FILMES: Harry Potter e o Enigma do Príncipe (2009)

Gênero: Aventura – Fantasia
Duração: 153 min
Origem: EUA – Inglaterra
Direção: David Yates
Roteiro: Steve Kloves, J.K. Rowling
Produção: David Heyman, David Barron

E já são 8 anos de Harry Potter no cinema. Nesse tempo todo, a série cresceu e amadureceu junto com o seu trio de protagonistas e os seus espectadores. Você provavelmente já leu isso em algum lugar. Assim como já deve ter lido que o novo filme “é o mais sombrio da série”. Mas é preciso relevar: são fatos absurdamente evidentes e fica difícil tentar fugir do clichê. Então já solto agora, admitindo o que é e pedindo até desculpas: Harry Potter e o Enigma do Principe é o filme mais sombrio da série. Pode até parecer exagero a primeira vista, já que a franquia nunca foi tão… “adolescente” – isso não foi um elogio – mas comparando com os filmes anteriores, esse chega a ser, em alguns momentos, simplesmente assustador. Consequentemente, como já era de se esperar, é o melhor filme da saga.

Passaram-se apenas algumas semanas desde os horríveis acontecimentos no Ministério da Magia. Harry Potter (Daniel Radcliffe), que agora sabe seu papel ao mundo bruxo – ele é o Eleito, o único bruxo que poderá destruir Voldemort (Ralph Fiennes) – se encontra mais uma vez escondido no mundo trouxa, mas logo recebe a visita de Dumbledore (Michael Gambon) que o leva para a Toca, a acolhedora casa da família Weasley. Já em Hogwarts ele terá um ano com um novo professor, o gorducho Horácio Slughorn (Jim Broadbent, de Moulin Rouge), um livro de Poções misterioso, repleto de anotações de um tal Príncipe Mestiço e uma sombria conspiração envolvendo Malfoy, os Comensais da Morte e o Prof. Severo Snape… Além é claro, dos hormônios dos personagens a flor da pele.

Apesar de tudo, Harry Potter nunca foi uma série completamente inocente. Havia sim, nos primeiros filmes aquele ar meio infantil, mas se pararmos pra pensar, só nos filmes de Columbus temos um adulto esganando um moleque de onze anos e dois garotos sendo perseguidos por um bando de aranhas assassinas. A trama, com o tempo, foi perdendo cada vez mais a inocência e aqui, mais do que nunca temos o ápice disso: a história é adulta, em alguns momentos até pesada. Sem contar que nunca lidaram com a morte de um jeito tão trágico na série. E na parte mais leve da história que acaba  ficando em evidência de um jeito que nunca ficou no livro, também temos um clima completamente adolescente, nunca infantil. Sendo mais direto e usando a linguagem dos dias de hoje: a pegação rola solta no filme (mas ironicamente, o beijo do protagonista é lamentável). O ciúme e a timidez também.

O roteiro, uma adaptação fiel em vários aspectos do livro de mesmo nome de J.K. Rowling, é assinado mais uma vez por Steve Kloves e é bem diferente do que eu imaginava para esse filme. Como já foi dito, é dada uma ênfase absurda nos relacionamentos dos personagens, o que atrapalha outras importantes subtramas como as viagens da Penseira – certo, foram mostradas as duas lembranças mais importantes, mas mesmo assim… – e tudo envolvendo o Príncipe Mestiço, que tem a história absurdamente reduzida no longa, o que pode levar muitos a se perguntarem o por que dele estar no titulo. Com o tom leve e descontraído dominando boa parte do filme, chega a incomodar quando a história sinistra das Horcruxes é introduzida e já vai direto para a macabra cena da caverna.

No entanto, foram decisões acertadas cortar todo o monótono início do livro envolvendo o Primeiro-Ministro trouxa – mesmo que isso seja substituído pela boboca cena da queda da ponte – e adicionar seqüências ousadas como a destruição da Toca, que não existe no livro e é uma das grandes cenas do filme, pelo simples fator surpresa, que desta vez também atinge quem leu o livro. Há também a falta de explicação para uma dúzia de coisas, aparentemente, todo mundo sabe de tudo, mas reclamar disso quando se trata dos filmes de Harry Potter… é como se eu não tivesse visto os filmes anteriores.

No elenco, é um fato consolidado: Michael Gambon domina completamente o filme. Nunca gostei muito do ator no papel de Dumbledore, em parte porque Richard Harris era perfeito como o personagem, mas a verdade é que até então não achava que Gambon tinha encontrado o tom do personagem, descrito nos livros como calmo e sereno até nos piores momentos. No terceiro ele mal aparece, no quarto está completamente histérico e no quinto parece deprimido. Aqui o ator faz um Dumbledore que estou querendo ver desde O Prisioneiro de Azkaban. Ainda bem, pois o personagem nunca teve tanto destaque. É uma atuação impecável, de longe a melhor do filme. Toda a calma, serenidade e astúcia do bruxo está ali.

Vale também destacar Alan Rickman e Jim Broadbent. O primeiro continua fazendo seu trabalho fantástico como Severo Snape e o segundo, cujo personagem Horácio Slughorn parece ter sido criado para ele, faz um excelente trabalho, fazendo rir e nos deixando tensos – a cara desnorteada dele na cena do hidromel envenenado é sensacional – e com tantos coadjuvantes, tem que tomar cuidado para não esquecer do trio de protagonistas: Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson.

