FILMES: Transformers – A Vingança dos Derrotados (2009)

Gênero: Ação – Aventura
Duração: 147 min
Origem: EUA
Direção: Michael Bay
Roteiro: Ehren Kruger, Alex Kurtzman, Roberto Orci
Produção: Lorenzo di Bonaventura

Acreditem, eu estava esperando muito pela continuação de Transformers. Adorei o primeiro, ignorei completamente as criticas e me diverti pra caramba assistindo. Curti os efeitos incríveis e as sequências de ação sensacionais. Portanto, estava com expectativas altas para essa nova aventura dos Autobots, afinal, já manda a cartilha de Hollywood: a continuação de um filme de ação sempre deve ter tudo o que foi bom no primeiro filme em dobro e muito mais.

Bom… não é bem isso que acontece aqui. Sim, muita coisa foi aumentada, como o número de robôs por exemplo. Mas também aumentaram as cenas inúteis, os dialogos toscos e pior: a duração do filme, que tem absurdas 2h30 que custam a passar. É um filme com o selo Michael Bay de qualidade. Não, não foi um elogio.

Dois anos se passaram desde que Sam Witwicky (Shia LaBeouf) salvou o mundo de uma destruidora batalha entre duas raças de alienigenas robóticos em guerra. Apesar disso, ele é um adolescente como qualquer outro, não vê a hora de entrar para a universidade, mesmo que para isso tenha que deixar sua namorada Mikaela (Megan Fox) e seus pais para trás. No entanto, já na faculdade, Sam começa a ser perturbado por estranhas visões, que surgem repentinamente. Isso atrai a atenção dos Decepticons e de seu grande mestre, o Fallen, que esteve escondido no planeta dos Transformers e poderá ressurgir a qualquer momento. Com o tempo, Sam acaba descobrindo que as misteriosas visões significam algo e que sem querer, ele acabou virando a chave para o fim da guerra entre os Autobots e os Decepticons, onde o bem deve prevalecer a qualquer custo.

Alex Kurtzman e Roberto Orci, que também roteirizaram o primeiro filme (junto com Ehren Kruger, que também assina este), subiram no meu conceito depois de Star Trek (cujo roteiro eles assinaram), mas depois desse novo Transformers, a coisa mudou novamente de figura. O roteiro consegue ser ainda pior que o do primeiro – e olha que esse era o grande problema do longa de 2007 – com infinitas subtramas (a maioria delas descartáveis), uma multidão de personagens – humanos – e alguns robôs bobocas, que deviam servir como alívio cômico, mas acabam sendo tão bons quanto Jar Jar Binks na nova trilogia de Star Wars. Isso sem contar os absurdos erros de continuidade, dignos de uma novela da Globo. Personagens somem do nada, outros desmaiam e reaparecem completamente recuperados minutos depois, como num desenho animado.

Com um roteiro fraco, fica a pergunta: por que fazer um filme ainda maior que o primeiro? Existem alguns filmes longos – até maiores que esse – que nos envolvem de um jeito incrível, fazendo o tempo passar rapidamente (até o filme de 2007 é assim), mas neste caso, pareceu que eu passei a noite inteira no cinema! O primeiro ato é excelente, uma sequência de ação destruidora em Xangai, de tirar o fôlego. Mas num determinado momento, fica parecendo que os roteiristas não sabem o que fazer pra aumentar mais a história e aí, temos uma das marcas registradas de Michael Bay: começamos a acompanhar explosões intermináveis, que depois de um tempo, acabam cansando e perdem completamente o impacto.

O humor também aparece em peso nesse filme, de um jeito bem imaturo, assim como no anterior. Os pais de Sam novamente são retratados como perfeitos tapados – apesar de ser inevitável dar uma leve risada com a mãe do rapaz na faculdade – e as piadas, se não são com os pais do protagonista, estão relacionadas com sexo ou órgãos genitais – mas novamente, apesar da imaturidade, algumas delas provocam risos inevitáveis dos espectadores – a melhor cena de humor, no fim das contas, não é protagonizada por nenhum dos alívios cômicos criados para o longa, mas sim por Bumblebee e seu playlist “peculiar” quando Sam está com uma garota (que não é Mikaela). É simplesmente impagável.

