FILMES: Ensaio Sobre a Cegueira (2008)

Eu vi esse filme há pouco mais de um mês. E demorei tanto pra escrever sobre ele por diversos motivos. Primeiro, eu tenho o costume de montar os meus comentários sobre o filme mentalmente logo após sair do cinema. Mas não consegui montar nada com o longa de Fernando Meirelles que fosse digno de se postar. Depois, faltou tempo e por último, eu tenho me atualizado com as séries e com o blog de séries e não deu pra dar conta de tudo. Enfim, já expliquei a falta de atualizações e o motivo da demora da critica. Agora, vamos direto ao assunto.

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Gênero: Drama
Duração: 118 min
Origem: Japão – Brasil – Canadá
Direção: Fernando Meirelles
Roteiro: Don McKellar
Produção: Andréa Barata Ribeiro, Niv Fichman, Sonoko Sakai

Ensaio Sobre a Cegueira, visto no cinema, é uma experiência única. Com imagens marcantes e dificeis de esquecer, o longa de Meirelles é uma adaptação assustadoramente fiel a complexa obra de José Saramago. Um elenco ótimo, liderados por uma Julianne Moore arrebatadora, fazem do filme mais uma grata surpresa da sensacional safra de 2008. Porque eu esperava apenas um bom filme. Assisti um dos melhores do ano.

A essa altura, a grande maioria já sabe do que se trata o longa, mas vamos lá: num dia como qualquer outro, um homem (Yusuke Iseya), esperando o sinal verde do semáforo, de repente se descobre cego. Mas diferente da cegueira já conhecida pela medicina, em que a pessoa vê tudo preto, o homem enxerga tudo branco. Ele vai ao médico (Mark Ruffalo, Zodíaco), que não consegue encontrar uma explicação plausível para o fenômeno. Horas depois, ele também cega. Pouco a pouco, vão aparecendo inúmeros casos de cegueira e logo acaba se descobrindo que é uma epidemia. O motivo e a causa de uma epidemia desse tipo estar acontecendo, são obscuros. O Governo então, manda todos os infectados para um manicômio abandonado, deixando-os em quarentena, enquanto tentam resolver o problema. Mas as coisas não vão terminar do jeito que todos esperavam…

Pouca gente conhecia Fernando Meirelles por O Menino Maluquinho 2 e Domésticas. Mas depois do seu terceiro longa, Cidade de Deus, uma obra-prima da sétima arte, ele virou o grande…”representante”, digamos assim, do cinema brasileiro no exterior. E Ensaio Sobre a Cegueira é a confirmação de que Meirelles é o melhor cineasta brasileiro atualmente. Sua direção é incrivel, ele consegue passar toda a sensação de desespero, desolamento e tristeza que todos, inclusive a Mulher do Médico (Julianne Moore, Magnólia ) sentem. Ficamos tensos, desconfortáveis, ao ver a degradação do mundo de um modo tão… real.

O elenco está afiado. Mark Ruffalo faz um ótimo trabalho como o Médico, o homem que sempre cuidou e agora precisa ser cuidado, o que deixa ele desconfortável e desesperado. Danny Glover (Máquina Mortífera) é o interprete perfeito para o Velho da Venda-Preta. Tem um vozeirão que dá o ar de experiência e sabedoria, pena que não seja tão bem construído como os outros personagens no filme, apesar de ser um personagem importante, de qualquer modo. Alice Braga (Eu Sou a Lenda) está convincente como a Garota de Óculos Escuros e finalmente, chegamos aos dois grandes destaques do longa: Julianne Moore e Gael Garcia Bernal.

Primeiro, vamos ao mexicano. Desde o Coringa de Heath Ledger não víamos um vilão interpretado de modo tão odiosamente sensacional. Tal como o antagonista de Batman, o Rei da Ala 3 de Gael Garcia Bernal é uma pessoa que não sabemos se adoramos ou odiamos no filme. Ele protagoniza o maior alivio cõmico do longa, cena que não tinha no livro, mas uma das poucas que consegue fazer o espectador dar um sorriso, mesmo que amarelo. Entretanto, ele também dá a idéia que resulta na cena mais perturbadora do filme, que é igualmente assustadora no livro. O estupro coletivo é horrível de se ver e deixa qualquer um com um nó na garganta. Mas é necessário para a história, e ainda termina numa das cenas mais belas do filme, das mulheres lavando o corpo da colega. Triste, mas belissímo.

