FILMES: Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007)

Gênero: Musical – Thriller – Crime
Duração: 117 min
Origem: EUA
Direção: Tim Burton
Roteiro: Christopher Bond, John Logan
Produção: John Logan, Laurie MacDonald, Walter F. Parkes, Richard D. Zanuck

Longe do glamour de Chicago, do clima colorido de Moulin Rouge e das loucas danças de Hairspray, Sweeney Todd é um musical melancólico, triste e sombrio. Ou seja, é perfeito para um diretor como Tim Burton, que tornou o filme uma das grandes surpresas do ano passado.

Benjamim Barker (Johnny Depp, ah você sabe) é um barbeiro casado com uma linda e doce mulher. Eles tinham uma filha juntos. No entanto, ao ver a moça, o Juiz Turpin (Alan Rickman, Harry Potter) se apaixona e sob o pretexto de um crime que nunca aconteceu, prende Barker, deixando o caminho livre pra ele. Anos depois, o barbeiro volta a Londres com um novo nome: Sweeney Todd. Sedento de vingança, ele vai voltar ao seu negócio, agora com a estranha Mrs.Lovett (Helena Bonham-Carter, Clube da Luta) como cúmplice. Ele volta a barbearia, mas não exatamente para barbear. Depois de um pequeno incidente, ele resolve se vingar de toda Londres e Lovett, que faz tortas, tem uma idéia de como aproveitar os corpos, assando deliciosas tortas de carne…

Tim Burton é conhecido pelo visual sombrio, escuro e melancólico de seus filmes. Sempre foi assim: nos dois primeiros Batman, em Edward, Mãos de Tesoura e mesmo quando o visual é bem colorido, o tom do filme consegue ser triste, como em A Fantástica Fábrica de Chocolate. E o que poderia ser melhor que uma história dessas para ele? O tom melancólico e sombrio fica claro e presente durante todo o filme, tanto que a cor mais forte que vemos é o vermelho do sangue.

A direção de arte é, em como todo filme de Burton, a melhor coisa do filme. Simplesmente perfeita, teve um Oscar merecido. Aquela sequência de Lovett imaginando ela e Sweeney viajando, indo pra praia entre outros lugares é incrivelmente bem-feita. Assim como todo o resto do filme. A trilha sonora é não menos que excelente, composta por Steven Sondheim, que compôs a trilha do musical original.

Quanto aos atores. Todo o elenco faz um bom trabalho, mas Johnny Depp mais uma vez mostra um talento incrível e é uma das melhores coisas do filme. Seu personagem é amargurado pelos fantasmas do passado, um sujeito que não confia em ninguém e não vê nada de bom ou proveitoso no mundo depois que perdeu seu grande amor. E ele constrói Sweeney Todd com maestria, além de cantar muito bem. Quando ele canta “My Friends”, vemos o seu ápice. Helena Bonham-Carter é uma ótima atriz, mas não sei… até que gostei dela no filme, mas as vezes me lembro da personagem e vejo tantos problemas, sem contar a voz dela, que não é muito boa. Enfim, Alan Rickman e Timothy Spall fazem um bom trabalho como o Juiz Turpin e Beadle, seu braço direito. Gosto muito de Rickman e adorei o trabalho dele nesse filme.

Agora, a pior coisa do longa. Ela: Johanna. Tanto ela quanto o personagem Anthony são muitissímo mal construídos, não achei o garoto bom ator e sim, a música “Johanna” até que é bacana. Mas depois que ela é cantada (ou melhor, lamuriada) por Anthony pela milésima vez, dá vontade de jogar o controle na TV. E o que podia ser uma canção de amor bonita, se torna um negócio chato e irritante. O pensamento: “ah não, de novo?” é inevitável.

As músicas são ótimas. Não tem nada que envolva grandes coreografias e muita animação como é o costume dos musicais. A maioria das músicas aqui são tristes e quando tem um ritmo mais animado, tem letras simplesmente bizarras (como quando a Mrs. Lovett dá a idéia do que fazer com os corpos que Todd mata na barbearia). A melhor de todas na minha opinião é “My Friends”. De modo pouco brutal, vemos que o protagonista perdeu sua humanidade, perdeu sua confiança no mundo, tudo o que ele tem, são suas amigas… as lâminas. Outros pontos altos ficam por conta de “Epiphany”, que é quando o rumo do filme muda completamente (sem contar que a música é de um modo muito sombrio, sensacional) e “Pretty Women”, que é um pouco antes da última citada, em que a tensão fica atenuada durante toda a cena, pois temos o primeiro encontro de Sweeney e Turpin desde que o protagonista voltou a cidade.

Com uma história que é muito interessante, de modo bizarro, músicas que conseguem cativar e um clima pesado mas envolvente, Sweeney Todd foi uma das maiores e mais gratas surpresas de 2007. E que venha Alice no País das Maravilhas, o próximo filme de Tim Burton… quero só ver o que vai sair daí.

Nota: 9

Anúncios

4 comentários sobre “FILMES: Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007)

  1. Ótimo texto! Adorei o filme, como você. Não consigo ver defeito nenhum. Um prato cheio para quem gosta de musicais. Tomara que Tim Burton se aventure muitas vezes mais por esse gênero!

    Abraço!

  2. Achei que poderia ter sido melhor
    Mas por enquanto, junto com A Vida É Dura, é um dos melhores musicais desse ano …
    Acho que faltou groselha no sangue … tá meio insosso …

  3. Um saco a tal da Johanna hein?!! Esperava um filme melhor, devido a todo o buzz que corria em cima na época, mas ainda assim nao ruim, só gostei menos que você.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s