Falando em Bumblebee, é preciso ressaltar a melhor coisa do filme: os efeitos especiais, que impressionaram no longa anterior, estão ainda mais incríveis em A Vingança dos Derrotados. A transformação dos robôs, seus movimentos e a interação deles com os personagens é absurdamente realista, tamanha perfeição do CGI. O design de alguns personagens robóticos também ficaram bacanas: o novo e ameaçador Devastator, por exemplo, ficou sensacional e as lutas entre os robozões são fantásticas. Não fosse Avatar chegando no fim do ano, eu dava como certa a vitória do filme na categoria de Efeitos Visuais. Sim, mesmo sabendo que em 2007, o primeiro foi derrotado pelo fraquissimo A Bussóla de Ouro.

E outra marca de Michael Bay é a barulheira infernal de seus filmes. Aqui, tem mais barulho do que se imagina, chegando a doer os ouvidos em algumas cenas. Para se ter uma idéia, até quando os logos da Dreamworks e da Paramount aparecem o som incomoda. Se vai assistir em uma sala com som THX ou coisa parecida, esteja preparado para sair da sessão com uma baita dor de cabeça. Outra coisa que incomoda é a montagem do filme: nenhuma cena dura mais que 5 minutos e o clímax no Egito é extremamente confuso, já que em 10 segundos, milhões de coisas parecem acontecer, nos deixando completamente perdidos na história.

Em meio a tanta bagunça, temos o elenco (hãã… os humanos): Shia LaBeouf, que vem ficando famoso pelo enorme carisma que tem – o que ajuda muito a aumentar a qualidade de alguns filmes que faz – segura as pontas em Transformers 2, carismático como sempre e com algumas cenas excelentes. Megan Fox… bem, é aquela coisa, até então, ela mostrou ser o tipo de atriz que não precisa atuar para prender a atenção – dos homens, pelo menos – e Michael Bay sabe muito bem disso, usando e abusando da sensualidade da garota em diversas cenas (a primeira aparição de Fox no filme, é deitada com um shortinho minúsculo em cima de uma moto… veja só). Neste momento, estou dividido entre meu senso critíco e meu lado mais machista. Para evitar maiores problemas, falemos de Megan Fox uma outra hora.

Os outros atores passam despercebidos em meio a tantos robôs brigando e destruição. Josh Duhamel e Tyrese Gibson tem seus papéis reduzidos em comparação ao primeiro filme e acabam tendo uma importância menor que coadjuvantes. Temos uma aparição bem bacana de Rainn Wilson e John Turturro (repetindo o papel do longa de 2007) aparece já na metade do filme e até chega a mostrar mais do que deve, em um exemplo claro de falta do que colocar no roteiro, já que a cena não provoca risadas, mas quase constrangimento.

Falando assim, até parece implicância, mas não é, afinal, como já disse, adorei o primeiro filme. Mas no fim das contas, podemos concluir uma coisa: Transformers 2 é um filme chato. Muitos por aí estão dizendo que é mais do mesmo, mas não é. Sim, tem várias explosões como o primeiro e um roteiro fraco igual ao filme de 2007, mas tudo isso de forma redobrada e ainda mais cretina. O longa anterior é divertidissimo de assistir – eu já vi três vezes – e parece que sempre empolga, mas esse foi uma canseira de se ver uma vez. Para rever, seria preciso muita coragem.

Talvez seja porque eu tinha expectativas altas ou porque pensei que o filme poderia ser tão bacana quanto o primeiro, mas não tem jeito. Até então, Transformers: A Vingança dos Derrotados, acabou sendo minha grande decepção de 2009. Porque, diferente de Wolverine ou Dragonball Evolution, que eu já sabia exatamente o que esperar, o novo filme dos robozões aparentava ser tão empolgante quanto o primeiro. Mas no fim das contas, acabou sendo “mais do que os olhos podem ver”… no mau sentido.

Marcelo Silva

Nota: 6

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2 comentários sobre “FILMES: Transformers – A Vingança dos Derrotados (2009)

  1. Bom José, já uso óculos, então acho que não achei o filme fraco por não ter enxergado direito…

    Alias, respeito sempre é bom né? Conheço muita gente que adorou o filme, mas não saio xingando elas de idiotas só porque tiveram uma opinião diferente da minha. Afinal, isso é pura imaturidade…

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