FILMES: Avatar (2009)

Gênero: Ficção Científica
Duração: 162min
Origem: EUA
Direção: James Cameron
Roteiro: James Cameron
Produção: James Cameron, Jon Landau

Uma vez um amigo me perguntou pelo Formspring – site onde pessoas podem fazer perguntas a você e vice-versa – o que o cinema representava pra mim. No piloto-automático, respondi que era uma fuga da chatice da vida real. Digo isso porque foi algo que soou meio superficial, já que não pensei muito pra responder. Horas depois, saindo da sessão de Avatar, quase começo a rir sozinho. A resposta que a princípio foi escrita sem pensar, agora era algo que resumia perfeitamente tudo que tinha acabado de viver. Sim, viver. Por duas horas e meia eu vivi em Pandora, aprendi sobre os Na’Vi, voei num banshee e corri pelas florestas. Por duas horas e meia… eu fugi da chatice da vida real.

Promessa é dívida e James Cameron, graças a Deus, sabe disso. Há anos o cineasta vem anunciando aos quatro ventos que seu novo filme seria uma revolução incrível e que depois dele, o cinema nunca mais seria o mesmo. Quem acreditou – eu, por exemplo – criou uma expectativa que foi crescendo quanto mais a estreia do filme se aproximava. Admito que foi bem perigoso adotar essa posição. Afinal, estamos falando do cara que subiu no palco do Oscar e disse que era o rei do mundo, portanto tudo isso poderia ser só papo de diretor empolgado. Por outro lado, se darmos uma olhada na filmografia de Cameron… Em toda a sua carreira, ele só fez verdadeiros espetáculos visuais, sempre deixando sua marca na história do cinema.

Pois é preciso de apenas meia hora para percebermos que não havia exagero algum: o filme não é apenas uma revolução: é a maior experiência cinematográfica que eu já vivi. Por tantos anos, usaram o 3D como uma simples alternativa, um “enfeite” para chamar o público para o cinema. Agora, James Cameron finalmente muda tudo isso: Avatar usa a terceira dimensão para contar uma história, para nos inserir no mundo incrível que ele mesmo criou. E já que estamos falando dele…

Pandora cria uma confusão na nossa cabeça. Em vários momentos simplesmente parecia mais plausível acreditar que Cameron foi mesmo para um planeta desconhecido fazer o filme, tamanha a riqueza de detalhes que os ambientes mostrados apresentam. E não é apenas isso, afinal, poderia ter um monte de detalhes e ser em 3D, mas ainda assim não acreditaríamos que aquilo podia existir.

No entanto, Pandora tem vida. Vemos animais passando pelas árvores, insetos voando, gotas de orvalho nas folhas pela manhã… Durante a noite então, o planeta é um espetáculo a parte: todas as plantas e árvores exibem luzes azuladas e esverdeadas, deixando as florestas com um visual espetacular. E o fato de nos sentirmos dentro desse ambiente dá um gostinho todo especial a esses detalhes, nos deixando meio frustrados sempre que o filme sai do planeta para mostrar a ação acontecendo na nave.

Depois que somos apresentados ao lugar, é a hora de conhecermos o povo que habita nele. E o que dizer dos Na’Vi? Não vou desmerecer nenhuma produção anterior que usou captura de movimentos, até porque o que foi feito em Avatar foi outro aperfeiçoamento criado especialmente pro filme. Mas são seres digitais absolutamente perfeitos.

Todas as limitações que envolviam esse tipo de técnica são resolvidos: a pele absurdamente lisa, os olhos inexpressivos e os pequenos detalhes que só uma atuação realmente “humana” pode mostrar, não são problemas aqui. Ainda não tive a chance de ver em IMAX – o que pretendo fazer em breve – mas mesmo num cinema 3D convencional é possível ver coisas como poros e saliências na pele dos Na’Vi. Os olhos, são enormes e vivos e é possível ver cada leve movimento de corpo, olhar torto ou aceno.

Não se engane: o elenco que empresta voz e movimentos para os seres alienígenas não aparecem como meros modelos de corpo. Todos entregam uma atuação excepcional. Sam Worthington (que esse ano também foi visto em Exterminador do Futuro 4) aparece cheio de carisma no seu avatar – enquanto na forma humana ele só vai crescendo durante o filme – e Sigourney Weaver está excelente como a cientista Grace. Nem é preciso dizer que a fidelidade com que os rostos desses atores são representados nos seus respectivos avatares é assustadora.

