FILMES: 007 – Cassino Royale (2006)

Gênero: Ação
Duração: 154 min
Origem: EUA – Reino Unido
Direção: Martin Campbell
Roteiro: Paul Haggis, Neal Purvis, Robert Wade
Produção: Barbara Broccoli, Anthony Waye, Michael G. Wilson

Antes de 2006, nossos últimos encontros com James Bond foram numa série de pataquadas bizarras que iam de vilões que não sentiam dor (!), passando por ondas gigantes enfrentadas pelo agente secreto (!!) e até um carro invisível (!!!). Estava na hora de mudar e colocar a casa em ordem. Pois em 2006, depois de 5 filmes, Pierce Brosnan saiu da franquia, dando lugar a Daniel Craig, escolha inusitada que fez todo mundo torcer o nariz. Quando o filme chegou… a surpresa: o personagem estava diferente e Craig, ficou ótimo.

Depois de dois assassinatos profissionais bem-sucedidos, James Bond (Daniel Craig) é promovido a categoria “00”, ou seja, tem licença para matar. A primeira missão do agente como 007 é em Madagascar, procurando um terrorista. As coisas acabam saindo fora do planejado e o agente resolve investigar a célula terrorista por conta própria. Uma pista o leva as Bahamas, onde ele conhece Dimitrios, que está envolvido com LeChiffre (Mads Mikkelsen), homem que financia organizações terroristas do mundo todo. A Inteligência do Serviço Secreto descobre que o vilão pretende ganhar mais dinheiro num milionário jogo de pôquer no Cassino Royale em Montenegro. E o MI6 designa Bond para jogar contra ele. O agente fica sob o atento e sedutor olhar de Vesper Lynd (Eva Green).

Para começar, temos um excelente prólogo em preto-e-branco, mostrando como Bond conseguiu sua licença para matar. A sequência inteira é excelente e já te prende ao filme de imediato, sem contar o modo como a celébre gun barrel é usada, para “terminar” a cena. Segue os créditos de abertura, com “You Know My Name”, definitivamente uma das melhores músicas já compostas para um filme da série 007. Chris Cornell arrasou. E a abertura em si, que fica entre Bond batendo em vilões e as cartas, é muito boa.

Daniel Craig pareceu, desde o começo, uma escolha estranha até demais para James Bond. O famoso agente secreto é charmoso, tem postura e possui uma beleza natural. O ator é um brucutu, mal-encarado e (apesar das mulheres adorarem) não tem uma beleza como os outros tinham. Todo mundo ficou desconfiado, ninguém acreditou que fosse sair coisa boa daí. E não é que Craig se encaixou perfeitamente na proposta do filme? A idéia de mostrar o começo da carreira de Bond, e de um jeito realista e com ares menos fantasiosos do que os últimos filmes foi uma idéia não menos que genial.

Por falar em realismo… Enquanto Bond esteve fora das telonas, um outro agente secreto fez um grande sucesso. Com ares realistas, Jason Bourne é considerado um espião do século XXI. Quando Casino Royale estreou, foi inevitável: todo mundo comparou. O novo filme era calcado no realismo e James Bond estava diferente, muito diferente. Muitos compararam os dois personagens e acho essa comparação algo estúpido de doer. O Bond de Craig é bruto, violento e impulsivo, se é pra comparar com um agente, que comparem com Jack Bauer.

Judi Dench arrasa como M. É uma das melhores coisas do filme, de longe. A cena em que Bond quase diz seu nome é excelente.

Fale mais uma sílaba e mando matá-lo.

Eva Green é excelente. Se ela é uma boa bondgirl? Até que é, mas só tenho certeza que ela é uma bondgirl boa. Ok, piadinhas a parte, ela está maravilhosa nesse filme. Mads Mikkelsen traz um dos melhores vilões da série, como a maioria dos vilões, tem uma caracteristica grotesca: ele chora sangue. LeChiffre é um excelente vilão, ardiloso e com aquela cara de que está tramando algo a todo momento, sem contar que ele é só uma peça numa complexa organização. Alias, ele e Bond protagonizam uma das melhores cenas do filme, a tortura para tirar informações, é agoniante no começo, mas quando o agente secreto começa a fazer piada, damos uma risada involuntária, apesar de tudo.

Algumas cenas do filme deixaram alguns fãs de James Bond enlouquecidos. Quando ele encontra Vesper sentada no chuveiro, sob o impacto de ter presenciado a morte de dois homens e a abraça, não vemos aquela tensão sexual que vive presente quando mulheres aparecem nos filmes de 007. É algo… romântico. E que achei belissímo. Pra compensar, vemos ele falando: (passe o mouse para ler) “The bitch is dead”, mostrando que ainda se deixa levar pelas emoções de maneira fácil.

A direção de Martin Campbell se mostra muito eficaz. Cenas de ação como a perseguição em Madagascar, a sequência final ou mesmo a cena em que o carro capota, são sensacionais. A trilha sonora é ótima, composta por David Arnold e a fotografia é belissíma.

007 – Cassino Royale, traz James Bond para o século XXI, num universo realista, em que vilões e heróis sentem dor, o carro não fica invisível e sim, capota várias vezes e o grande protagonista… é humano. Muita coisa mudou e as mudanças não podiam ser melhores, o realismo é bem-vindo e a nova geração agradece. Mas uma coisa não muda… seu nome: Bond, James Bond.

Nota final: 9,5

Por Marcelo Silva

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