FILMES: Nine (2009)

Road to the Oscars!

Indicado a 4 Oscar: Melhor Atriz Coadjuvante (Penelope Cruz), Canção Original (Take it All), Direção de Arte e Figurino.

Gênero: Musical
Duração: 119min
Origem: EUA
Direção: Rob Marshall
Roteiro: Michael Tolkin, Anthony Minghella
Produção: Rob Marshall, Marc Platt, Harvey Weinstein, John DeLuca

Existem filmes que não precisam de muito para nos deixar ansiosos. Nine era um ótimo exemplo. Apesar de não ter um diretor tão incrível (Rob Marshall o mesmo que ajudou a ressuscitar os musicais com Chicago), um filme que conta com um time tão surreal como Daniel Day-Lewis, Judi Dench, Marion Cotillard, Penelope Cruz e outros grandes nomes, merece atenção. Ainda mais quando o filme em questão é um musical.

Pois é triste dizer isso, mas Nine já é provavelmente, uma das maiores decepções do ano.

Eu realmente pensava que não tinha como dar errado, não com um elenco tão inacreditável. Mas talvez Rob Marshall não tenha agüentado o tranco. O filme é esquisito, bagunçado e o pior: o elenco estelar, com exceção de uma atriz, é uma decepção. Nem Daniel Day-Lewis, que considero o melhor ator da última década conseguiu se destacar no filme. Não faz um trabalho ruim, mas em momento algum nos impressionamos com sua performance, diferente do que acontece em qualquer filme que ele faz. E apesar de tentar, sua voz não é tão boa para um musical…

Se bem que julgar a voz de qualquer um do elenco é até um pouco injusto quando as músicas interpretadas não ajudam.  Com exceção das poderosas Be Italian (interpretada no filme por Fergie) e Take It All (canção criada para o filme, interpretada por Marion Cotillard) todas as músicas de Nine são péssimas, com composições bizarras, letras bobas ou que não casam com o ritmo e outras músicas que dão sono de tão paradas (“Guarda La Luna”, interpretada por Sophia Loren e a música interpretada por Nicole Kidman). Com isso, a coisa fica séria: como um musical pode ser bom se o elemento principal dele é uma de suas maiores falhas?

E já que citei “elementos principais” de um musical, o pecado mortal de Nine é ter dois defeitos simplesmente inaceitáveis para o gênero. Além das músicas fracas, a montagem é simplesmente patética, a transição para os números musicais – que se passam todos na imaginação do protagonista – fazem o filme parecer um drama com clipes musicais e se vez ou outra eles acertam na transição, erram ao inserir outras cenas no meio dos números, tirando completamente o impacto das cenas – isso acontece exatamente na melhor sequencia do filme, “Be Italian”.

O elenco que impressionou tanta gente, é um enorme desperdício. Day-Lewis, como eu disse, está esquisito, nem lembra o ator que roubava a cena e enchia a tela em filmes como “Sangue Negro” ou “Meu Pé Esquerdo”. E as mulheres são obrigadas a lidar com personagens extremamente unidimensionais – vendo um dos posteres já dava pra ver o que cada uma é e ao ver o filme, dá pra ver que acertamos em cheio – e quase todas sofrem com isso.

Judi Dench, coitada, se resume a uma velha boa pinta que dá conselhos cheios de sacadinhas. Sua personagem mesmo passa o filme construindo figurinos de nada para nada, chega a ser até engraçado. Penelope Cruz só aparece para mostrar porque é uma das mulheres mais maravilhosas – o termo é outro, tem a ver com gosto, mas fica feio colocar aqui – do cinema atualmente e sua indicação ao Oscar acaba sendo um completo mistério, já que em 98% das cenas em que ela aparece, é só abrindo as pernas (seu número musical alias, nem envolve dança, é só ela se abrindo e rolando pra lá e pra cá). Isso não é exatamente uma reclamação, mas bem que podiam ter dado mais espaço pra ela mostrar seu talento como atriz.

Temos então Nicole Kidman e Kate Hudson, duas lindas atrizes que podiam muito bem ter ficado de fora do filme e ninguém nem iria perceber. Hudson interpreta “Cinema Italiano”, que funcionou no clipezinho usado pra divulgação do filme e como música avulsa, mas é um número musical que beira ao ridículo no contexto do filme, ela e a música aparecem e somem do nada e não se encaixam em lugar nenhum. E Kidman, uma atriz que gosto tanto, aparece depois de mais da metade do filme, tem um péssimo número musical e uma participação ínfima. Se todas essas mulheres seriam mera participação especial, deviam ter deixado isso claro antes.

A salvação do filme e o que garante um pouco de nota a ele é mesmo Marion Cotillard, que dá um show como a esposa do protagonista Guido Contini. É a única personagem que tem alguma construção no filme, a única que parece ter alguma personalidade. E é a dona do número musical mais poderoso do filme, talvez até mais que “Be Italian”: a ótima “Take it All”, onde temos um dos poucos momentos em que tudo dá maravilhosamente certo: a montagem, a fotografia preto-e-branco, a música, tudo casa muito bem e ao final, essa é a única cena que não dá pra esquecer por alguns dias.

Falando em “Be Italian”, não posso deixar de falar da sequência, que junto com Cotillard foi o que não tornou o filme um completo desastre. A transição para o número musical, a montagem da cena e o talento de Fergie são alguns dos maiores acertos do filme, só faço a ressalva que no final do número aqueles cortes rápidos para o passado de Guido acabaram tirando um pouco do impacto da cena. Mas no geral, é a melhor sequência do filme, de longe. Claro que fica óbvio porque Fergie se saiu tão bem: ela não atua em momento algum, é como se ela estivesse apresentando “Be Italian” num show. Sim, o número musical é sua ÚNICA cena.

Desde que soube de Nine, fiquei empolgado e ansioso pra ver, até pra vir aqui e escrever maravilhas sobre o filme, o elenco e etc. Por isso, foi uma péssima surpresa constatar que o promissor musical acabou sendo, desde já, uma das maiores decepções desse ano. Uma pena para talentos como Day-Lewis, Judi Dench e Penelope Cruz, por exemplo. E nem entrei nos méritos de roteiro ou direção, ambos tão decepcionantes quanto todo o resto – se bem que Rob Marshall nunca foi extremamente talentoso, mas ele pode fazer mais que isso – mas nem preciso me aprofundar mais, o filme já tem problemas o suficiente. Pois é, esse ano, ninguém quis virar italiano…

Nota: 4

Marcelo Silva

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