FILMES: X-Men Origens – Wolverine (2009)

Gênero: Ação
Duração: 97 min
Origem: EUA
Direção: Gavin Hood
Roteiro: David Benioff
Produção: Avi Arad, Hugh Jackman, Lauren Shuller Donner, John Palermo

Quando dois grandes heróis se encontram nas HQs, não importa se eles estão do mesmo lado, não importa se lutam pelas mesmas coisas: sempre tem pancadaria entre os dois. Depois de páginas e páginas de luta, os dois resolvem conversar. Certo, isso nos quadrinhos fica legal e todo mundo adora. No cinema, isso é prova de um roteiro preguiçoso e vejam só, lutas sem motivo aparente aparecem a todo momento em X-Men Origens: Wolverine, primeiro – de vários, caso esse dê certo  – filme-solo de personagens mutantes no cinema. E esse não é o único problema. Aparentemente, esqueceram que é preciso mais do que explosões grandiosas e toneladas de efeitos especiais para sustentar um filme, por exemplo. Uma pena, pois sinceramente, via muito potencial aqui…

No começo do século XIX, o pequeno James Howlett manifesta estranhos poderes depois de terríveis acontecimentos em sua casa. Fugindo de lá com seu meio-irmão Victor Creed (Liev Schreiber, na idade adulta), eles devem viver isolados, pois são mutantes, seres com habilidades especiais. James cresce, muda seu nome para Logan (Hugh Jackman, ainda ótimo como o mutante), o tempo passa e ele e o irmão lutam nas mais importantes guerras da história, como a Guerra Civil Americana, a Primeira e Segunda Guerras e a Guerra do Vietnã. Um dia, o caminho dos irmãos se cruza com o de William Stryker (Danny Huston), que os chama para fazer parte de um grupo especial formado por mutantes. Isso é só o começo do envolvimento de Logan com o coronel Stryker, que muito em breve, acabará sendo o responsável pela transformação do outrora controlado homem… na Arma X, ou como todos o conhecem… no Wolverine.

Nove anos se passaram desde que público e crítica aclamaram o trabalho de Bryan Singer – e claro, o trabalho do até então desconhecido Hugh Jackman – em X-Men: O Filme e depois do primeiro filme da equipe de mutantes, um boato sustentado desde X-Men 2 se torna realidade: o filme de Wolverine. Todo mundo sabe que filmes-solo de personagens coadjuvantes – ou parte de uma equipe, caso do mutante – são de ruins a verdadeiros desastres cinematográficos – vide Elektra e Mulher-Gato – mas muita gente punha fé no longa do mutante invocado, inclusive eu. Pois bem, fica a pergunta: valeu a pena?

Bem… nem tanto. O filme tem seus pontos positivos, mas a pior coisa é justamente uma das mais importantes: o roteiro. Escrito por David Benioff (Troia) e Skip Woods (Hitman – Assassino 47), é muito bobo e preguiçoso. Os personagens são apresentados de modo estúpido e acabam mal-desenvolvidos,  a tão alardeada presença de Gambit por exemplo, é frustrante. Ele aparece, faz meia dúzia cenas e vai embora. Quem é? De onde veio? E de onde surgiram os poderes dele? Só sendo fã das HQs pra saber. O personagem de Will.i.Am (que veja só, até divertiu) é outro. Muita gente no cinema saiu sem saber quem ele era e achando se tratar de Noturno – sério – já que ele tem poder de se teletransportar. Isso sem contar a justificativa para a perda de memória de Wolverine, uma das soluções mais ridículas dos últimos tempos e que ainda cria uma discordância com a trilogia do grupo de mutantes.

Dos (vários) coadjuvantes, pouquissímos se salvam. Ryan Reynolds, por exemplo, apesar do visual absurdamente diferente do original, está ótimo como Deadpool. Acaba sendo um dos melhores personagens secundários do longa, apesar de, assim como todos os outros, não ter desenvolvimento nenhum. Will.i.Am, como já disse, é divertido. Claro, não é um primor como ator, mas seu personagem é muito bacana. Ainda temos participações de Dominic Monagham e Kevin Durand (os dois já trabalharam em Lost!) sendo que este segundo é o nojento Blob dos quadrinhos – e a origem para esse nome é vergonhosa. E temos uma única mulher no elenco: Lynn Collins, a Silverfox (ou Raposa Prateada, como preferir), completamente sem graça no filme.

Danny Huston por sua vez, não consegue se sair tão bem quanto Brian Cox se saiu como William Stryker em X-Men 2. Taylor Kitsch (da série Friday Night Lights), como o tão amado Gambit, é uma decepção. E digamos que se soubessemos que o personagem seria mostrado do jeito que foi nesse filme, era melhor nunca tê-lo usado. Ou ter o bom senso de usá-lo na trilogia X-Men. Enfim, o vilão, Dentes-de-Sabre, interpretado por Liev Schreiber (Amor nos Tempos de Cólera) é, junto com Hugh Jackman, a melhor coisa do longa, muitisssimo superior ao animal meio bocó de X-Men: O Filme, interpretado por Tyler Mane.

