FILMES: Fim dos Tempos (2008)

Gênero: Drama – Suspense
Duração: 91 min
Origem: EUA
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan
Produção: M. Night Shyamalan, Barry Mendel, Sam Mercer, Jose L. Rodriguez

Antes de mais nada, já digo: Sim, é muito melhor que A Dama na Água. Um suspense cheio de tensão, pouquissímos, mas ótimos sustos e aquela sensação de agonia que o diretor e roteirista M. Night Shyamalan não conseguia trazer a tona desde A Vila (que acho bom, mas parece faltar algo no filme o tempo todo). Mas quando o final se aproxima, o filme começa a enfraquecer e termina um tanto decepcionante.

Mark Walhberg (Os Infiltrados, Boogie Nights) é Elliot, um professor de ciências que tem uma situação pessoal complicada. Sua esposa, Alma (Zooey Deschanel de Ponte para Terabitia) está distante dele e começa a sair com outro rapaz. Ao mesmo tempo, ocorre algo muito estranho em Nova York. Em pleno Central Park, as pessoas começam a agir de modo estranho, ficam paralisadas, depois falam de modo desconexo… e se matam. Já é uma surpresa ver um filme do diretor indiano começar assim, pois normalmente nos longas dele, a grande trama começa só na metade da história, depois de todos os personagens desenvolvidos, lugares estabelecidos… E parece que ele aproveitou o fato do filme ter censura R (proibido para menores de 17 anos sem acompanhante) e não poupou cenas de violência explicíta. O fato é que, logo suspeitam que é um ataque terrorista. Aparentemente, liberaram uma toxina no ar que fazem as pessoas terem aquele tipo de comportamento. Junto com o amigo Julian (John Leguizamo, Moulin Rouge), que tem uma filha, Jess, Eliott e Alma saem da cidade.

O trem não completa sua viagem e daí pra frente, começa a tensão e a terrível sensação de agonia. O elenco é um problema. Mark Walhberg não é o pior em cena, mas as vezes passa a impressão de não querer estar ali, naquelas de “já que eu aceitei, melhor ficar até o final…” e isso acaba fazendo ele entregar uma interpretação muito fraca, nos deixando com a sensação de que ele poderia fazer bem melhor. Ele não é o pior em cena, mas já a atuação de Zooey é… sofrível. Ela passa o filme inteiro com a cara de quem esqueceu todas as falas e fica tentando lembrar durante a projeção, tem umas caras estranhas e um jeito esquisito… enfim, tudo nela está totalmente errado. Ninguém faz um trabalho digno de elogios ali, mas o que talvez se sai melhor é John Leguizamo, mas é muito mal aproveitado.

Na parte técnica, é onde o filme está ótimo. A trilha sonora, assinada por James Newton Howard, é a melhor da filmografia do diretor indiano, junto com a de Sinais. Ah sim, vale lembrar que as trilhas de todos os filmes de M. Night são assinadas por Howard. Algumas tomadas são sensacionais, como a da “chuva de corpos” logo no começo do filme e o jeito como a câmera é posicionada quando três pessoas se matam usando a mesma arma, não vemos o resto do corpo delas a não ser os pés. Isso até a pessoa cair, com um buraco na testa.

As cenas dos suicídios começam meio perturbadoras, mas em alguns momentos beira o trash, como na cena do cortador de grama (é no minímo… bizarro). No entanto, algumas coisas chegam a chocar um pouco, como por exemplo, a já comentada tomada que Shyamalan faz na cena das pessoas se jogando do prédio. O jeito como a câmera fica chega a assustar. Eu sei que não é a primeira vez que vimos esse tipo de posicionamento, mas não deixa de ser algo que perturba. E como já dito, a violência aqui é bem forte, portanto é sangue pra todo lado, cabeças abertas, nervos pra fora e todo tipo de coisa que você pode imaginar. Então… o final.

