ESPECIAL: Há 10 anos, acreditamos no inacreditável… – O aniversário de Matrix

1999. Era um ano cabalístico. Alguns diziam que o fim do mundo seria ali (ele sempre é adiado, a próxima data é 2012), havia boatos de um tal bug do milênio e os anos 2000 estavam pra começar. Pois bem, se o mundo acabasse naquele ano, pelo menos o cinema terminaria de modo digno. Verdadeiras obras-primas do cinema moderno datam deste ano, como “Magnólia”, “Clube da Luta” e o aniversariante de hoje, que causou uma revolução no cinema como não se via há muito tempo. Atores sem muito apelo para o público, diretores completamente desconhecidos e uma história da qual ninguém sabia direito. Era hora de acreditar no inacreditável, de lembrar que a colher não existe, de escolher entre a pílula azul e vermelha… era hora de descobrir o que era Matrix.

Era um filme… estranho. O pôster não dizia nada, o trailer era bizarro e instigante, sem falas e sem revelar absolutamente nada da história. Os diretores? Uns tais de Andy e Larry Wachowski, praticamente desconhecidos – antes de Matrix, eles só tinham dirigido Ligados pelo Desejo, que muita gente não conhece. O elenco, apesar de caras conhecidas como Keanu Reeves e Laurence Fishburne, não era apelo o bastante para atrair público.

O filme estreou e a reação foi imediata: as pessoas não acreditavam no que assistiam. Saíam completamente embasbacadas do cinema, procurando o queixo no chão ou simplesmente permaneciam sentadas na poltrona tentando entender o que foi tudo aquilo. Os efeitos visuais incríveis e as cenas de ação espetaculares eram apenas parte de um roteiro simplesmente brilhante, com uma história envolvente e fantástica.

O mundo em que vivemos é uma farsa. Na verdade, tudo é um programa de computador, chamado Matrix. Na realidade, o mundo estava dominado por máquinas e o ano já era 2099. Ou seja, os seres humanos seriam apenas escravos e tem passado a vida inteira presos dentro de um mundo que não existe. Mas alguns deles descobrem tudo e acabam entrando no mundo real, para lutar contra as máquinas e recuperar o controle do universo. Thomas Anderson (Mr. Anderson…), mais conhecido como o hacker Neo, acaba virando um deles, mas com algo a mais: ele era O Escolhido, o que tinha o poder de livrar de vez o mundo do controle das máquinas.

No meio de tudo isso, tínhamos dialogos brilhantes como:

Morpheus: Por toda a história dos seres humanos, dependemos de máquinas para sobreviver. O destino, pelo que parece, não está sem um senso de ironia.

Ou ainda:

Garoto: Não tente entortar a colher, isso é impossível. Ao invés disso, tente perceber a verdade.
Neo: Que verdade?
Garoto: Não há colher.
Neo: Não há colher?
Garoto: Então você perceberá que, não é a colher que entorta, é você mesmo.

Além disso, diversas cenas ficaram imortalizadas na história do cinema. A luta de Trinity contra os policiais, toda a sequência do tiroteio dentro do prédio no resgate de Morpheus, o “nascimento” de Neo e é claro… a cena do “Escolhido”, desviando das balas, talvez a cena mais famosa e mais copiada do cinema moderno até então. Mas não era só ação. Era Filosofia, como o Mito da Caverna de Platão, conceitos de Aristóteles e Descartes e  citações de Sócrates, Religião, Informática, ficção-científica… isso sem contar os elementos que viraram parte da cultura pop, como aquela tela com milhares de caracteres verdes passando, que virou screensaver no computador de muita gente, os óculos escuros sensacionais, as roupas… uau! Enfim, era um filme completo.

Sim, as continuações complicam sem precisar e a história se perde completamente, mas quem se importa? O filme original continua brilhante. Matrix é um filme imortal, daqueles que vão ser discutidos por décadas, sempre lembrados e sempre assistidos, sem ficar datado. Um filme obrigatório.

E então? Escolheu que pílula vai tomar?

Anúncios

6 comentários sobre “ESPECIAL: Há 10 anos, acreditamos no inacreditável… – O aniversário de Matrix

  1. Pingback: Os 10 anos de Matrix no Comentando Cinema « Comentando Séries
  2. Pois é.

    Os efeitos de Matrix (tão clichês hj em dia) foram uma evolução no mundo do cinema.

    Adoro Matrix e toda a filosofia por trás do filme.

    Pena q as sequências não foram nem 1/3 do que foi o original.

  3. Me recordo que quando tinha visto “Matrix” pela primeira vez tinha achado a coisa mais superestimada dos últimos anos. Mas com o tempo, e com uma revisão, aprendi a gostar bastante do filme. Mas não acho que as sequências fazem as coisas se perderem se analisadas juntamente com o capítulo inicial, já que considero “Reloaded” e “Revolutions” muito bons.

    Abraços!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s