FILMES: Foi Apenas um Sonho (2008)

Road to the Oscars

Indicado a Melhor Ator Coadjuvante – Michael Shannon, Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino

Gênero: Drama
Duração: 119 min
Origem: Inglaterra – EUA
Direção: Sam Mendes
Roteiro: Justin Haythe
Produção: Sam Mendes, Bobby Cohen, John Hart, Scott Rudin

Esnobado nas categorias principais do Oscar, Foi Apenas um Sonho tem atuações maravilhosas e é tecnicamente impecável. Mas falha em diversos aspectos do roteiro e da direção, deixando o filme distante do público, tornando a experiência de assisti-lo terrivelmente enfadonha. No fim das contas, dá até pra entender porque “esqueceram” do longa na premiação da Academia.

Frank e April Wheeler (Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, espetaculares) sempre se consideraram especiais e melhores que todos os outros casais. Mas depois que se mudam para a Rua da Revolução (Revolutionary Road, que também é o nome original do filme) – um nome propositalmente irônico – acabam se tornando o que sempre evitaram ser. Ela, uma dona-de-casa infeliz e ele, trabalhando num emprego insignificante, com medo de seguir em frente. Determinada a mudar isso, April sugere que eles larguem tudo e mudem para Paris. No entanto, quando o plano é colocado em prática, eles percebem que estão procurando mais que uma simples fuga de rotina…

Há 11 anos atrás, Leonardo DiCaprio, um jovem rumo ao estrelato e Kate Winslet, uma atriz em ascensão, protagonizaram Titanic, que até hoje é o maior filme de todos os tempos (não confunda “maior” com “melhor”). O tempo passou, os dois colecionaram indicações ao Oscar (ela, indicada seis vezes, ele três) – sem nunca terem ganho – e prestígio de público e crítica. DiCaprio amadureceu profissionalmente e Winslet é considerada por muitos, uma das grandes atrizes dessa nova geração. Pois bem, agora eles estão juntos de novo e qual foi o resultado?

Não poderia ser melhor. A atuação da dupla é um dos pontos altos do longa. Kate Winslet está incrível como April e consegue passar toda a agonia da sua personagem em ficar na mesmice, toda aquela sua infelicidade. Uma pena não ter sido lembrada por esse trabalho no Oscar, mas pelo menos está lá indicada por O Leitor. Leonardo DiCaprio também está ótimo em seu papel e só melhora nos momentos de tensão entre o casal. Ou mesmo com outros personagens, como na cena em que o personagem de Michael Shannon solta algumas verdades dolorosas de ouvir. O rosto de DiCaprio mostrando toda a fúria contida até o momento de explosão é excelente.

E já que citei Michael Shannon… falemos dele, a melhor coisa do filme… que não precisava estar ali. Em três cenas, Shannon apresenta uma interpretação fora do comum de tão maravilhosa como o perturbado matemático John Givings. O grande problema, é que ele aparece apenas para dizer o que já percebemos desde o começo do longa. Ou seja, sua existência é completamente inútil, o que torna tudo isso algo irônico, afinal, um personagem que nem precisava existir no filme, acaba se tornando a melhor coisa deste.

Se essa fosse a única falha do longa de Sam Mendes, eu até ficaria satisfeito. Mas infelizmente não é. As violentas brigas entre Frank e April, por exemplo, são suavizadas, com o “misterioso” sumiço dos seus filhos, que em momento algum presenciam o horror que o casamento dos pais se encontra. Isso acaba tornando todas as cenas de discussões irreais, afinal, na vida real, desde quando uma briga de casal não é assistida com tristeza e medo pelas crianças da casa? E a direção de Sam Mendes parece querer afastar o público dos personagens, ou seja, acabamos não sentindo nada pelos Wheeler. Eu particularmente não fiquei tenso, agoniado ou triste com aquilo tudo. Me senti como aquela pessoa que não conhece os vizinhos mas sempre assiste as brigas deles de longe, pela janela.

Como não sentimos nada pelos personagens, a experiência de assistir Foi Apenas um Sonho acaba se tornando terrivelmente enfadonha. Não ajuda o fato do filme ter um ritmo um tanto lento. Mas pelo menos ainda dá pra soltar uma risada numa cena particularmente vergonhosa, que acontece logo após a última aparição de John Givings e parece tirada de uma novela das seis. Bem, pelo menos há outras ótimas cenas para compensar.

Apesar dos defeitos, o filme apresenta uma parte técnica excelente. A Academia acertou em cheio ao dar mais destaque ao longa apenas nas categorias técnicas como a direção de arte e o figurino, que são ótimos. Só achei que a competente fotografia de Roger Deakins também merecia um reconhecimento. É um trabalho excepcional. Quanto a trilha sonora, composta por Thomas Newman, não há algo muito marcante. É apenas boa.

Foi Apenas um Sonho tem seus atributos, mas acaba decepcionando quando vemos o calibre das pessoas envolvidas. Acho que poucos esperavam um filme menos que ótimo vindo de Sam Mendes e com Leonardo DiCaprio e Kate Winslet como protagonistas. Uma pena que não tenha atendido as expectativas. Mas apesar de ser fraco em vários aspectos e de não aprofundar tanto questões importantes do livro de Richard Yates no qual o longa é baseado, vale ser assistido, por pontos que já ressaltei aqui e por coisas como a cena final, idêntica ao da obra original e igualmente maravilhosa.

Nota: 7/10

Por Marcelo Silva

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2 comentários sobre “FILMES: Foi Apenas um Sonho (2008)

  1. Poxa, eu amei o filme. Pra mim não é só o melhor do ano como também um dos melhores dos últimos dez anos, mais ou menos. Me tocou profundamente. Adorei! Mas opinião é opinião…
    Abraço!

  2. Pingback: Retrospectiva 2009: Parte 3 « Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos

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