Últimos filmes vistos (especial): Road to the Oscars!

Neste domingo acontece o Oscar 2010 e como acontece todo ano, os cinéfilos que não perdem essas premiações – por mais que quase sempre discordem e xinguem elas – correm para conferir a maior quantidade de filmes indicados possível. Por aqui não foi diferente. Apesar de ter visto menos do que eu queria – ok, ainda dá tempo de ver mais alguns até domingo – já dá pra ter uma base de como vai ser esse Oscar. Até o grande dia, provavelmente terá mais posts desse tipo, afinal, como eu disse, verei mais indicados até lá.

Aqui, temos duas animações, um drama com poderosas interpretações e o retorno do detetive mais famoso do mundo, que foi lembrado em algumas categorias técnicas. E os filmes são:

Preciosa – Uma História de Esperança: É curioso. O primeiro filme que me veio a cabeça quando terminei de ver Preciosa foi – veja só – Dúvida, a adaptação da peça teatral de mesmo nome, com Meryl Streep e Phillip Seymour Hoffman e que também teve várias indicações no Oscar do ano passado. É óbvio que não lembrei do longa pelos temas abordados ou a história, mas sim porque ele funcionou quase igual a Preciosa. O filme já é bom, mas fica muito melhor graças as atuações arrasadoras e a história pesada e cheia de drama. Não tem uma única atuação que seja menos que excelente, graças a grande carga dramática do filme, todo o elenco entrega um trabalho poderoso e em alguns momentos simplesmente hipnotizantes.

A protagonista Gabourey Sidibe se mostra como a maior revelação do ano passado – é sua estreia no cinema – por fazer um personagem tão intenso e trágico como Precious, um papel desafiador mesmo para uma atriz veterana.  Igualmente arrepiante é a entrega da comediante Mo’Nique como a mãe de Precious. Ela consegue nos deixar com repulsa, quase nojo da personagem pelos maltratos aos quais ele submete a própria filha.

E a cena final, na Assistência Social consegue nos deixar desconfortáveis, tamanha a intensidade da atriz. Vale elogiar também o trabalho de edição do filme, impecável – as transições da imaginação de Precious para o mundo real são excelentes, não só pela edição, mas pela fotografia, mais iluminada quando vemos o que ela quer e com um tom melancólico quando ela volta ao mundo real.

Preciosa é um filme desgastante, não é maravilhoso, tem uma coisinha aqui e ali que incomoda, mas no geral, graças as atuações gigantes – até Mariah Carey faz um trabalho excepcional – e as outras qualidades, muito maiores que os defeitos, mereceu cada indicação que teve.

Nota: 9

Indicado a Melhor Filme, Diretor, Atriz (Gabourey Sibide), Atriz Coadjuvante (Mo’Nique), Roteiro Adaptado e Edição

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Sherlock Holmes: Parece que não é tanto, já que o personagem sempre se manteve vivo na mente das pessoas, mas Sherlock Holmes já não dá as caras no cinema há mais de uma década. Se bem que, se não contarmos o nacional O Xangô de Baker Street, o tempo sem o detetive nas telonas aumenta pra mais de 20 anos (!!). Por isso, já estava mais do que na hora de trazê-lo de volta, até porque uma nova geração merece conhecer o personagem.

E o Sherlock Holmes de Guy Ritchie não decepciona, na verdade, é uma das coisas mais divertidas que vi em 2010 até agora. Há algumas mudanças no personagem sim e investem muito mais na ação, mas se conseguem fazer isso de forma competente, porque reclamar? Os dois aspectos pelos quais o filme foi lembrado no Oscar, Trilha Sonora e Direção de Arte de fato são duas das melhores coisas do filme, especialmente a primeira, trabalho excepcional de Hans Zimmer.

Mas é claro, quem carrega o filme nas costas é a dupla Robert Downey Jr. e Jude Law, nos papéis de Holmes e Watson, respectivamente. Funcionando perfeitamente como uma dupla, os dois fazem um trabalho fantástico com os personagens – inclusive Downey Jr., o que é um alívio, porque se eles não se saíssem bem, ia tudo pro ralo. No fim das contas, eles tornam o filme bem melhor do que parece, já que apesar de apostar na ação, tem alguns momentos arrastados até demais. Isso não compromete o resultado final, é claro.

Nota: 8

Indicado a Melhor Direção de Arte e Trilha Sonora

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O Fantástico Senhor Raposo: Eu adoro quando vejo um filme e me sinto feliz, de bem com a vida, ficando com um sorrisão no rosto assim que ele acaba. O Fantástico Sr. Raposo me fez sentir desse jeito. Divertido, envolvente e simplesmente gostoso de se assistir, é mais uma prova do porque 2009 foi o melhor ano das animações em muito tempo. O stop-motion, veja só, dá um charme todo especial ao filme, trabalho brilhante e uma das primeiras coisas que nos conquistam, Wes Anderson acertou em cheio. Como se não bastasse, o roteiro é excelente, com alguns dialogos de dar inveja a muito filmão e a edição nos prende imediatamente, ágil e inteligente.

Um dos grandes destaques, além da parte técnica já citada, é claro, é o elenco estelar, encabeçado de forma extremamente competente por George Clooney, que dá um show dublando o protagonista Sr.Raposo. Meryl Streep – pois é! – surge como sua mulher e esse foi só um dos motivos que me fez abrir um largo sorriso: atores consagrados e famosos dublando um filme assim… a sala de dublagem deve ter sido a mais pura diversão. A trilha sonora, cheia de músicas empolgantes, também é um espetáculo a parte.

Depois de tantos anos em que a supremacia da Pixar sempre esteve tão óbvia, é legal ver que na categoria de animação desse ano, já temos um concorrente a altura para Up. Fantástico Senhor Raposo é o melhor tipo de filme que tem: aquele que termina e já te deixa com vontade de ver de novo imediatamente.

Nota: 10

Indicado a Melhor Animação e Trilha Sonora

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The Secret of Kells: Eu, assim, como a maioria esmagadora das pessoas, provavelmente não fazia ideia da existência desse filme até ele ser indicado ao Oscar. Vou ser bem sincero, uma das únicas coisas que me fez ter o minímo de curiosidade para conferi-lo não foi nem a indicação, mas sim o fato dele ter deixado Ponyo, a nova animação de Hayao Miazaki de fora do Oscar, quando todo mundo dava como certo o filme na categoria de Animação.

Bem, dito isso, The Secret of Kells é… bom. É o tipo de filme de animação que só tem espaço mesmo no Oscar, diferente, com um tom mais artístico. A história é muito interessante, no entanto, o início é extremamente arrastado, a ponto de me fazer cochilar na primeira vez que tentei ver. Claro que depois de uma meia hora, o filme pega fôlego e fica excepcional, de modo que não conseguimos mais tirar os olhos da tela.

Com cenas bonitas e uma trilha sonora belíssima, The Secret of Kells não é tão maravilhoso como eu esperava, mas vale ser visto. Só duvido que seja melhor que Ponyo (que eu ainda preciso conferir)…

Nota: 8

Indicado a Melhor Animação

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Amanhã e domingo, tem mais posts com meus comentários sobre os indicados. E amanhã, minhas apostas para os vencedores, fique ligado!

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