FILMES: Up – Altas Aventuras (2009)

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Gênero: Animação – Aventura
Duração: 96 min
Origem: EUA
Direção: Pete Docter, Bob Peterson
Roteiro: Bob Peterson
Produção: Jonas Rivera

Com personagens fantásticos, uma história que nos faz rir e chorar e algumas das melhores cenas de ação do ano (vejam só…), Up – Altas Aventuras é, como eu já esperava, o melhor filme de 2009 até agora. Em pouco mais de uma hora e meia, somos levados numa viagem simplesmente inesquecível e envolvente de tal modo que foi um choque quando as luzes se acenderam e fui tirado daquele mundo incrível. Mas saí da sessão com um largo sorriso no rosto, mais feliz do que nunca e com uma satisfação indescritível. A Pixar mais uma vez me impressionou…

Carl Fredericksen (ninguém mais ninguém menos que Chico Anysio na dublagem nacional) sempre sonhou em viajar o mundo. Ao lado de sua amada Ellie, queria visitar lugares como as incríveis cachoeiras da América do Sul. Mas ele não contava com os difíceis obstáculos da vida. Com isso, o tempo passa sem que esse sonho seja realizado. No entanto, quando ele já está com mais de 70 anos, toma uma decisão… inesperada: amarra milhares de balões à sua casa e resolve voar em busca de aventuras. Não demora muito para os seus planos sofrerem uma mudança radical, quando ele descobre que um garoto tagarela de 8 anos, chamado Russell acabou indo junto com ele sem querer. A dupla inusitada vai embarcar numa jornada repleta de criaturas incríveis e vilões perigosos, em lugares simplesmente sensacionais.

As animações da Pixar conseguem emocionar até o espectador mais durão. Foi assim quando Buzz descobriu que era só um brinquedo em Toy Story, quando Sulley se despediu de Bu em Monstros S.A., quando Marlin finalmente reencontra o filho em Procurando Nemo ou quando Eva pensa que perdeu seu grande amor pra sempre em Wall-E, só para citar alguns exemplos. No entanto, todos esses momentos citados acontecem ou no clímax ou já nos desfechos dessas animações. Mas em Up, já nos emocionamos logo no início, em 10 minutos de filme!

Numa sequência não menos que perfeita, acompanhamos toda a vida de casados de Carl e Ellie. Sem nenhum díalogo, apenas ao som da belíssima trilha de Michael Giacchino, vemos como o casal sonhador acabou tendo que lidar com a dura realidade, repleta de decepções e obstáculos que impedem a jornada pelo mundo que tanto planejam. Mas mesmo com tudo isso, os dois nunca deixam de se amar. O nó na garganta – ou as lágrimas, para quem se emociona com mais facilidade – vem quando a realidade resolve dar o mais duro golpe na vida do casal. Quando essa introdução acaba, já estamos completamente envolvidos com o filme, sentindo que somos parte dele. E nem precisou de efeitos 3D para isso…

Um velhinho de 70 e poucos anos como protagonista de uma animação cheia de aventuras soa estranho não? Mas a Pixar, que já colocou tantos protagonistas inusitados em seus filmes – ratos cozinheiros, monstros de armário… – torna tudo mais interessante, como já era de se esperar. E o melhor: Carl Fredericksen surge como um dos personagens mais interessantes que o estúdio de animação já concebeu. Ajuda muito a já citada introdução, que apresenta o personagem de forma brilhante, mas toda a sua construção e evolução durante o filme é fascinante.

E que grata surpresa ver Chico Anysio, um dos melhores atores – e certamente o melhor comediante – do Brasil completamente a vontade na dublagem nacional. É fácil cair na armadilha de chamar gente famosa pra dublar animações – ou qualquer outro filme infantil – e o resultado ser desastroso (Veja filmes como Ponte para Terabitia ou Robôs na versão dublada. Chega a ser bizarro), mas aqui não demora muito para percebermos que a escolha foi perfeita. Consegue tornar o protagonista ainda mais interessante.

O companheiro de Carl é um show a parte. Russell é carismático e engraçadissímo e em certos momentos, leva as gargalhadas muito fácil, diferente do velhinho rabugento. Isso rende cenas hilárias, como Carl imaginando um jeito fácil de se livrar do garoto quando este diz que quase dá pra tocar nos prédios, quando a casa já está nos ares ou quando Russell dá de cara com o vidro do dirigível de Muntz e vai passando lentamente, sob o olhar incrédulo do ex-aventureiro – Alias, cortes rápidos como o da primeira cena citada ou esses momentos silenciosos e engraçados são típicos das comédias americanas. Mais uma fonte de inspiração?

Claro que a ideia de duas pessoas que não tem absolutamente nada em comum serem obrigadas a viverem juntas não é exatamente original, mas clichê tem em (praticamente) todo filme. Só tem que saber usá-lo… Outra coisa que já foi usada a exaustão nas animações é o “coadjuvante engraçadinho”. No entanto, a Pixar tem uma galeria de coadjuvantes memoráveis – Mike de Monstros S.A., Dory de Procurando Nemo, Mate em Carros, só para citar alguns exemplos – e aqui temos dois animais, Dug, um cachorro “falante”, que vai fazer a festa das crianças no cinema e Kevin, um pássaro enorme e colorido, que não fala uma palavra, mas consegue nos conquistar facilmente.

