começo do texto – tudo no filme nos deixa numa tensão insuportável, com medo de algo que nem sabemos explicar e uma sensação constante de que algo terrível e pior do que o que já vemos está acontecendo. A história, uma adaptação do livro Paciente 67 de Dennis Lehane, se passa em 1954, onde uma dupla de agentes federais vai investigar o desaparecimento de uma paciente de um hospício localizado numa ilha – a Shutter Island do tiítulo original – mas acabam envolvido numa rede de mentiras, percebendo que há muito mais que desaparecimentos ali.

Um conjunto de fatores ajuda a criar o clima angustiante e de insuportável tensão do filme. Temos a fotografia, repleta de planos maravilhosos e marcantes – a cena dos ratos na montanha, além da primeira e última cenas ficam na cabeça por vários dias –  aliada a trilha sonora de gelar o sangue, cenas inesquecíveis – o flashback no campo de concentração, a visão do protagonista no mesmo local e o reencontro dele com sua mulher são maravilhosos – e as atuações excepcionais de todo o elenco, que se saem muito bem, cumprindo algo essencial para o filme: todos agem de forma extremamente suspeita.

Ben Kingsley por exemplo, consegue nos deixar num dilema insuportável em relação a confiar ou não no seu personagem, por agir de modo tão natural, acatando tudo o que o personagem de Leonardo DiCaprio exige. Mark Ruffalo também nos deixa cheio de dúvidas. Pois apesar de sempre estar ao lado do protagonista, exibe um ar de quem está um pouco desconfortável com tudo que está acontecendo e só quer ver o fim de tudo aquilo. O filme conta até com uma participação curta – mas ótima – de Jackie Earle Haley (como um prisioneiro medonho), que rouba a cena no único momento que aparece.

Mas é claro que se tratando de atuações, o grande destaque fica por conta de Leonardo DiCaprio, que como o protagonista Teddy, entrega uma das melhores interpretações de sua carreira. Intensa, complexa e desafiadora, prova mais uma vez como conhecer Martin Scorsese foi a melhor coisa que já aconteceu na vida do ator. Ficamos angustiados com a sua jornada para descobrir a verdade sobre o que está acontecendo naquela ilha e comovidos no flashback do final.

Alias, que final. Tentarei ao máximo não dar maiores detalhes aqui porque esse é o tipo de filme em que saber o final estraga toda a experiência. Mas além de genial, é absolutamente perturbador. Pior ainda é saber que durante todo o filme tivemos dicas tão óbvias sobre os mistérios envolvendo toda a trama e não conseguimos perceber. E Scorsese faz um trabalho fantástico construindo tudo de modo a conseguir nos fazer torcer para o protagonista conseguir resolver todo o caso… até nos surpreender completamente.

Não se engane, apesar da primeira grande revelação da trama soar um tanto óbvia – confesso que revirei os olhos de frustração no cinema – tudo o que vem depois, explicando cada mistério de forma maravilhosamente bem-amarrada me deixou preso a poltrona e devastado com as várias reviravoltas terríveis, que mudam completamente tudo o que vimos no filme.

Depois de tanto tempo, é bom ver um terror psicológico tão bom como Ilha do Medo. Apesar de gostar de alguns filmes de suspense e terror que saíram nos últimos tempos, nada era bom como a adaptação do livro de Stephen King, citada no começo do texto, O Sexto Sentido ou Os Outros, um dos últimos filmes do genero realmente bons. Mas mais do que estar satisfeito por ter assistido um excelente filme de terror, fico satisfeito por ver mais um ótimo filme de Martin Scorsese. Nada como ver um mestre do Cinema em ação…

Nota: 9,5

Marcelo Silva

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6 comentários sobre “FILMES: Ilha do Medo (2010)

  1. “Alias, que final. Tentarei ao máximo não dar maiores detalhes aqui porque esse é o tipo de filme em que saber o final estraga toda a experiência”

    Nem li todo seu postm parei aí porque não quero saber mais nada desse filme, PRECISO ver!

  2. Que saudades do Scorcese fazendo um suspense! E valeu a pena. Tinha achado as parcerias dele anteriores (O Aviador e Os Infiltrados) com o Leonardo Dicaprio um tanto previsíveis, mas dessa vez ambos acertaram a mão. Uma das melhores coisas que eu assisti esse ano, sem sombra de dúvida.

    Cultura? O lugar é o Jukebox:
    http://culturaexmachina.blogspot.com

  3. Parece que esse filme causou uma comoção em todos os blogueiros que necessitavam de um filme assim. Incrivel até dizer chega … assim como previsivel … também está no blog, o ultimo post para ser exato sobre esse filme.

    Abraços

  4. Já senti medo só pela “descrição” do filme kk imagina vendo, quero ver logo esse filme adoro terror *-*

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