Mais uma vez, é um bom trabalho, com seus grandes momentos aqui e ali no filme. É óbvio que os três melhoraram com o tempo, mas não chegam a impressionar. Só fica mais evidente o talento que Grint tem para a comédia e o fato de que Radcliffe tem um futuro promissor como ator. Mas, vale ressaltar que o “grande momento” do interprete de Harry, no final,  dá um nó na garganta insuportável e é difícil não se emocionar

E que grande final, não? Para compensar a morte estúpida de Sirius Black no filme anterior, numa cena com tanta emoção quanto um quadro de Zorra Total, os momentos finais de O Enigma do Príncipe emocionam fácil, com a morte de um dos personagens mais queridos da série e a comoção que ela causa. Com isso, deve-se elogiar o trabalho excepcional de David Yates na direção, agora completamente a vontade com o mundo mágico criado por Rowling, corrigindo erros cometidos no longa anterior e conseguindo acertar ainda mais.

Deve-se aplaudir também a parte técnica do filme. Excelente, desde os efeitos especiais – a seqüência do jogo de quabribol é perfeita – até a fotografia incrível – a seqüência da da caverna, o ataque a Toca e a cena na Torre de Astronomia são de cair o queixo de tão bem filmadas – sem esquecer da ótima trilha sonora de Nicholas Hooper, outro ponto alto do filme (ok, a trilha do John Williams continua ótima)…

Enfim, mais do que qualquer outra coisa, Harry Potter e o Enigma do Príncipe é um filme perfeito para as férias. Aventura, ação, romance, humor, cenas emocionantes e um final que ressalta a força da amizade. Pedir mais para as férias é ser chato. E o que parecia um sonho distante em 2001 já tem até data marcada para estrear: a ultima parte da franquia, Harry Potter e as Relíquias da Morte, foi dividida em dois volumes, sendo que o primeiro já chega em novembro do ano que vem. Está preparado para se despedir de Harry Potter? Depois desse ótimo filme, eu sinceramente… não estou.

Marcelo Silva

Nota: 8,5

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12 comentários sobre “FILMES: Harry Potter e o Enigma do Príncipe (2009)

  1. Concordo com praticamente tudo que você destacou no post. Na parte técnica, este é, sim, o melhor até agora. A direção, a fotografia, os efeitos especiais… todos impressionantes! Mas eu sempre saio do cinema com aquela sensação de que ficou faltando alguma coisa.

    Tenho que ressaltar a cena da morte do Dumbledore. Foi um milhão de vezes melhor que a do Sirius e eu admito que fiquei com um nó enorme na garganta vendo um dos personagens mais importantes da trama morrer. E depois quando todos apontam as varinhas pro céu… Jesus, foi difícil segurar as lágrimas!

    Mas enfim, gostei e não gostei como sempre. Se quiser saber mais, eu escrevi uma crítica no meu blog. Dá uma passadinha, se tiver tempo.

    Um abraço,

    Luciana

    http://tdagora.wordpress.com

    Tudo.ao.mesmo.tempo.agora – Filmes, séries, livros e entretenimento em geral.

  2. Achei um filme um ótimo trabalho, mas muito picotado, um erro imperdoavel de edição que deixou muitas cenas e falas sem sentido e algumas que deveriam ter muita importância, sem destaque. Tudo tem sido um ensaio pra peça final que veremos em 2010 e 2011. Se formos separar cena por cena o filme realmente, tem uma fotografia incrivel, maquiagem e figurino dignos de Oscar, interpretaçoes que supreendem e efeitos especiais indiscutíveis.

    Realmente, o filme tem TUDO pra ser bom, mas peca em deixar metade da escencia do livro de fora com algumas tramas e falas pouco fundamentadas.

  3. O filme ficou a desejar, muitas cenas perdidas…adoro Harry Potter, mas esse filme faltou um desenrolar mais envolvente! que prendesse a atenção do expectador!

  4. como já disse um grande crítico da net:
    “Agora, esse diretor merece o prêmio “Edward Mãos de Tesoura”: ele picotou todas as cenas, enredo e engessou a atuação de TODOS os personagens… Se você não conhece o livro, dificilmente entenderá uma porção de coisas. O filme não flui, a sensação é que estamos dentro de um avião, dando voltas no aeroporto, esperando para decolar: em alguns momentos o capitão avisa para apertarmos os cintos e o avião acelera, mas na hora H, a velocidade diminui e continuamos dando voltas no aeroporto. Assim eu me senti hoje no cinema: aguardando ansiosamente, até o último instante, o filme decolar.” por Diego Marques

  5. danil vc e melhor no filme do harry potter quando eu esculto uma musica eu penso emvc eu te amo vc e lindo de mais mande um abrassos pros outros

  6. acho muito legal todos os filmes de harry potter , mais esse foi demais muito legal e misterios resolvidos adorei

  7. Pingback: Filme da Semana « Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos
  8. adoro harry potter li os livro mais de 5 vezes assisti a todos os filmes e em todos sai do cinema querendo mais, agora neste ultimo não consegui acreditar que era o filme certo, fiquei achando que estava em sala errada, o filme deixou tanto a desejar que ja na 1ª cena eu ja me decepcionei.
    faltou tanto para que se entendesse o que acontecia, que sai rindo, logico que em termos de fotografia estava bom, os atores estavam otimos mas a sequencia pessima, de 0 a 10 para este filme, talvez 5 pela interpretação snão seria 0.

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