E Julianne Moore? Performance espetacular, digna de Oscar. Ou pelo menos de uma indicação. Sua personagem, a protagonista do filme, que sofre mais do que qualquer um por ser a única que pode enxergar num mundo repleto de cegos, é batalhadora, perseverante e de algum jeito, é a esperança de que algum dia aquele inferno vai acabar.

A fotografia de César Charlone é igualmente merecedora de prêmio. Em várias cenas, nós experimentamos a “cegueira branca”, e no terceiro ato, já fora do manicômio, vemos a cidade num estado apocaliptico, suja, acabada, em lindas cenas. Em meio a tantas coisas, quase deixo passar a trilha sonora, que ajuda muito no clima pesado do filme. E a narração em off do personagem de Danny Glover, que foi criticada por muitos, só ajuda na interpretação do final do filme. E acho que ajudar a interpretar não é algo ruim.

Ensaio Sobre a Cegueira é tenso, pesado e nos faz parar para refletir sobre nós mesmos, é inevitável pensar: e se fosse eu? O que eu faria nessa situação? É o retrato do ser humano na sua pior forma. Fazendo um novo pararelo com Cavaleiro das Trevas, foi como o Coringa disse:

“Introduza um pouco de anarquia, desobedeça as ordens estabelecidas… e tudo se torna um caos.”

Pois é, no fim das contas, tudo o que o vilão de Batman tentava provar, foi mostrado na adaptação da obra de Saramago. Que é mais que um filme, é uma lição de vida.

Nota final: 9,5

Por Marcelo Silva

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18 comentários sobre “FILMES: Ensaio Sobre a Cegueira (2008)

  1. O filme é muito bom mesmo… eu amei… fiquei super espantada de ver o centro de São Paulo todo destruido… como eles conseguiram? ai eu vi uma entrevista do Meireles na Marília Gabriela e ele disse que com o apoio da prefeitura e da CET, eles fecharam o centro por um dia inteiro…

    http://blogdeblindness.blogspot.com/

    segue o blog que o Diretor estava escrevendo durante as filmegens…

    beijos

  2. UM DOS MAIORES FILMES QUE ASSISTI, E APESAR DE NÃO SER EXPERT EM CINEMA,NÃO TENHO DÚVIDAS UM DOS MAIORES FILMES JÁ FEITOS DO GÊNERO… UMA PERFEITA MATERIALIZAÇÃO DO LIVRO DE SARAMAGO GANHADOR DO NOBEL.UMA OBRA DE ARTE CINEMATOGRÁFICA DE NOSSO EMERGENTE DIRETOR TUPINIQUIM DIGNA DE PELO MENOS UMA INDICAÇÃO AO OSCAR.

  3. Também amei o filme. A única coisa que me incomodou (ou melhor, que achei que poderia ter sido melhor) seria se a última frase fosse dita pela própria Julianne… Fora isso, impecável! O livro é simplesmente sensacional, e o filme faz jus a história.

  4. Como foi dito no início do cometário “Ensaio Sobre a Cegueira, visto no cinema, é uma experiência única.”. Sim única, pois não vejo nada pior para se ver. É uma produção ridícula, cheia de erros no roteiro e, como não poderia de ser, apelo sexual. Me trouxe sensações terríveis que espero não mais sentí-las. A conclusão é: filme do Fernando Meirelles nunca mais. Sinceramente espero que ele nunca mais produza algo para a TV.

  5. Um filme tenso sim, por nos conduzir a reflexões que fazemos questão de esquecer. Ele nos mostra como ficamos cegos sociais, como excluímos de nossos relacionamentos o negro, velho e pobre. A prostituta, a criança órfã, os asiáticos – hora odiados, hora amados na vida real. Enfim, é de se tirar o fôlego quando saímos do cinema e encontramos, nas esquinas de nossas cidades, muito do que estamos cegos há muito tempo. Pessoas catando lixo para comer, pedaços de papelão para dormir… Realmente, de tão tenso, não é para qualquer um conseguir assistir, entender e tentar encorporar em seu dia-a-dia o desejo e o esforço em mudar. No final do filme, quando a jovem prostituta diz que deseja ficar com alguém velho e pobre, por justamente não vê-lo, é de se tirar o chapéu e nos perguntar, porque fazemos tanta questão de manter as aparências e nos distanciar do que realmente importa nas pessoas…. o que pensam…. o que sentem…. o que são, e não como estão e o que possuem. Maravilhoso!