E pra finalizar a galeria de personagens, temos o vilão Charles Muntz, que é ainda mais velho que Carl – o que rende uma piadinha no clímax – e apesar de surgir já na metade do filme – ele até aparece antes, mas só num flashback – também é um personagem muito bom, principalmente pelo seu jeito clássico, que já não víamos em vilões de animações há um bom tempo. Ele berra ordens e perguntas, fica nervoso facilmente, quer alcançar seus objetivos custe o que custar e até seu destino é típico dos vilões da Disney. Olha aí mais uma vez o clichê bem usado…

Enfim, a parte onde o filme é simplesmente perfeito: os aspectos técnicos. Vale lembrar que esse é o primeiro filme da Pixar feito em 3D. Mas não vá ao cinema esperando ver a casa voando na sua direção ou coisa do tipo. Os efeitos em terceira dimensão são mostrados de maneira muito sutil, raramente servem para mostrar as coisas “saltando” da tela, na verdade, quem prestar atenção vai perceber que o 3D é usado para dar profundidade aos cenários, que parecem absurdamente grandes. Na cena em que Muntz apresenta suas conquistas a Carl, por exemplo, note como a sala é incrivelmente ampla.

Com isso, a fotografia do filme é bem beneficiada e temos planos para deixar qualquer um boquiaberto. Alias, é bom ressaltar a perfeição que é a animação desse filme. Eu pensei que não dava pra melhorar mais depois de Wall-E, mas a Pixar sempre impressiona. Tudo é repleto de detalhes, desde o mais sutil movimento dos personagens até as vastas florestas. As cenas de ação, no clímax do filme, conseguem bater de frente com muito filme do gênero e deixam o espectador grudado na cadeira, tenso até o último minuto.

O roteiro é excelente. Além da história brilhante e original, temos ótimos dialogos – como a cena de Carl e Russell conversando a noite, cobertos pela casa – e algumas sacadas brilhantes, como os vários momentos em que Carl olha para sua casa nas nuvens e pergunta a Ellie o que ele deve fazer naquela situação ou até quando Russell resolve apelar “pedindo” algo para a esposa do velhinho. A estrutura do filme me lembrou um pouco a de Monstros S.A. (outro maravilhoso trabalho do diretor Pete Docter), em que temos o acontecimento inusitado, o protagonista tentando lidar com isso e um determinado momento em que tudo piora de vez, antes dos mocinhos darem a volta por cima num emocionante clímax. Mas isso passa longe de ser um grande defeito, claro.

Rir, chorar, torcer pelos personagens… O roteiro pode ser genial, a animação também. Mas pra mim, uma animação morre sem uma boa trilha sonora. E Michael Giacchino mostra mais uma vez porque é um dos melhores compositores em atividade atualmente. Uma trilha simplesmente brilhante, que ajuda alguns momentos do filme a serem fantásticos – como o já citado flashback mostrando a vida de casado de Carl – e o melhor: ela não cansa. Já a ouvi inteira umas 3 ou 4 vezes…

Mas o melhor de Up, mais do que fotografia, mais que a trilha sonora, que o roteiro ou qualquer outra coisa, é o fato de ser um filme feito com o coração. Hoje está cada vez mais raro vermos filmes assim, sinceros, que parecem ter sido feitos sem a intenção de arrecadar rios de dinheiro ou ganhar prêmios – claro que eles pensam nessas coisas, mas dá pra ver que não é a maior prioridade –  e sim divertir e emocionar pessoas de todas as idades. É isso que torna Up um filme tão maravilhoso. É isso que me faz amar tanto cinema.

Nota: 9,5

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Sobre o curta: Como sempre, temos um curta animado antes do filme e nesse caso, o dito curta é “Parcialmente Nublado”, uma divertida animação sobre a velha historinha das cegonhas levando os bebês feitos pelas nuvens para os pais. Já dá pra entrar fácil no clima de Up, já que o curta mistura humor e emoção assim como o filme da casa voadora. É excelente.

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14 comentários sobre “FILMES: Up – Altas Aventuras (2009)

  1. Pingback: Filme da Semana « Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos
  2. Esse filme é uma porcaria !!!!!!!!

    PREFIRO Pânico a UPBOSTA!!!!!!!!!!!

    BEIJOS………….

    d=d=d=d==d=d=d=d=d=dddddddddddddddddddd..

  3. esse filme foi lindo e emocionante e eu até chorei por causa da esposa dele ter falecido…um dos filmes mais lindos e profundos que eu ja vi em minha vida ..amei amei amei!!!

  4. eu ñ so boba vc é q é, pois o filme é muito legal vcs só ñ gostaram pq ñ tem sentimentos pq eu vi o filme como a realidade e vc como uma pessoa sem coração q vc é!!!!

  5. comentario idiota desse bruno ze ruela..o filme e bastante trabalhado…cara manezao
    tenho ate pena de umas pessoas dessas

  6. Eu achei o filme mais legal q eu ja assisti na minha vida a minha filha ester chora quando assisti e
    muito bom esse filme e sensacional n tem filme melhor q esse

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