Não são só eles que merecem destaque. Michelle Rodriguez está ótima, apesar de parecer uma atriz fadada a fazer o papel de mulher durona… pelo menos ela é boa nisso. Stephen Lang é uma das melhores coisas do filme como Quadritch, um vilão clássico, aquele brutamontes durão que está pouco se lixando para sentimentos e cultura, só quer cumprir sua missão. É desde já um dos grandes vilões do cinema atual, tão odioso que ficamos ansiosos para ver a hora que ele vai se dar mal.

E é claro, não podemos esquecer da melhor atuação do filme: Zoe Saldaña (Star Trek) está maravilhosa como Neytiri, numa atuação complexa e desafiadora para a atriz, considerando que a personagem tem uma enorme expressividade e várias explosões emocionais durante o longa. Além de ser difícil pra ela, leva ao limite a tecnologia para desenvolver a Na’Vi, afinal, precisamos acreditar quando ela se emociona ou se enfurece com Jake, por exemplo.

Por isso, alguns dos grandes momentos do filme acontecem quando Cameron resolve desafiar a capacidade da tecnologia que criou. Como na cena em que Jake corre no corpo de seu avatar pela primeira vez, afundando os pés na terra e depois mordendo uma fruta. Ou nos momentos finais, em que Na’Vi e humano interagem e uma lágrima cai dos olhos do alienígena, nos deixando simplesmente embasbacados com tamanha perfeição dos efeitos visuais.

Dito tudo isso, acho que nem é preciso comentar que todo o resto da parte técnica se beneficia dessa tecnologia fantástica. A fotografia é belíssima e algumas sequências, como o voo nos banshees de Jake e Neytiri já figuram na lista de grandes cenas dessa década. Isso sem contar, mais uma vez, os detalhes, como os raios de sol batendo nas copas das árvores e nas folhas.. novamente, dá pra duvidar que isso tudo foi mesmo criado por computador. E a trilha sonora de James Horner é maravilhosa e pontual, aparecendo sempre nos grandes momentos do filme, o que ajuda a tornar diversas cenas memoráveis.

Finalmente chegamos ao ponto de Avatar que vem sendo tão discutido pelos críticos: o roteiro. Quem conhece James Cameron sabe que, apesar de criar histórias emocionantes e conduzi-las como ninguém, ele não é exatamente um primor na hora de criar díalogos e ainda usa vários argumentos meio batidos. Mas acho que esse é um dos poucos filmes em que isso não chega a ser um grave problema.

Sério, há quanto tempo não temos um filme com uma história tão sincera e que consiga envolver de um jeito tão incrível? Porque o envolvimento com o filme não depende só dos efeitos – dá pra fazer uma lista de filmes 3D que são ruins mesmo com bons efeitos – mas também dos personagens, da narrativa… e nisso Avatar acerta em cheio. Há momentos extremamente prevísiveis, claro – toda a mudança pelo qual o protagonista passa e a “surpresa” no terceiro ato, por exemplo – e uns díalogos bobos. Mas são erros pequenos e perdoáveis, até porque Avatar nos dá uma sensação irônica: diante de todo o deslumbre visual e inovação tecnológica, sentimos um ar nostálgico durante o filme.

Talvez seja pelo fato da história ter sido desenvolvida por Cameron nos anos 90 ou por ter um clima de aventura contagiante do jeito que só filmes como Indiana Jones, Star Wars ou De Volta para o Futuro tinham. Mas, mais do que tudo isso, Avatar dá uma sensação de nostalgia por um motivo que até o aproxima mais dos três filmes citados: tal como as florestas e os personagens, a paixão de James Cameron pelo mundo que criou salta a tela.

Sua direção é cuidadosa, mostra o carinho que ele tem pelo filme e pelos espectadores. A sequência de guerra no clímax do filme é um exemplo de como fazer uma cena de ação – a filmografia do diretor é repleta desses “exemplos”: tem algo acontecendo em todos os lugares e Cameron consegue mostrar tudo de forma clara e precisa – vale ressaltar o trabalho de edição do filme aqui, excelente – sem fazer centenas de cortes por segundo, o que tornaria o filme confuso, estúpido e bagunçado – vide… qualquer filme do Michael Bay – nunca nos confundindo e sempre nos convidando a fazer parte daquilo.

Avatar é um filme que faz qualquer um lembrar porque o cinema é tão fascinante. Depois de quase uma década vendo mundos que já existiam em outras mídias – livros, quadrinhos, televisão – conhecer um mundo completamente novo ao entrar na sala de cinema é uma sensação que eu pensei que essa geração jamais iria experimentar. Eu mesmo nunca tinha experimentado e agora nunca mais vou esquecer.