  6. Fantastica obra de Saramago / Meirelles… o que me chamou a atenção sobre o ser chamado “humano” em sua essencia pode ser tanto animal…corrupto, violento, manieco, indesejável, ao mesmo tempo, amigo, solidário, generoso e desejado. Somos surpreendidos pelas caracteristicas da alma, da sociedade, sem a visão do externo mas do seu próprio ser, complexo, onde se torna dentro de sua vulnerabilidade momentos efemeros marcados por sua própria essencia. Valeu…ótima reflexão sobre a vida.

  7. NOSSA EU ACHEI ESSE FILME UMA BOSTA.! QUE COISA MAIS HORRIVEL.! ELE TRAI A MULHER DELE , DEPOIS ELAS SÃO PRATICAMENTE ESTRUPADAS DO MODO MAIS NOJENTO O POSSIVEL.! QUEM ADOROU ESSE FILME DEVIA ESTAR COMPLETAMENTE FORA DE SI QND ESCREVEU ISSO.! AAAAAAFE QUE FILME MAIS RIDICULO.1 ODIEI.!

  8. É um fato que realmente nos leva a pensar como nós somos valiosos e precisamos alem de amar o próximo amarmos a nós mesmo pois na época em que estamos vivendo a cada dia que passa a dificuldade de confiar no próximo se estreita mais e mais nos tornando seres individualista sabendo que mesmo assim jamais podemos viver sem a relação do próximo. Quando o filme trata a cena que o rapaz fica cego no sinal e um rapaz desconhecido se aproxima para tentar lhe ajudar que de uma certa forma ele aproveita do problema do rapaz para realizar um golpe de furto é comum nos dias atuais presenciarmos tal situação. Lamentavelmente me colocando no lugar do “Sr. Cego”, reagiria talvez que da mesma forma, iria confiar pois o desespero que apresenta no momento nos leva a esquecer o outro lado da vida.

  9. O filme é HORRIVEL….Concerteza esse diretor ñ tinha nd melhor pra fazer…perca de tempo assistir essa BOSTA!!

  10. Exótico e diferenciado. Esse filme fala de forma clara e precisa a realidade e os acontecimentos da atualidade. O autor descreve os personagens anônimos: o motorista no semâforo, o ladrão, o oftalmolofista, a postituta, o velho negro e a protagonista saõ uma descrição das classes sociais e todas as suas atitudes e ações relacionadas ao próximo.O Isolamento dos cegos e tudo que acontece naquele ambiente,como: brigas,violência, estupros e indiferença para com o próximo, são um relatrato visual e falado do mundo em que vivemos.O filme de Meirelles nos leva de forma brusca, rústica a vivenciar o que realmente somos: cegos, pois não vemos, muitas vezes, o pobre faminto, o velho desprezado e a prostituta descriminada e muitas das vezes negamos o pão e o copo dágua aquele(a) que está bem do nosso lado. Devemos agir como a protagonista que usou de todos os recursos para poder se apresentar como uma boa samaritana, exceto alguma ações como: oferecer o corpo em troca de alimento ou matar o inimigo com uma tesoura. Fica aqui a interrogação? O que somos? Vemos ou somos cegos?

