FILMES: Amor Sem Escalas (2009)

Road to the Oscars!

Indicado a 6 Oscar: Melhor Filme, Direção, Ator (George Clooney), Atriz Coadjuvante (Vera Farmiga), Atriz Coadjuvante (Anna Kendrick) e Roteiro Original.

Gênero: Comédia
Duração: 109min
Origem: EUA
Direção: Jason Reitman
Roteiro: Sheldon Turner, Jason Reitman
Produção: Ivan Reitman, Daniel Dubiecki, Jeffrey Clifford

Jason Reitman é um daqueles cineastas que a gente sempre espera temas sérios tratados de um jeito que nos divirta. Foi assim com Obrigado por Fumar e com o adorado Juno. E com Amor Sem Escalas vemos que ele só melhora a cada trabalho. Atuações consistentes, um ritmo envolvente e um roteiro sensacional deixam óbvio porque esse é um dos favoritos para o Oscar. É o tipo de filme que não sai da nossa cabeça fácil, depois que a sessão acaba.

Como dito no começo, essa ideia de tratar temas sérios sem muita carga dramática e com muito dinamismo e diversão foi uma das coisas que mais me cativaram em Juno, há dois anos atrás. E se no filme protagonizado por Ellen Page tínhamos a dificuldade de pessoas jovens virarem pais e a gravidez na adolescência, aqui temos a crise econômica, a solidão e a dificuldade de se firmar em lugar e se apegar a outras pessoas (percebeu como nenhum desses temas tem a ver com o deturpado titulo nacional do filme?), mas tudo isso mostrado de um jeito que nos interesse e envolva rapidamente.

Na história, Ryan Bigham (George Clooney) é um homem que trabalha numa empresa terceirizada responsável por demitir funcionários de grandes empresas para cortar gastos (consequências da crise econômica). Quando uma jovem garota (Anna Kendrick) surge com um novo método de demissões que ameaça suas constantes viagens e seu recorde de dez milhões de milhas no programa de milhagem da sua companhia aérea favorita, ele resolve leva-la no que seria sua última viagem e isso, aliado a sua complicada relação com Alex Goran (Vera Farmiga) – uma sedutora mulher que ele conhece em uma de suas viagens – vai mudar seu jeito de ver o mundo.

Só a cena inicial, mostrando as diferentes reações das pessoas ao serem demitidas, já faz o filme inteiro valer. Além de contar com uma ótima participação de Zach Galifianakis, é bem-feita e involuntariamente engraçada – afinal, ver demissões não é exatamente cômico – nos deixando interessados em ver para onde o filme vai daí. Aproveito pra dizer que a edição é excepcional, nessa e em várias outras cenas – quando Ryan está arrumando sua mala, por exemplo, mostrando que tudo na vida dele já é sistemático.

Falando em Ryan, George Clooney se sai maravilhosamente bem no papel de protagonista, carismático e com uma atuação segura e cheia de detalhes. Sua reação ao ver o mural de fotos da irmã, por exemplo, é ótima. Toda contida, mas não tem como não perceber sua leve decepção. E ele nunca deixa de seguir seus princípios, por mais deturpados que as pessoas achem. Além de que: solteirão, carismático, cheio de charme com as mulheres e não abre mão dos seus princípios… Clooney tem muito do personagem que interpreta, não?

E como as duas mulheres que seguem Ryan em suas viagens, cada uma com seus motivos diferentes, temos Anna Kendrick e Vera Farmiga. Kendrick está ótima como Natalie Kenner, com seu ar decidido e aquele jeito de novata esperta que se acha experiente. Faz um bom trabalho, com exceção do momento de maior vergonha alheia do filme, quando sua personagem tem um ataque bizarro no meio de um hotel. Sério, se alguém começa a chorar desesperadamente, definitivamente não é daquele jeito. Soou extremamente caricato.

Já Farmiga é outro dos grandes destaques, cheia de sensualidade a cada frame. É provavelmente o personagem mais interessante, se mostrando experiente e centrada em alguns momentos e uma mulher despreocupada com os problemas da vida em outros.  Mas o que a torna realmente interessante é a reviravolta imprevisível do clímax, pois a partir daí ficamos sem saber o que esperar dela. Chega a ser curioso que uma personagem que seja descrita – no próprio filme – como uma versão feminina do protagonista consiga ser ainda mais interessante que ele.

O filme ainda conta com alguns coadjuvantes que aparecem pouco, mas desempenham muito bem o seu trabalho como Jason Bateman (como o chefe de Ryan), Amy Morton (sua irmã) e Melanie Lynskey (a Rose de Two and a Half Men!). E até dois figurantes de luxo: o já citado Zach Galifianakis e J.K. Simmons, que rende uma das melhores cenas do filme.

Tecnicamente, o filme é excepcional. A edição, como já citei, é ótima e não nos deixa dispersos em momento algum e até a edição de som é interessante – note nas cenas em que Ryan arruma sua mala, por exemplo. A trilha sonora, como em qualquer filme de Jason Reitman, é deliciosa de se escutar. Só a música dos créditos iniciais já é daquelas que corremos para colocar no celular/MP3/iPod assim que a sessão acaba.

Por falar em Reitman, é ótimo acompanhar uma carreira em ascenção, não? Com apenas três filmes no currículo, ele novamente se superou com Amor Sem Escalas. Além da direção, também co-escreveu o roteiro, que sem dúvida, é a melhor coisa do filme. Adaptado do livro de Walter Kim, é genial, cheio de dialogos inteligentes e bem-colocadas sutilezas para ilustrar alguns dos temas do filme. Só não vou entrar no mérito de ter ganhado o Globo de Ouro… isso é outro assunto.

Amor Sem Escalas é, sem dúvida, um dos melhores filmes do ano passado. Divertido, envolvente e cheio de significados é mais um ponto positivo para a filmografia de Jason Reitman, que a cada filme se mostra um dos cineastas mais talentosos da nova geração.

Nota: 9

Marcelo Silva

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