FILMES: Michael Jackson’s: This is It (2009)

Gênero: Documentário – Musical
Duração: 112min
Origem: EUA
Direção: Kenny Ortega
Roteiro: Kenny Ortega
Produção: Randy Phillips, Paul Gongaware

No começo desse ano, o mundo inteiro se surpreendeu com Michael Jackson: o rei do pop fez o anúncio oficial de seu retorno aos palcos para julho desse ano. A turnê, chamada de “This is It”, começaria com 50 shows em Londres e seria sua despedida dos palcos. Uma ótima maneira de se finalizar “oficialmente” a carreira.

Bem… o que veio depois nós já sabemos. E todos ficaram curiosos para saber o que o rei estaria preparando para seu retorno. Mas Michael Jackson’s: This is It não apenas satisfaz nossa curiosidade, como mostra que o aguardado retorno seria mais do que triunfal: tinha tudo pra ser um dos maiores shows que o mundo já viu. Mais do que isso, o documentário é um belo tributo a Michael Jackson e uma ótima maneira de deixar viva a lembrança do grande artista que ele foi.

Com mais de 100 horas de ensaios nas mãos, o diretor Kenny Ortega (que além do show, também dirige esse documentário) tinha material o suficiente para lotar um segundo disco de um futuro DVD com algum show dessa última turnê de MJ. Infelizmente, ela nunca acontecerá e com isso, o que provavelmente seria um DVD duplo lotado de making offs e featurettes virou um empolgante documentário com quase duas horas de duração.

O começo é triste, com um letreiro explicando o que veremos a seguir e vários depoimentos dos dançarinos loucos de ansiedade para os shows. É impossível não sentir aquela tristeza, pois dá pra ver que todos ali estão empolgados de verdade, não apenas para ficar bonito diante da câmera. Mas a tristeza só bate no começo do filme – e no fim, por outros motivos – porque depois disso, temos sequências cheias de dança, música e muita animação. E fica bem óbvio que não teríamos metade disso nesses ensaios se não fosse por ele.

Michael Jackson transborda energia nos ensaios. Canta e dança como se já estivesse no show, chegando até a ficar um pouco nervoso com a sua própria empolgação num determinado momento. Claro que ninguém da equipe ousa pará-lo, afinal quando ele entra no palco todos ao redor parecem hipnotizados. E nós, do outro lado da tela também.  O astro inspira tanto respeito que o próprio diretor do show, Kenny Ortega, se refere a ele como “Sir” e segue diversas ordens. Mas isso acontece naturalmente, vemos que MJ era mesmo uma pessoa modesta, nunca se colocava acima de Ortega, apenas expressava suas opiniões, afinal, é um show que saiu da cabeça dele.

Podemos ver o seu tão comentado perfeccionismo, o que rende até alguns momentos de maior tensão nos ensaios, já que ele parece querer ouvir algo que não consegue explicar a banda. Mas mesmo nesses momentos, ele tenta ser gentil e carinhoso com a equipe e com as pessoas de quem cobra algo, sem cansar de repetir que tudo aquilo é para o bem delas e por amor (“L-O-V-E… love”).

Outro grande trunfo do documentário é o setlist que estava preparado para o show. Era perfeito, reunindo algumas das melhores músicas do rei. Como o próprio disse: ele iria cantar o que os fãs queriam ouvir. E iria acertar em cheio. “Billie Jean”, “Thriller”, “Wanna Be Startin’ Something”, “Smooth Criminal”, todas estão presentes nos ensaios, com coreografias fantásticas – variações das turnês antigas mas elas não eram menos fantásticas antigamente – e várias delas, com uma inovação: uma introdução no telão do palco, feita toda em 3D.

A sacada de colocar esses vídeos como parte do documentário foi ótima, mas aí é aquela coisa… os clipes foram feitos para passar num telão no show, na tela do cinema tem aquele ar de produção bem decente, mas meio simples (afinal, não tínhamos óculos 3D disponíveis…). Até o clipe original de “Thriller” ficaria mais bacana – e eu pensei que o tal clipe em 3D que passaria no show seria esse, só com efeitos inseridos… – apesar da nova versão para o clipe de uma das músicas mais famosas de MJ também ser muito bem bolada.

Tecnicamente, o longa tem problemas como esse, além de poder acabar sendo um pouco cansativo para quem estava apenas curioso e não chegava a ser fã ou admirador do astro – acreditem, encontrei muita gente no cinema que se aplicava a esse caso – afinal, são quase duas horas de palco. Mas problemas assim são compensados pela edição, sensacional, visto que a maioria das músicas ali devia fazer parte de ensaios diferentes, mas é tudo muito bem-feito e em algumas músicas, só percebemos que são ensaios diferentes pela roupa de Jackson e pela resolução das câmeras, que mudam várias vezes. Um trabalho excepcional.

O documentário termina com a icônica (e ótima) “Man In The Mirror”, cantada com entusiasmo por MJ no ensaio. E mesmo sem querer, dá aquele nó na garganta, aquela tristeza de que nunca veremos o resultado de tanto esforço, não só do rei do pop, mas de todos os envolvidos no projeto.

O fato de sairmos com um misto de felicidade – por ver que MJ ainda estava com tudo – e tristeza – por saber que nunca veremos o show pronto – do cinema é o que torna This is It imperdível. Ficamos com esse último registro do artista, esquecendo as polêmicas e os problemas que envolviam ele e lembrando de Michael Jackson como ele merece ser lembrado: no palco, fazendo o que ele sabia fazer melhor…

Nota: 8,5

P.S.: Depois dos créditos, ainda há algumas surpresas, portanto, não saia do cinema.

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