  11. Embora o inicio do filme seja pessimo em decorrência de seu mau preparamento,de autor que me surpreendeu por ser de etnia asiatica da qual jamais se passou em minha consciência(inconscientemente preconceituosa e etnocêntrica),contudo de uma atuação de quinta que jamais conseguirá nos impactar como o narrado no livro(e que poderia servir de evocação cabal ao desenrrolar do filme…e como poderia até porque é deste personagem que o ciclo de caos e de reflexão se inicia e é no mesmo que se finaliza)…mesmo dado a centralidade dramatica a personagem da atriz Julianne Moore…emfim o inicio foi uma desgraça!
    Todavia,as cenas que mais primaram a missão matafísiaca e social da obra dentro dessa diatética entre o surreal horripilante e o real cotidiano e recôndito é certamente as cenas que expressaram o sexo(o corpo perecivel,o prazer imediato e animal),a adptação incorformada a miséria,a sujeira ,ao fedor ao conviver literalmente pisando na merda este abjeto repugnante,a desumanidade do ser e sua intrínseca relação até em circunstâncias onde toda a coerência material se dilui com um sistema de troca,de mediação para a sobrevivência…vemos isso na troca de comida por objetos materiais dos personagens,a desorientação das relações e de seus laços afetivos…do médico com sua mulher,da prostituta e o medico,da mulher do medico e da prostituta,do menino “estrábico” e sua mão coexistente e ao mesmo tempo de seu desamparo em meio a guerra de titãs que mesmo sendo pequeno medinte valores sociais e da propria natureza humana em nenhum momemto é auxiliado maternalmente por ninguem nem pela munlher do médico e muito menos pela prostituta…
    Indubitavelmente a joga de mestre do filme ao que circunda os pequenos detalhes epifânicos e
    estrartégicos ao deleite espiritual de nós telespectadores foi realmente a chicara de café com leite….muito massa de verdade…além das implicações da analogia feita pelo autor da cegueira de todos ser como um banho de leite nos olhos parece ser uma tanto obvio,porém foi muito criativamente pensado que escapa de visão piegas,logo o obvio se revela então extraordinário pela sua simbologia e que seve em pararalelo de paliativo,contudo jamais recompensador ou justificavel,da desgraça de enfiar o bando principal de personagens naquela casa…de cozinha imbecil…No mais, gostei da dramaticidade dada por Julianne não como é claro como foia sua atuação incomodante no filme “As Horas” mas muito bacana…de uma pele linda…espetacular.
    Final é claro grotesco…é claro que ninguem esperava para o desfecho uma cena como as iniciais “O dia depois de amanhã”,contudo mediante toda a carga drámatica do desenrrolar do filme oriu
    ndo de toda uma bagagem téorica social,humana,naturalista e reflexiva,esperavamos uma “coisinha mior” em alusão a um orgasmo truncado….Bo0o0m filme,alguns atores de atuação competente outros totalmente descartaveis a subjetividade que cada um personagem merecia,visto que é foi caracteristica de José Saramango na obra não dotar de nomes nenhum dos personagens o que porém era o que se desve lava a essência maior de uma singularidade de cada um…

  12. O filme nos leva a refletir sobre uma nova maneira de viver no mundo. Como seria se o mundo se todos os seus habitantes fossem cegos? Para mim certamente o mundo teria uma outra forma de organização. Talvez um mundo mais livre da escravidão da aparencia, ou da estética. A vida seria assim mais simples, pautada numa oganização mais local, onde o individualimo daria espaço para o coletivo e as relações seriam menos preconceituosas. Ou para outros o mundo seria o caos. Não sei!! Vale a pena conferir !!

  13. cada um tem sua opininhão umas pessoas acharam horriveis outras acabaram gostando e assim por diante,o filme mexe muito com as pessoas ñ importa em qual condiçõesas elas estejam é um filme muito bom gostei muito nos leva a refletir sobre o mundo em q vivemos, é importante lembrar q oq aconteceu no filme era so uma atuação.Mais ja colocamos na vida real imaginem como seria isso na realidade, nos mesmos estamos acabando com o mundo onde vivemos e lha q ñ estamos nem um pouco cegos !!!!!!
    As pessoas deviam ter a concientização do q é certo ou errado e cuidar de nosso mundo no final do filme fala sobre a eperança de toda a cidade voltar ao normal pois a primeira pessoa q ficou cega voltou a enxergar

  14. janaina sm

    cada um tem sua opininhão umas pessoas acharam horriveis outras acabaram gostando e assim por diante,o filme mexe muito com as pessoas ñ importa em qual condiçõesas elas estejam é um filme muito bom gostei muito nos leva a refletir sobre o mundo em q vivemos, é importante lembrar q oq aconteceu no filme era so uma atuação.Mais ja colocamos na vida real imaginem como seria isso na realidade, nos mesmos estamos acabando com o mundo onde vivemos e olha q ñ estamos nem um pouco cegos !!!!!!
    As pessoas deviam ter a concientização do q é certo ou errado e cuidar de nosso mundo no final do filme fala sobre a esperança de toda a cidade voltar ao normal pois a primeira pessoa q ficou cega voltou a enxergar

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