Foram doze longos anos, mas James Cameron finalmente voltou com seus eventos cinematográficos e agora podemos ver como ele fez falta. Só espero que ele não pare mais, porque, como eu disse no começo do texto, Avatar foi uma fuga da chatice da vida real. E eu só quero fugir para mundos novos como Pandora de novo…

Nota: 10

Marcelo Silva

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20 comentários sobre “FILMES: Avatar (2009)

  1. E aí… estou voltando a atualizar meu blog e conferir os blogs dos companheiros também hehehe.

    Gostei muito de Avatar… infelizmente não pude assistir em 3D pois aqui em Aracaju ainda não temos salas disponíveis para tal, mas mesmo assim fora uma experiência incrível tanto visualmente como dramaticamente. Cameron não utilizar os efeitos visuais como um Michael Bay, ele os faz de maneira complementar e essencial na trama, mas não como o único fato relevante no longa. A trama em si nos empolga do início ao fim. E concordo com você… Cameron não deveria ficar parado por tanto tempo, ele é um diretor fabuloso,até revolucionário eu diria.
    Abraço!

  2. Cara, parabéns, de verdade, cada vez mais me impressiono com a sua habilidade e perspicaz em escrever, além do mais com um filme desses imagino de onde veio a inspiração hehe. E que pergunta o seu amigo fez pelo formspring hein?!

    Abraço

  3. Rafael
    Valeu pelos elogios!

    Renato
    Esse meu amigo só faz perguntas complicadas… mas depois de um tempo eu consigo tirar de letra. Elas são sempre bem-vindas,hehehe…
    Fui longe com esse filme. Não é a toa que esse foi o texto que mais gostei de escrever em dois anos de blog…

  4. Estava do seu lado vendo esse filme! Foi uma experiencia incrível ver esse filme, estava com as expectativas lá no alto tambem alguns dias antes do filme, mas toda essa tensão e apreensão valeu a pena, realmente tudo é inacreditavel e inesquecível!

    Gostei mto do texto também, Marcelo, vc disse tudo aquilo que tinha que ser dito com mtos detalhes. Agora vou mostrar esse seu texto pros meus amigos que ainda não consegui convencer a ver esse filme pra eles irem logo de uma vez! kkkkkk

    Abraçoo!

  5. Confesso que não estava tão ansioso pelo filme, no fundo no fundo era apenas mais um filme que eu ia ver, mas, tendo recebido o convite do senhor, me prontifiquei a ir. Nos primeiros 15 minutos de filme, pensava eu “será que realmente é tudo isso?”, passados 40 minutos de filme já me via totalmente fascinado e boquiaberto por tamanha riqueza de detalhes em todos os sentidos. O filme realmente te transporta para uma outra realidade, quando as atenções do filme são voltadas todas aos cenários de Pandora, adotamos esse mundo como “nosso”, tamanha fascinação que ele causa. Nos sentimos na pele dos personagens ao se aventurar por Pandora, é lógico que os efeitos em 3D ajudam 🙂
    Enfim, personagens totalmente carismáticos, com expressões faciais lindas, os cenários mais belos que já vi e um envolvimento inegável na história, simples, porém fascinante.
    Hoje me pergunto como não estava ansioso pra ver esse filme, sendo que agora estou ansioso até para reve-lo ;D
    Concordo em genero, número e degrau com toda a sua análise, parabéns :), e como eu já te disse, dou 10 sem pensar duas vezes 😀

  6. Diego
    Também valeram a pena as 3 horas de espera no shopping,hehe… E divulgue sim! Fica bom pro blog e mais pessoas veem esse filme, que merece ser visto! Todo mundo sai ganhando,hehe.

    Luis
    A maioria das pessoas que não conhecia muito o diretor ou só tomou conhecimento do filme nos últimos meses não esperava muita coisa, até porque, sinceramente, o primeiro trailer foi uma decepção gigantesca e as primeiras imagens não empolgaram ninguém. Eu mesmo só continuei ansioso porque se tratava de James Cameron e eu confiava cegamente na capacidade dele.

    Se puder, agora leve a família pra rever no IMAX. Deve ser uma experiência ainda mais incrível!

