FILMES: Dragonball Evolution (2009)

Gênero: Ação – Aventura
Duração: 89 min
Origem: EUA
Direção: James Wong
Roteiro: Ben Ramsey
Produção: Stephen Chow

Seria cômico se não fosse trágico. A adaptação do famoso mangá e animê de Akira Toriyama não é apenas ruim. É na verdade, um dos maiores desastres que  o cinema já produziu. Com um elenco sem quimíca nem carisma – até o melhor ator ali não se sai bem – um roteiro vergonhoso, com díalogos estúpidos e erros para dar e vender e uma péssima direção, Dragonball Evolution é tudo o que a maioria das pessoas esperava: um péssimo filme. Para mim, que gostava do animê, conseguiu ser ainda pior.

Goku (Justin Chatwin) é um jovem que vive com seu avô Gohan e é treinado em artes marciais, sem amigos na escola e diferente de outros jovens com sua idade, tem uma paixão secreta por Chi-Chi (Jamie Chung), a garota popular do colégio. No dia de seu aniversário de 18 anos, Goku ganha do avô uma esfera laranja com 4 estrelas. Segundo o velhinho, esta é uma esfera do dragão e, quando reunida com outras seis esferas, que estão espalhadas ao redor do mundo, é possível invocar o poderoso dragão Shenlong e fazer um único pedido. No entanto, há alguém interessado nesse poder: o vilão Piccolo (James Marsters), que ficou aprisionado por muitos anos graças a uma poderosa magia, retorna querendo vingança e para isso, usará as sete esferas. Nessa jornada para encontrar e reunir as esferas do dragão antes do inimigo, Goku se juntará ao Mestre Kame (Chow Yun-Fat), Bulma (Emmy Rossum) e Yamcha (Joon Park) e juntos, enfrentarão grandes desafios até a batalha final.

Sempre fui um grande fã do animê e não me envergonho de admitir. Claro que não é difícil citar as (várias) pataquadas e se eu for ver hoje, vou achar muita coisa bem tosca, mas gostava dos personagens, das batalhas e da história, por mais estranha que possa parecer. Agora, pense bem: se a trama já soa bizarra para um animê, imagine só para uma produção hollywoodiana? Dragon Ball não foi feito para ser adaptado em versão live-action e americana ainda. Afinal, no cinema moderno o que tem feito sucesso são filmes de ação e aventura calcados no realismo, sem histórias mirabolantes e coisas sem explicação.

Por exemplo, em Matrix, os humanos que vivem no “mundo real” voam e tem as mais variadas habilidades porque elas são “instaladas” neles e funcionam apenas na Matrix, o mundo que todos os seres humanos vivem e acham ser real. Em compensação, a produção chinesa O Tigre e o Dragão, também tem batalhas absurdas, com personagens voando, pulando alturas inacreditáveis e cheios de habiliades incríveis. Precisa de explicação, como nos filmes americanos? Não, é cinema, então existe essa liberdade de mexer com o fantástico.

Mas Dragonball Evolution é um filme americano e conta com um personagem verde e estranho, batalhas repletas de estripulias, rajadas gigantescas de luz sendo lançadas a torto e a direito e várias outras bizarrices. Certo, porque eles podem fazer tudo isso? Como eles aprenderam essas coisas? De onde saiu esse cara verde? Nada disso é explicado, eles simplesmente estão ali e ponto.

A falta de explicações é só um dos inúmeros problemas do roteiro do filme. Os personagens são simplesmente jogados na história, como Yamcha, que em 5 minutos passa de ladrão a melhor amigo de Goku e cia. e Mai, ajudante de Piccolo com uma única fala no filme e que está lá sabe Deus porque, já que absolutamente nada é falado sobre ela. Há falas estúpidas como:

Quando o sol aparecer vai ficar quente, quente, quente!

E momentos de pura vergonha alheia, como por exemplo, na cena em que Goku recebe um “desafio” de Chi-Chi.

Talvez o filme fosse um pouquinho melhor se contasse com um elenco afiado. Infelizmente, esse não é o caso. Se só no trailer Justin Chatwin parecia robótico, no filme temos 1h16 com um ator que mais parece um andróide. Sua expressão não muda, seu jeito de falar é lento, como se fizesse um enorme esforço para lembrar das palavras e ele parece não estar muito preocupado em dar credibilidade ao personagem. Emmy Rossum e Jamie Chung são ótimas de se ver. Mas só de se ver, afinal, o trabalho delas não é nada para se impressionar também. James Marsters mal tem tempo de fazer qualquer coisa, afinal, Piccolo aparece por pouco tempo e Chow Yun-Fat… Deus do céu, o que esse homem está fazendo ali? Um excelente ator e nem ele salva o filme, alias, Yun-Fat tem uma cena pra fazer qualquer um sair do cinema – ou você não ficou com vergonha daquela apresentação bocó do Mestre Kame?

