FILMES: Star Trek (2009)

Gênero: Ficção Científica
Duração: 126 min
Origem: EUA
Direção: J.J. Abrams
Roteiro: Alex Kurtzman, Roberto Orci
Produção: J.J. Abrams, Damon Lindelof, Bryan Burk, Alex Kurtzman, Roberto Orci

Já começo avisando: eu sou um leigo em Star Trek. Nunca vi nenhuma das séries, nunca conferi os filmes nem nada relacionado. Claro, conhecia frases como “Vida longa e próspera”, “Audaciosamente, indo onde nenhum homem jamais esteve”, coisas como “Kobayashi Maru” – isso foi graças a Friends – além do icônico sinal de Spock, mas nada além dessas referências que ficaram marcadas na cultura pop.

Portanto, vi o filme sem me preocupar com linhas de tempo, personagens que deviam ou não aparecer e coisas do tipo. Saí do cinema com um largo sorriso no rosto: Star Trek é mais do que o “filme legal” que eu esperava: é uma aventura sensacional, como não se via há muito tempo, vale dizer. Combinando ação, humor e ficção-científica, J.J. Abrams acertou em cheio, agradando a trekkers – fãs de Star Trek –  da velha guarda e criando novos fãs.

A franquia Star Trek estava em coma. A série Enterprise havia sido cancelada em 2005 e o último filme, Nemesis, foi um gigantesco fracasso de público e crítica. A marca já tinha se desgastado e estava mais cansada do que nunca. Trekkers de todo o mundo estavam com medo: Star Trek poderia cair no esquecimento de vez. Huum… franquia desgastada no cinema, marca que está condenada ao esquecimento… não é preciso ser Spock para ver a lógica disso. Em casos assim, já virou palavra de ordem em Hollywood: é hora de começar tudo de novo. E a ideia de um reboot partiu do criador de Lost e Alias, nerd de carteirinha e… um cara que não é fã da série. J.J. Abrams nunca foi fã da série clássica e não sabia nada da marca e por isso, muitos trekkers ficaram furiosos. Ainda bem, eles morderam a língua.

Star Trek, como já foi dito, conta como Kirk e Spock se conheceram, de que modo a tripulação da Enterprise se formou e mostra sua primeira missão. Como o público-alvo de Abrams eram pessoas que nunca tiveram a chance de conhecer a série ou mesmo ver os filmes, ele teve que deixar um pouco de lado a sagrada linha do tempo da franquia – chamada cânone, pelos fãs – mas teve uma ideia genial para justificar certas mudanças na história original: o roteiro traz uma trama em que a linha do tempo de fato é alterada pelo vilão da história, o romulano Nero (Eric Bana, de Tróia), com isso, tudo fica imprevisível, já que com um vilão mudando a história, existe a liberdade de mudar vários fatos sem dar brecha para os fãs enlouquecerem – se bem que eles enlouquecem de qualquer jeito…

O roteiro no geral é excepcional, uma grande surpresa, pra falar a verdade, levando em conta que são os mesmos roteiristas de Transformers – que eu gosto muito pela ação, mas convenhamos, o que menos tem ali é um bom roteiro – Alex Kurtzman e Roberto Orci. Tudo foi feito na medida certa, com uma história que não deixa os novatos em Star Trek perdidos, mas ao mesmo tempo tem referências para dar e vender aos fãs. Como já disse, conheço vários termos e bordões famosos da série, portanto foi impossível não dar aquele sorrisinho tipo: “opa, essa eu entendi”, quando o teste Kobayashi Maru é citado pela primeira vez ou Dr. McCoy dizendo “Sou um doutor, não um físico!” (a frase foi mudada, dadas as circunstâncias). Mas também fiquei curioso – e um pouco frustrado, devo dizer –  ao ver algumas pessoas no cinema dando aquelas risadas nostálgicas e eu ficando com cara de perdido.

Entre outros pontos positivos do roteiro, temos o desenvolvimento dos personagens, muito bem-feito. Ao final do filme, fica claro de onde cada personagem saiu, as motivações de Kirk e Spock e o porque daquela amizade um pouco misturada com uma saudável rivalidade entre os dois. Vemos o futuro capitão da Enterprise nascendo, crescendo e virando pouco a pouco um homem mais responsável e centrado, até o final, quando fica claro que o que estamos vendo é o lendário Capitão Kirk que os trekkers aprenderam a idolatrar.

