FILMES: O Exterminador do Futuro – A Salvação

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Gênero: Ficção Científica
Duração: 130 min
Origem: EUA – Reino Unido
Direção: McG
Roteiro: Michael Ferris, John Brancato
Produção: Derek Anderson, Moritz Borman, Victor Kubicek, McG, Jeffrey Silver

Foi James Cameron, o diretor do maior filme de todos os tempos (Titanic, pra quem não pegou), que criou o futuro pós-apocalíptico e toda a intrincada mitologia de O Exterminador do Futuro. Começou em 1984, teve uma sequência maior e absurdamente melhor em 1991 e todas as coisas fantásticas que tínhamos visto foram jogadas no ralo em 2003, com o péssimo terceiro filme. Depois desse desastre, a franquia parecia esquecida, até ganhar um gás em 2008 com a estreia da série Terminator: The Sarah Connor Chronicles e ter um novo filme confirmado para esse ano.

E apesar do medo dos fãs – compreensível, afinal, a série não contaria com Schwazenegger pela primeira vez e o diretor era o medíocre McG – O Exterminador do Futuro – A Salvação consegue ser superior ao filme anterior, com uma parte técnica impecável, cenas de ação muito boas e uma aparição para fazer qualquer um dar um suspiro nostálgico. Se é bom? Bem… isso é outra coisa…

Como vimos no terceiro filme, O Julgamento Final não foi impedido, apenas adiado. Ao invés de 1997, aconteceu em 2003. O tempo passou e em 2018, o mundo já está completamente destruído. John Connor, agora adulto, é obrigado a viver com o peso do futuro nos seus ombros e diferente do que pensavamos, não é tratado como um quase-profeta, mas sim, é visto com desconfiança por muitos. No entanto, tudo muda quando um homem misterioso, chamado Marcus Wright (Sam Worthington, o melhor em cena) aparece, vindo do passado, por motivos a princípio misteriosos. Junto com John, ele vai ajudar em uma grande missão contra a SkyNet, que pode ajudar muito os humanos. Mas Marcus pode descobrir grandes surpresas de si mesmo…

Desde O Exterminador do Futuro, atire a primeira pedra o fã quem não teve vontade de ver o futuro sombrio e assustador mostrado em pequenas cenas de cada filme, de um jeito melhor e mais detalhado? Portanto, situar a história nessa época, mesmo que seja no comecinho da destruidora guerra, foi uma ótima sacada. Pena que não chamaram roteiristas decentes… Sabe-se lá porque chamaram John D. Brancato e Michael Ferris para fazer o roteiro do longa. Os mesmos caras escreveram o péssimo O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas e de quebra, também foram os roteiristas de um dos piores filmes do século, Mulher-Gato. Portanto, chega a ser um mistério os dois estarem roteirizando esse novo filme da franquia, dado o currículo medíocre.

O fato é que o roteiro é raso, tem erros feios e apesar de todas as referências – a melhor é o pedaço de “You Could Be Mine” do Guns n’Roses – tem algumas coisas simplesmente vergonhosas – não fossem os cortes mostrando o que John Connor estava fazendo no momento, a cena em que a personagem de Helena Bonham Carter revela tudo para Marcus seria um verdadeiro remédio pra insônia – e acaba jogando no lixo a boa ideia da história no futuro pós-apocalíptico previsto por Kyle Reese.

E falando em Kyle, o soldado que no futuro é o melhor amigo de John Connor (e no passado é pai dele)… Anton Yelchin (Star Trek… o cara está num bom ano, hein?) vive o grande herói imortalizado por Michael Biehn no filme de 84 e se sai muito bem, fazendo o melhor que pode para dar credibilidade ao papel, já que quase todos os personagens no filme são extremamente mal desenvolvidos. Mas o grande destaque mesmo é o protagonista… que não é John Connor. Estou falando de Marcus Wright, interpretado pelo meramente desconhecido Sam Worthington, que acaba entregando a melhor atuação do filme, confuso e desnorteado pela sua posição, mas lutando para se decidir ao lado de quem ele deve lutar.

Quanto a Christian Bale… bem, chega a ser triste. Dono de atuações memoráveis, como em Psicopata Americano e porque não dizer Batman – O Cavaleiro das Trevas, Bale está péssimo no importante papel de John Connor, o líder da resistência. Ele não parece confortável, atua como se tivesse acabado de aprender a fazer aquilo, sem nunca convencer o espectador da importância do seu personagem e pior: se limitando a dar berros forçados em vários momentos do filme. Sem contar que ele não precisava desse papel, certo? O próprio ator não queria, só aceitou depois das mudanças no roteiro feitas por Jonathan Nolan.

O resto… bem, o resto não tem muito tempo para mostrar a que veio. Kate Connor (Bryce Dallas Howard, substituindo Claire Daines), tão importante no filme anterior, se limita a meia dúzia de cenas e sinceramente, se eu não olhasse o elenco antes de fazer a critica, nem lembraria dela. Helena Bonham Carter é outra: uma atriz talentosa que parece estar ali só para pagar as dividas. E temos também Moon Bloodgood… bem… irrelevante.

Mas é a curta – mas sensacional – aparição dele que faz valer o ingresso. Numa versão digital incrivelmente bem-feita, Arnold Schwazenegger dá as caras de repente e é difícil não vibrar no cinema quando ele aparece – ok, nem dá pra considerar isso spoiler, todo mundo já sabe – sem contar aquele inevitável sentimento de nostalgia. Pena que é uma cena muito rápida, mas que vale o filme inteiro. E já que falamos do “Arnoldão” digital, devo dizer que pelo menos um mérito esse novo longa tem: a parte técnica é excelente. Os efeitos são muito eficientes, a edição de som é simplesmente fantástica e a fotografia, veja só, é muito boa. O tom meio sujo deu o clima perfeito para um mundo em guerra, isso sem contar as cenas de ação, insanas e muito bem feitas.

No fim das contas, o grande problema de O Exterminador do Futuro: A Salvação é que ele passa muito longe de ser bom como os dois primeiros, mas também não chega perto do desastroso terceiro filme. Fica em cima do muro, com uma história que ninguém dá a minima e que só alterou e feriu ainda mais a mitologia (aquele final é revoltante, não chega a ser pior que o original, mas é patético). É um blockbuster que até consegue divertir, mas no fim das contas, é impossível não pensar que esse é um filme que nem precisava existir…

Marcelo Silva

Nota: 7

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P.S.: Nem comentei da direção de McG… bem, digamos que é o melhor filme da carreira dele. Considerando o que É a carreira dele, isso não é exatamente um elogio…

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Um comentário sobre “FILMES: O Exterminador do Futuro – A Salvação

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