FILMES: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008)

Gênero: Aventura – Ação
Duração: 122 min
Origem: EUA
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Jeff Nathanson, David Koepp
Produção: George Lucas, Frank Marshall

Dezenove anos se passaram. A juventude de hoje só gosta de filme com efeitos especiais que façam os olhos saltarem. Tudo é mais fácil. Tudo é digitalizado. No meio disso tudo, será que um filme de Indiana Jones, como nos velhos tempos, daria certo?

ATENÇÃO: Foi impossível escrever essa critíca sem spoilers, desculpem. Então, está dado o aviso, abaixo, spoilers IMPORTANTES sobre o novo filme.

A resposta, felizmente, é sim! Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal faz valer a espera de 19 anos dos fãs (eu não esperei tanto assim) e mostra que o maior herói do cinema sempre estará pronto para uma nova aventura, seja quando for, mostra o que é um herói de verdade para o público jovem de hoje em dia. Pareceu até uma homenagem ao personagem, já que o filme tem todos os elementos que fizeram dos três filmes antigos, as melhores aventuras do cinema.

O filme começa no Novo México, em 1957, plena Guerra Fria, onde Indy e seu parceiro foram capturados pelos russos para procurar algo que é propriedade confidencial dos EUA. O herói demora um pouco para aparecer, já que no começo tem uma (desnecessária) sequência embalada por uma música do rei Elvis. Mas quando o chapéu é jogado no chão e vemos a sombra de um homem a pegando, começa a marcha de John Williams e pronto: se você viu ou não o filme na década de 80, o clima de nostalgia é inevitável. Desde o começo, temos referências. Quando Indy e os russos adentram o galpão cheio de caixas, vem a cena final de Caçadores a nossa cabeça imediatamente. E durante a emocionante fuga de Indy, que nos faz pular da cadeira torcendo por ele como só esse personagem consegue, vemos a Arca da Aliança.

Enfim, procurado pelo FBI por ter ajudado os russos involuntariamente, Indy é obrigado a deixar seu cargo de professor. Quando está indo embora, um jovem chamado Mutt Williams pede ajuda a ele, pois um amigo de longa data de Indy, o professor Oxley, foi sequestrado. Junto com a mãe de Mutt. E a partir daí, começa de vez o filme. E muito bem. Shia LaBeouf está excelente como Mutt Williams. E álias, o cara tem tudo para se tornar, no futuro, o grande astro de Hollywood quando o assunto é blockbuster. A carreira dele anda de vento em popa não? Ele é uma das melhores coisas do filme, sem dúvida.

Muitos reclamaram do excesso de CGI do filme. Eu acho uma reclamação um tanto equivocada. O filme tem realmente, muitos efeitos, mas eles foram usados na medida para o filme conseguir ser realizado. O clima de nostalgia deve ser mantido, mas nem tanto assim. Os efeitos estão sensacionais e muito bem usados. Diferente do que o colega de Spielberg fez com a própria saga, em que tinha mais CGI do que coisas reais, o novo Indiana Jones tem os efeitos sendo usados do jeito que devem, apenas uma “forcinha” pra fazer o filme e não um elemento crucial no mesmo. Cenas como a espetacular perseguição de jipes foi rodada a moda antiga, sem ser totalmente digitalizada. Álias, essa é uma das melhores cenas do filme.

Cate Blanchett parece estar adorando fazer o que faz ali. Cada momento que a vemos isso fica mais claro. Interpretando a vilã Irina Spalko, ela ainda deu um sotaque (que enjoa um pouco, dado certo momento) a personagem. Sua frieza se mistura com o jeito caricato de “dominar o mundo” que todo vilão de Indiana Jones tem. É uma ótima personagem e, para delírio dos fãs, tem uma morte espalhafatosa como a dos outros vilões da série. Há também lembranças de Henry Jones e Marcus Brody, homenagens a Sean Connery e Denholm Eliott, um, se aposentou e não quis voltar ao trabalho para filmar o novo filme de Indy e o outro, faleceu de fato, há alguns anos. Ray Winstone faz Mac, o “parceiro” de Indy. Muitos disseram que ele era como Sallah, mas… ele não tem NADA a ver com Sallah. E Harrison Ford hein? Com 65 anos, mas na mais plena forma, o ator dispensou dublês em várias cenas e fez questão de fazê-las como antigamente. E fez muito bem por essa decisão. Provou que não é Indiana Jones que está de volta, mas o Harrison Ford de antigamente também. E fala a verdade: o cara é Indy de corpo e alma não é?

O humor simples e delicioso da série também está muito presente neste filme, sendo que a cena mais engraçada acaba sendo o medo que o herói tem de cobras. É simplesmente impagável. Tão impagável quanto isso é a reação dele quando descobre que Mutt é seu filho, já que aquele momento não era tão bom para esse tipo de revelação. Mas uma das melhores frases é dita depois, quando Indy diz a Marion que houve várias mulheres depois dela, mas todas tinham um problema. Quando ela pergunta o que, ele diz:

Nenhuma era você, querida

E inevitavelmente, ela já está morrendo de amores por ele novamente. O clímax se dá num templo maia, onde Indy deve levar a caveira de cristal do titulo, já que é lá o lugar que ela pertence. Álias, para minha surpresa, essa caveira foi um excelente MacGuffin, não esperava que fosse tão bom assim, mas me surpreendi.

E lá no templo temos a homenagem aos filmes-B citada por Spielberg. A sequência é de arrepiar e tem algo que muito fã vinha torcendo o nariz desde que os rumores começaram: ET’s. É, o bicho aparece direitinho e dá o ar de sua graça para Cate Blanchett. Até disco voador teve. Enfim, a sequência com mais CGI do filme, mas inegavelmente uma das melhores sequências finais de toda a série, simplesmente adorei ela. Enfim, não importa em que ano você nasceu, não importa quando viu Indy pela primeira vez. Você vai sentir o clima nostálgico, você vai ter a sensação de voltar muito no tempo. E vai adorar isso.

No meio de tudo isso, acabei me decepcionando com a participação de John Hurt. Tanto se especulou sobre a participação dele, que não vi nada demais. Ok, ele era essencial para descobrir o local onde a caveira de cristal deveria ficar, e só. Para que tanto mistério em cima dele?

Mas Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é pura diversão. E das melhores. Um filme que vem pra provar que uma aventura de verdade não precisa ser toda no fundo verde, não precisa de ninguém super-poderoso nem de magia. Uma aventura de verdade é isso: um homem com um chicote, um chapéu na cabeça e pronto para mais uma aventura, sempre e a todo momento. Demorou, mas Indiana Jones voltou. E em tempos que as idéias em Hollywood acabaram e o cinema vive de adaptações de livros, HQ’s, desenhos e etc… não poderia ser em melhor hora.

VIDA LONGA A INDY! E se for pra fazer, que venha um novo filme (que como já ficou bem claro no final do filme, NÃO terá Mutt Williams como protagonista. É o filho dele, mas jamais poderia usar seu chapéu…)

Nota final: 9

Por Marcelo Silva

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