Melhores da década: Na Natureza Selvagem (2007)

E enfim começa a nova seção do Comentando Cinema, que vai durar um mês inteiro. O nome dela é auto-explicativo, certo? Vamos ver todos os grandes filmes que saíram nos últimos anos, os que merecem serem lembrados e os que tem grande chance de virarem clássicos no futuro. E nada melhor do que começar com o que talvez seja o filme mais injustiçado em premiações nesta década.

Sean Penn adaptou o livro contando a história (verídica) de Chris McCandless para um filme incrível, repleto de atuações inspiradas, uma trilha sonora sensacional e um roteiro excelente. Na Natureza Selvagem é uma verdadeira obra-prima, emocionante e indispensável para qualquer cinéfilo.

Baseado numa história real, o filme traz Chris McCandless, rapaz bem-sucedido que, após se formar, resolve largar tudo e se afastar da sociedade, para começar uma jornada rumo ao Alasca e viver em meio a natureza. No caminho, vai conhecer diversas pessoas e fazer várias amizades, aprendendo muitas coisas com elas e outras com as dificuldades que a realidade pode trazer com o tempo.

Sean Penn estava querendo filmar essa história desde a época que ela aconteceu,  no entanto, só depois de muito tempo obteve o consentimento da família de McCandless para isso. Todos sabemos que, como ator, Penn é um monstro, extremamente talentoso e ousado e como diretor, estava construindo uma carreira sólida e até elogiada. Mas Na Natureza Selvagem mudou tudo: não é apenas seu melhor trabalho na direção como é um dos melhores filmes da sua carreira.

Sua direção é excelente e, junto com o diretor de fotografia Eric Gautier, ele cria planos maravilhosos mostrando as belas paisagens por onde o Supertramp – pseudônimo criado pelo próprio protagonista – passa durante o filme. Isso, aliado as belas músicas compostas por Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, criam cenas difíceis de esquecer. Também é preciso ressaltar outro aspecto técnico, a edição do filme, espetacular, intercalando a jornada de Chris com seus dias já no “Magic Bus”.

Mas já que citei a trilha sonora… que trabalho incrível. O Pearl Jam já era uma das minhas bandas favoritas há um tempo e sempre admirei muito o trabalho de Vedder, compositor de algumas das maiores músicas da banda. Aqui, a qualidade não muda. Sozinho, o vocalista de uma das grandes bandas dos anos 90 faz canções fantásticas, daquelas pra não cansar de ouvir, como a bela “Society”, a redentora “Guaranteed” ou a empolgante “Hard Sun”, que considero a melhor da trilha.

No entanto, a maior surpresa de Na Natureza Selvagem fica por conta do seu ator principal, Emile Hirsch. Até então, ele não tinha mostrado nada que merecesse grandes elogios e parecia fadado a produções qualquer nota que a “galera” se reúne pra assistir, como “Show de Vizinha” – ok, é um guilty pleasure meu, mas mantenham isso em segredo,hehe – mas a decisão de participar desse filme foi a melhor coisa que ele podia ter feito.

Hirsch rouba a cena na pele de Chris McCandless, sem exageros ou explosões emocionais, ele entrega uma atuação contida e repleta de detalhes – seus olhos brilham quando ele está na natureza, mas seus breves momentos de volta a cidade o deixam com uma clara expressão de desgosto. E nem preciso citar a assustadora transformação que o ator passa ao decorrer do filme. Não é qualquer ator que está disposto a tal experiência, por isso já dá pra ver que Emile Hirsch tem um futuro promissor (e tem mesmo, nos dois últimos anos já trabalhou com os Irmãos Wachowski, Gus Van Sant e Ang Lee).

Claro que não é só dele que vive o filme. O resto do elenco também está ótimo e os grandes destaques ficam por conta de William Hurt, como o pai de Chris – a cena em que ele se entrega as emoções nos momentos finais é ótima – Catherine Keener e é claro, o indicado ao Oscar pelo papel, Hal Holbrook, comovente como um homem que simplesmente deixou de curtir a vida, com medo de sofrer.

Eu poderia escrever muito mais sobre esse filme, falar de cada detalhe, mas aí o texto ficaria gigante e ninguém teria paciência pra ler não é? Portanto, acho que já dei motivos suficiente para mostrar porque Na Natureza Selvagem é um dos melhores filmes desta década. E ainda provou como o Oscar anda sem crédito nos últimos anos: o filme recebeu apenas duas indicações – Ator Coadjuvante e Edição – e não levou nada. Lamentável, mas não importa, pois esse filme está acima de qualquer premiação…

Até o próximo “Melhores da década”, com uma das melhores trilogias de todos os tempos…

Anúncios

4 comentários sobre “Melhores da década: Na Natureza Selvagem (2007)

  1. Incrível como pensamos parecido para certos filmes. Você pontuou exatamente o que me chamou atenção no filme. As atuações estão ótimas. Willian Hurt, mesmo aparecendo pouco, me chamou muito a atenção, principalmente naquelas cenas curtas de desespero dele ao sentir a falta do filho.
    Um nome que você não citou (talvez por não ter gostado) foi Kristen Stewart. Aprecio essa atriz desde quando a vi no filme Quarto do Pânico. Muitos dizem que ela é uma atriz fechada e de pouca expressão. Eu já acho o contrário. Sua cara fechada e seu jeito tímido, por mais que pareça uma característica da atriz, creio que seja também uma característica da personagem. Pode parecer uma atuação estranha, mas eu acho que beira muito a realidade, fazendo eu crer que encontraria uma pessoa como ela (personagem) na rua.
    Este é o tipo de filme que quando terminamos de assistir, nos pegamos soluçando, arrepiados e refletindo intensamente sobre questões básicas da vida.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s