Para quem é fã da obra original, as discrepâncias entre o mangá/animê e o filme são absurdas. Certo, é muito compreensível que existam certas mudanças, afinal, é uma adaptação. Mas algumas coisas ali não dá para aceitar, como a mitologia da saga, que conta com toda a história dos povos sayajin e namekuseijin sendo jogada no lixo, o macaco gigante Oozaru – que no filme é um orangotango mal-feito de 2 metros – sendo rebaixado a discípulo de Piccolo, a completa descaracterização de Mestre Kame, um dos personagens mais bacanas da saga e até Shenlong, o poderoso dragão que aparece quando as sete esferas do dragão são reunidas, sofre uma mudança radical, virando algo que mais parece uma lagartixa gigante e que praticamente pisca na tela, talvez pelo baixo orçamento do filme (pouco mais de US$ 50 milhões).

Os efeitos especiais são toscos, pois impera o uso do chroma-key, além do já citado Shenlong e toda a sequência do vulcão, onde parece que a cena foi escurecida para esconder os “defeitos” especiais – uma técnica antiguissíma e vergonhosa para os dias de hoje, mas para salvar, a pequena cena em que vemos a cápsula se transformando na moto de Bulma é convincente  (só eu lembrei de Transformers?). A montagem é patética e faz o curtissímo tempo de filme – 1h15 – parecerem uma eternidade e a direção de James Wong é péssima – algo óbvio de se afirmar, visto o que já foi falado do filme até então.

Certamente um dos piores filmes do ano, Dragonball Evolution não passa nem como diversão escapista, tamanha a tosquice. Pode até soar implicante, afinal, não há nenhum elogio nessa crítica, mas infelizmente, não há o que elogiar. É um filme tão ruim, que vai acabar virando lenda – como aconteceu com Super Mario Bros. – ou seja, daqui a algum tempo, nem vão acreditar que tiveram a coragem de fazê-lo.

Nota: 3

(Apenas pelo acerto de chamar a mesma equipe de dublagem do animê para a versão dublada do longa. É, a única coisa boa do filme é a versão dublada. O mundo está perdido…)

Por Marcelo Silva

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11 comentários sobre “FILMES: Dragonball Evolution (2009)

  1. Concordo com você, a direção é péssima e o tempo realmente é curtíssimo. Mas uma coisa que eu, vamos dizer assim, aceitei: O Oozaru. Se ele fossegigante era só ele pisar na Bulma e em todo mundo que tudo acabava. O tamanho dele ficou “aceitável”. Realmente o ator que faz o Mestre Kame (odeio ele) destruiu o papel. Mas convenhamos: o diretor conseguiu fazer muita coisa com apenas 50 milhões (soube que foram 45). Afinal, nem temos que lembrar os efeitos de Crepúsculo que teve o mesmo orçamento baixo…
    Bem, espero que tenha um segundo para ver se conseguem consertar, se não, prefiro nem ver…

  2. bem q eu tinha achado o filme realmente mto corrido
    mas pensei q era impressão minha, já q era mta história p/ contar em tempo curto, mas ñ pensei q o tempo é tão curto assim!!!
    precisava de pelo menos mais 30 minutos p/ melhorar um pouco.

  3. Felipe, pra falar a verdade, achei um erro só terem colocado o Oozaru ali. O conceito dele é estranho demais para um filme e quando tentaram adaptar, saiu o absurdo de coloca-lo como discipulo de Piccolo, algo que jamais aconteceria na obra original.

    Marina, também me impressionei ao ver a duração. Mas não porque era muito corrido, mas porque parecia extremamente lento! O ridículo tempo de 1h15 demora uma eternidade para passar! Bem, mas de fato a história é rápida demais, parece até falta de inspiração. O que deu a impressão de um filme lento foi a montagem mesmo.

  4. esse dragon ball foi uma merdaaaaaaaaaa
    nada a ver com a saga do manda/ anime……
    o anime dragon ball e o melhor muito loko a historia mas o filme deve ser jogado no ixo e queimado e excluido da minha mente pois eles acabaram com o anime..

  5. Não con cordo muito, mas a apresenteação patética do Mestr Kame, a mini altura de Senlong e a pouka luz e a puca animação de energia acabou com o filme. Mas a luta de Gora com o Androide 18 e 17 foram os melhores!
    Elas não são de DBE mas é de DBZR!

  6. concordo com vc ;sou uns dos fãs numero 1 do anime ,concordo que eles acabarão com o filme e prinsipalmente com a reputação do menga,ese tipo de produçao teria que ser feito com muinto cuidado,todos ficamos desepisionado com esse filme e tenho sertesa que varios maniacos por Dragon Ball como eu vão ficar esperando ,ansiosos uma super produção do anime para a telona

  7. Concordo com o Goku android. O filme não parece ser dragon ball. É uma adaptação, eu sei, mas sem nenhum pingo de criatividade. O Ozaroo não tem calda, o Picollo não tem antena, o Mestre Kame mora no centro da cidade. Erros infindáveis. Falam das esferas mas e Kami Sama? O filme teria começado melhor contando a história do lado maligno do criador das esferas do dragão. E outro erro: como Picollo sabia o verdadeiro nome sayajin de Goku (Kakaroto) se ele não é sayaJin e sim namekuseyjin? Só o Vegeta e o Broly chamaram Goku de Kakaroto. Só as esferas do dragão que saíram legais o resto é “trash”.

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