Claro que nesse quesito os méritos não são todos do roteiro. O elenco está afiadíssimo e para a felicidade geral dos fãs – e minha surpresa, pelo menos quanto ao primeiro ator – Chris Pine (Sorte no Amor) e Zachary Quinto (da série Heroes) roubam o filme como Kirk e Spock. Pine, que é um ator relativamente novo – seu primeiro trabalho foi em ER, em 2003 – dá um show no papel principal, cheio de carisma e conseguindo impor respeito, sem se preocupar em parecer com William Shatner, mas ao mesmo tempo sem desrespeitar o personagem que marcou o ator veterano. Quinto, que eu já acho muito talentoso desde Heroes – antes da série virar a pataquada que é hoje – é talvez a melhor coisa do filme com seu personagem Spock. Uma interpretação simplesmente brilhante, que atinge o ápice nos momentos em que o personagem tem aquela confusão entre mostrar ou não seu lado humano, deixando a lógica de lado.

No resto do elenco, temos Karl Urban (O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei), perfeito como Dr. Leonard McCoy e com muita quimíca com Chris Pine. Zoe Saldana (O Terminal) está encantadora como Uhura e os fãs podem chiar um pouco em relação a um certo romance onde ela está envolvida… Eric Bana (Hulk), está ótimo e irreconhecível como o vilão Nero, o que abre espaço para elogiar a maquiagem do longa, simplesmente perfeita. Voltando ao elenco, Anton Yelchin (Alpha Dog) está muito divertido como Chekov (eu ri na cena do reconhecimento de voz) e já que falei de dar risada, não posso esquecer de Simon Pegg (Um Louco Apaixonado), simplesmente hilário como Scotty. John Cho (Madrugada Muito Louca) e seu Sulu parecem não ter muita importância a princípio, mas não demora muito para testemunharmos o personagem em uma das melhores cenas de ação do filme, num trabalho excepcional do ator.

Para fechar, temos as pequenas – mas longe de serem menos importantes – participações. Jennifer Morrison (da série House) e Chris Hemsworth (futuro Thor) como os pais de Kirk, tem uma das cenas mais belas do filme, logo no começo, em que os mais atentos podem até lembrar um pouco de Lost – vários cortes de um personagem para o outro, muitos “eu te amo”, uma trilha sonora emocionante ao fundo… – e para fechar, não tem como esquecer dele: Leonard Nimoy. Principal ponte do filme com a série clássica, a atuação de Nimoy era o que já esperavamos: ninguém conhece mais de Spock do que ele, portanto, é um ótimo trabalho. E é muito bacana vê-lo caracterizado daquele jeito, legal ele não ligar em ficar marcado pelo personagem. Na verdade, ele viu que não tinha jeito e preferiu abraçar Spock. Foi uma ótima escolha.

Em aspectos técnicos, o filme é impecável. A maquiagem, como já citado, está sensacional, os efeitos visuais são convincentes e fantásticos, com batalhas espaciais simplesmente incríveis. A direção de arte fez um ótimo trabalho, reproduzindo a Enterprise do modo clean mostrado na série dos anos 60, mas deixando tudo ainda mais moderno – obviamente. E chegamos a ele, J.J. Abrams. Depois de receber algumas críticas, mas sair no geral, com o saldo positivo de Missão Impossível 3, ele acertou em cheio na direção de Star Trek, uma direção precisa e muito competente, especialmente nas cenas de ação – a luta na perfuratriz e o clímax do filme são espetaculares. No entanto, o jeitão meio “câmera de mão” que cenas como o primeiro dialogo entre Kirk e Capitão Pike no bar incomoda um pouco, mas nada que comprometa o resultado final, obviamente.

Enfim, J.J. Abrams cumpriu sua difícil missão: ressuscitou Star Trek de modo sensacional, agradando os fãs – os não-chatos – e apresentando o universo criado por Gene Rodenberry para a nova geração num filmão divertidissimo e cheio de aventura, daqueles que dá vontade de ver de novo. Desde já, um dos melhores filmes do ano, para qualquer um ver – aos rapazes, levem as namoradas sem medo – e adorar.

Uma vida longa e próspera para J.J. Abrams… ele merece.

Marcelo Silva

Nota: 10

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8 comentários sobre “FILMES: Star Trek (2009)

  1. Só uma correção, o Dr. Hank McCoy é o Fera dos X-Men, em Star Trek, o personagem se chama Dr. Leonard McCoy.

    De resto, ótimo review, concordo 100%, com a diferença que sou um fã moderado de Star Trek, portanto, reconheci muitas coisas.

    Abraços

  2. Minha nossa que gafe… mas por isso que o nome “Hank McCoy” não me soou tão estranho. O problema é que era de outro personagem,hehe… erro corrigido.

    Valeu pelo toque!

  3. Você percebeu que a Winona Ryder também está no filme? Ela é a mãe do Spock. Fazem tempos que não vejo uma ficção científica tão boa como esta.

  4. Bem, não gostei muito porque esse sem dúvidas não é o meu tipo de filme, mas pra quem gosta de ação é um prato cheio. E os fãs da série amaram, né? Ou seja, o problema sou eu mesmo.

  5. Pingback: Retrospectiva 2009: Parte 4 « Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos

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