  7. Huuuuuumm, perfect, parabens pelo texto, ficou muito bom, rafs e só de pensar que ficamos umas 4 horas andando pelo shopping pra ele comecar USUHUH mais valeu muito apena hein dom, foi fda 😀

  8. Pingback: Filme da Semana « Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos
  9. Avatar foi um filme que marcou. Foi a primeira produção cinematográfica que vi em 3D. Por um momento fiquei na dúvida se deveria ver mesmo em 3D, pois, baseando nas experiências nos brinquedos do Hopi Hari, sabia que ficaria morrendo de dor de cabeça ao final da projeção. Aconteceu como o previsto? Sim, mas sou eternamente grato por aquela vozinha que insistia no meu subconsciente que dizia que eu deveria ver em 3D. Esse é o tipo de dor de cabeça que não me incomoda. Ver Avatar foi uma experiência única até o momento. O filme pode não ter uma narrativa fora do habitual e pecar na história previsível do início ao fim, mas esses detalhes são praticamente desconsiderados diante da magnitude alcançada pelo avanço do aspecto visual do filme. Os personagens digitalizados a partir da captura de movimentos estão cada vez mais reais – neste filme, eles beiram a perfeição – e o fator 3D foi um grande ponto positivo do longa. Não gosto muito de ver Cameron sendo paparicado pela criação de um planeta inteiro novo – o que não acho lá aquela coisa. Eu não teria tal capacidade pois minha criatividade é limitada, mas essa não é a primeira vez que algo grandioso é criado com tantos detalhes. Quantos jogos já não foram criados com uma fauna e flora específica? E o mundo de O Senhor dos Anéis? Enfim… – o mérito que eu dou a ele é em relação ao aspecto visual do filme, que está impecável. O casamento com o artifício 3D foi perfeito, fazendo com que nos sentíssemos na floresta de Pandora. Não tinha nada pulando nos nossos olhos como naqueles filminhos de brinquedos de parque de diversão. O que tivemos aqui foi essa tecnica sendo sutilmente usada para fazer com que o expectador fizesse parte dos cenários.
    Definitivamente um filme muito bem feito e que tenho vontade de rever (em 3D, é claro).

  10. eu e minhas amigas iamos ao shopping comprar umas roupinhas, dai, vimos o cartas do avatar e a jéssi disse:
    _vamos assistir, é outro filme qualquer…

    Saimos do cinema TONTAAAAAAAAAAS!!!!!!!!!! O filme é muioto lindo ficar 02:30 sentada se ir ao banheiro por nehum segundo pagar 45 reais, eu pagaria o dobro, valeu muito a pena!!!!!!!!

  11. Vc Marcelo,foi formidavel.Assisti ao filme, chorei, mas quem realmente me transportou para Pandora foi sua pessoa, com seu comentario.O melhor que pude ler, o mais real, o mais comovente numa conversa simples e transparente. Realmente entendo que definitivamente nada vai ser a mesma coisa, graças a este James Cameron.Me dê uma carona quando vc for a Pandora,depois de ler seu comentário,estou achando a vida muito chata e sem sentido aqui no planeta Terra.

  12. sei que nos comentarios assima sejam bem leves e tal e vcs achem que só comento por comentar, mas, hoje minhas amigas vieram aqui em casa de novo e adivinha o que elas quiseram assistir…
    P.S:compramos pirata de cinema(mas o cara gravou muito bem)
    …AVATAR, bem, ele ta aki em casa, o DVD, mas a anciedade de assistir!!!!!!(:D AI AI falar nele da vontade de assistir a 6° VEZ!!!!!!! Caramba!!!!

    P.P.S: espero que entendão como eu gosto dele!!!!!!!!!!!!

  13. olha eu vi o AVATAR e quem “num” gosto e burro ou louco tudo bem que teve um “cara” que ficou na miha frente mais do mesmo jeito foi IRADO e da vontade de assistir de novo e eu fiquei com o oculos escondido no bolso pois era muito “iradimal”

  14. AVATAR, O melhor filme de 2009!!!!
    “É a maior experiência cinematográfica que eu já vivi.”…

    Realmente, o filme tem vários pontos interessantes, além da ótima qualidade de imagem 3D, admirei a idéia do diretor criar um ambiente em que os humanos podem se comunicar com a natureza e o poder que ela pode transmitir, os tipo de conexões, lembram até o famoso cabo usb (Plug and play)…rs

    Já assisti o filme milhares de vezes, não tem como enjoar…o filme é ótimo.
    Logo, vem a pergunta: Vai demorar para lançar o avatar 2?
    O mundo precisa dessa criatividade fantástica nas telinhas.

    Grande abraço.
    William Ramos

  15. Eu achei o filme ótimo que até tô fazendo trabalho sobre ele para eu entregar pro mineiro eo e o fatico do Paulo sergio.. o filme e massa …

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