Melhores da década: O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel (2001)

Por pouco, O Senhor dos Anéis não ficou só nos sonhos de Peter Jackson, diretor dos três filmes. Começou como uma saga em duas partes. Depois, decidiram que seria apenas um filme condensando toda a saga do Anel, até Jackson correr atrás de outro estúdio e achar a New Line, que estabeleceu que seria uma trilogia, afinal, a história foi concebida assim nos livros.

Oito anos e mais de US$ 200 milhões depois, um dos maiores projetos da história do cinema finalmente ganhou as telonas. O resultado foi uma das melhores trilogias de todos os tempos, uma aventura épica, com sequências de guerra espetaculares e efeitos visuais de tirar o fôlego. Três filmes que marcaram a década, cada um a seu modo. E A Sociedade do Anel começa a saga de modo simplesmente perfeito.

Peter Jackson era a pessoa perfeita para esse projeto. Fã da obra de Tolkien desde a adolescência, ele sabia exatamente como lidar com o complexo universo criado pelo autor e o modo certo de transportá-lo para o cinema. Por isso, A Sociedade do Anel já começa genial, com um prólogo de 7 minutos contando a história dos anéis, como o Um Anel foi criado e mostrando a Era da Escuridão, em que Sauron dominava tudo.

Não tinha jeito melhor de começar o filme. Além de situar o espectador que não conhecia o universo de Tolkien, ainda consegue nos mergulhar completamente na Terra-Média, de modo tão envolvente que chega a ser um baque quando os créditos aparecem na tela. Vemos a Última Aliança entre Elfos e Homens e apenas algumas das diversas tomadas espetaculares de guerra que temos em toda a trilogia.

Mas o grande triunfo de A Sociedade do Anel é o roteiro. Um exemplo de adaptação a ser seguido, conseguindo manter a fidelidade a obra original sem precisar fazer uma transposição cega, página por página do livro – um dos grandes problemas dos dois primeiros Harry Potter, por exemplo – afinal, são duas linguagens bem diferentes. Constrói cada personagem de maneira eficiente – no final, Aragorn já é um dos nossos personagens preferidos, sendo que sua primeira aparição no filme é repleta de mistério.

E que bom ver que Jackson – que roteiriza as três partes com outras duas pessoas – consegue captar algo que poderia facilmente ser perdido, o que tiraria todo o brilhantismo das adaptações: a “alma” de Tolkien e o toque tão especial que ele deu a batalha do bem contra o mal estão lá, intocadas nos filmes.

Isso fica claro em cenas como a que Frodo derruba o Anel na neve e ele é pego por Boromir. Em poucos minutos, vemos a reação de cada membro da Sociedade vendo o Anel desprotegido, a fraqueza do homem – no caso, Boromir – diante daquele poder maligno, mas tentador e toda a importância que aquele simples objeto carrega. Coisas que podem ser descritas com facilidade num livro, mas são complicadas de se mostrar no cinema, estão ali.

O primeiro filme da saga também beira a perfeição em aspectos técnicos. A maquiagem, figurino, direção de arte, a envolvente trilha sonora de Howard Shore e claro, os efeitos visuais, desenvolvidos pela WETA Digital – empresa do próprio Peter Jackson – são praticamente referências hoje em dia. A cena do Balrog nas Minas de Moria é inesquecível. Não só pelos efeitos mas pelo que acontece na cena, que termina triste e quase desesperadora.

As atuações são um caso a parte: Ian McKellen cria um Gandalf icônico, que deve ter feito muitos fãs ficarem com os olhos brilhando, de tão fiel ao personagem de Tolkien. É, fácil, o melhor em cena. Mas não chega a ofuscar o resto do elenco: Ian Holm cria um Bilbo Bolseiro excelente, ao passo que Hugo Weaving está ótimo como Elrond – deve ter sido maravilhoso pra ele emplacar com dois personagens marcantes no cinema ao mesmo tempo. Afinal, além do elfo ele também interpretou o Agente Smith na trilogia Matrix.

E o que dizer de Christopher Lee como o vilão Saruman? Outro que, na época, estava com outro grande personagem nos cinemas – Conde Dokku, o poderoso sith de Star Wars – e dá um show neste filme. Pena que perca espaço no próximo… Bem, é complicado analisar um por um, afinal, o elenco é enorme, mas felizmente, não há ninguém ali que não fez um trabalho menos que excepcional. Todos muito bons e em sintonia perfeita. Não é a toa que Senhor dos Anéis ficou marcado como um filme cujo elenco parece ter caído do céu, pois cada ator ficou perfeito no seu personagem.

O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel é um daqueles filmes que depois que vemos, não conseguimos parar de pensar. Cenas marcantes, personagens que cativam e um mundo incrível, criado por J.R.R. Tolkien e reproduzido com fidelidade e carinho por Peter Jackson, num dos melhores filmes desta década e possivelmente, de todos os tempos. E era só o começo da jornada…

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É claro que a saga do Anel não termina por aqui nessa seção. Mas no próximo “Melhores da década”, uma mulher sai em busca de vingança, no melhor estilo Tarantino de ser… fiquem ligados!

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3 comentários sobre “Melhores da década: O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel (2001)

  1. Adoro O Senhor dos Anéis! Fui assistir todos no cinema (e quando assisti o primeiro eu era bem pequeno. Nove ou dez anos) e simplesmente adorei! Tenho todos aqui bonitinhos!

  2. cara, muito lindo seu texto

    fiquei emocionado pois adoro este filme e o considero disparadamente o melhor da trilogia, inclusive achei acertadíssima a opção da AFI de apenas incluir esta parte da trilogia na sua lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos

    acho que apenas este filme visou totalmente ocomo a história deve ser contada como cinema e ficou perfeito, os outros ficaram um bocado confusos(principalmente o retorno do rei, o mais badalado e eu nem entendo o porquê)

    enfim, este foi um dos melhores textos que li sobre o filme, o que melhor explica o porque de eu achar um filme perfeito, livre de falhar e inesquecível

  3. Felipe
    Também tenho todos os filmes! E recentemente comprei os livros, logo logo começo a ler (no momento, estou lendo “O Hobbit”)

    Jonathan
    Olha que A Sociedade do Anel nem é o meu preferido. Não acho que os outros dois ficaram confusos, são jovens clássicos também – O Retorno do Rei é meu favorito,hehe – mas nenhum dos outros dois teve tanto coração quanto esse e é isso que o diferencia do resto da trilogia.
    Valeu pelos elogios!

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