M. Night Shyamalan foi rotulado cedo demais. Com o fenômeno de O Sexto Sentido, começaram a chamá-lo de “novo mestre do suspense” e até o “novo Hitchcock”. Absurdo? Eu concordo plenamente, mas é a verdade. Então veio A Vila e muitos se decepcionaram. E A Dama na Água foi a gota d’água (perdão pelo trocadilho). O que havia acontecido com o cara que fez aquela história do garoto que vê gente morta? Havia aquele diretor, conhecido em cada esquina em 1999, perdido a mão? Não. O público mudou com o tempo, estamos na geração em que “Homem-Aranha” é o grande herói… do cinema, filme sem efeitos especiais é considerado filme chato para o público e o genero pastelão tem como representantes coisas como “Espartalhões”. Quando um filme do indiano estréia, o público vai ao cinema esperando uma história bem bolada que tenha um final com uma grande reviravolta. Shyamalan aceitou isso? Já ficou claro que não. ele quer mostrar que sabe fazer mais que uma grande reviravolta, mas com isso, o público pensa “ah, filme desse cara sem reviravolta não tem graça” e isso é triste. Eu gosto do cara, não acho ele uma fraude como muita gente acha. O filme protagonizado por Bryce Dallas Howard é, de fato, péssimo, mas foi um erro dele. Todos erram.

Porque afinal, falei tudo isso? Por que fiquei aqui, defendendo Shyamalan? Para, veja só… falar mal dele depois. Eu não estava exigindo um final surpreendente para Fim dos Tempos porque, afinal, é até bom o diretor começar a se livrar desse estigma de trazer finais assim todo filme, como já foi dito. Mas foi no minímo, frustrante, depois de toda a tensão, tudo o que aconteceu, toda a agonia… terminar no que parece mais uma campanha do Greenpeace. Sem contar o jeito preguiçoso de explicar certos mistérios do filme. Teve até uma parte “final-de-novela”. Enfim, este final poderia por tudo a perder… se não fosse a última cena, que é ótima. Parecia que o roteirista nem se preocupou em esconder a intenção do filme. Faltou só uma faixa enorme escrito “SALVE A NATUREZA”. É, Mr. Shy… dessa vez, você me decepcionou na conclusão da história. Tirando as atuações fracas, o final patético e certas cenas que dão vergonha alheia (o dialogo profundo de Mark Walhberg com… uma planta, por exemplo), Fim dos Tempos é satisfatório, consegue cumprir seu papel como suspense e trouxe crédito para o tão polêmico diretor indiano.

Nota final: 7

Por Marcelo Silva

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3 comentários sobre “FILMES: Fim dos Tempos (2008)

  1. Tbm não gostei do filme achei o final tolo. se todos tivessem morrido eu teria acho mais legal, se na cena final quando o cara ve a mulher feliz ele parace no meio do caminho e começase a andar para trás seria BEM mais legal.

  2. Horrível e mal feito e com muitos erros craSsos, muita incoerência no roteiro e falhas graves na montagem, alem da falta de continuidade.

    Num dado momento as pessoas se contaminam em pequenos grupos dentro de seus carros, um dos atores principais que prometia render muito se suicida, noutro a as pessoas se contaminam porque estão em grupos grandes ao ar livre, outras vezes as pessoas se contaminam sozinhas.

    O protagonista conversa com a mulher atrás da parede, mas ela esta num casebre à 100 metros de distancia, depois se encontram no meio do mato e não se contaminam (a velha foi contaminada sozinha) não existe nenhum critério válido para a contaminação, ele muda a toda hora sem nenhuma coerencia.

    A sequencia é interrompida sem nenhum desfecho
    e retorna meses depois de forma incoerente que não convence ninguém, horrível.
    Pior que a A bruxa de Blair.

    Esse tema poderia render muito, mas um roteiro sofrível e uma direção incompetente estragaram o filme.

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