E já que falamos… Hugh Jackman. Dá pra ver que ele está trabalhando nesse filme com gosto, que ele adora esse papel e dá o melhor de si nele. Alias, não precisa nem dizer que é Jackman o melhor do elenco, certo? Cheio de talento e com muito carisma, o ator praticamente carrega o filme nas costas e dessa vez, além de estar no papel principal, é produtor executivo do longa. Mas infelizmente, nem ele consegue salvar o filme da decepção.

A direção de Gavin Hood (Infância Roubada) é fraca e imatura como o roteiro e nem mesmo a parte técnica consegue ser impecável. Certo, a maioria dos efeitos são ótimos e muito bem-feitos, mas certos momentos – como os pulos de Dentes-de-Sabre – soam fake e chega até a incomodar. Isso sem contar a presença de um personagem icônico de X-Men no final do filme, tão mal-feito que chega a ser constrangedor. A pirotecnia aparece em peso aqui, com explosões gigantescas e barulhentas, sempre que possível. A montagem não ajuda e o filme tem um ritmo descontrolado, especialmente no final.

Apesar das cenas de ação insanas – que vão agradar muita gente – e o talento de Hugh Jackman, X-Men Origens – Wolverine tem defeitos o bastante para ser um filme que será facilmente esquecido e é, de longe, o longa mais fraco de toda a franquia dos mutantes. Algo lamentável, afinal, é o desperdício de um grande personagem. Agora é esperar pra ver se X-Men Origens: Magneto vai acontecer. E torcer para que Ian McKellen não seja a única coisa boa do filme…

Marcelo Silva

Nota: 4,5

P.S.: É bom lembrar que há 3 cenas adicionais durante os créditos. As duas primeiras são meio irrelevantes e a terceira dá margem para uma possível continuação. Caso tenha curiosidade, fique no cinema até o final dos créditos.

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8 comentários sobre “FILMES: X-Men Origens – Wolverine (2009)

  1. Até agora eu to tentando entendo o motivo pra tanta briga entre Wolverine e Dentes-de-Sabre. Sério, uma hora eles querem se matar, dps do nada lutam lado a lado e dps já se odeiam de novo. Não leio os quadrinhos, mas tipo, eles sao bipolares? kkkkkkkkk E o Deadpool tava muito diferente msm, eu só soube quem era quando cheguei em casa e fui procurar na internet, pq na hora nem lembrei quem o Ryan ia interpretar. kkkkkkkkkkk

  2. Marcel, huahuahuahuahuahua eles não são bipolares, o roteiro é que tem mais furos que queijo suíço.
    Eu só fiquei sabendo que o Reynolds era o Deadpool na semana de estreia também…

  3. Olha, nao gostei do filme, estragaram toda a historia, e o pior de tudo eh que os roteiristas do filmes sao, na minha opiniao, os piores de hollywood atualmente, como David Benioff (O Caçador de Pipas) e Skip Woods (Hitman – Assassino 47), so pelo fato de usarem historias de alto potencial para uma producao classe c de hollywood, fora que o deadpool morre!!!
    viagem braba desses caras… enfim, jogada fora uma grande historia!

  4. Me decepcionei bastante com o filme… perdeu totalmente a essência da ótima trilogia dos X-men… lia os quadrinhos há muito tempo quando criança, assistia o desenho também, mas mesmo assim forçei pra lembrar de alguns personagens hauahuaha.

    Abraços!

  5. caracas nem deram espaço direito pro deadpool!!!
    se trabalhassem melhor nele o filme ia ficar irado(ele é muito louco) o Ryan fez o papel muito bem!!
    mais tem muitos personagens q nem o nome aparacem e pra qm naum conhene a história fica perdido!
    o filme poderia ser melhor…
    … e com mais espaço pro DeadPool!

    Abraços!

  6. Boa Crítica.

    Concordo com você me vários aspectos.

    E fiquei até o final dos créditos mas só vi duas cenas… e duas totalmente irrelevantes.

  7. Pedro, não acho que David Benioff seja um dos piores roteiristas em Hollywood atualmente. Skip Woods sim, pode estar nesse grupo.

    Sérgio, não perdeu apenas a essência dos filmes anteriores, perdeu também toda a essência do próprio personagem! Wolverine virou um cara boa-praça que tem acessos de raiva vez ou outra e fica descontrolado. Destruíram o personagem.

    Vitor, até agora não faço ideia de quem é o personagem do Will.I.Am, pra você ter uma ideia. Como disse na critica, muita gente ficou achando que era o Noturno…

    FM, a única cena… hum… “relevante” é o Arma XI-Deadpool from hell, alcançando a cabeça dele – que foi cortada por Wolverine, como sabemos – e a cabeça abrindo os olhos. Forçando a barra totalmente…

  8. Pingback: Retrospectiva 2009: Parte 4 « Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos

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